A Terra por dentro e por fora

A Terra vista por dentro

Conhecendo nosso planeta

Olhe um retrato seu. A imagem mostrará a cor de seu cabelo, o formato de seu rosto, o comprimento dos seus braços e pernas, e assim por diante.

Tire uma radiografia de seu interior. A imagem mostrará seu coração, pulmões, fígado, intestino, e assim por diante.

Com a Terra acontece a mesma coisa.

Quando o satélite tira um retrato da Terra, você vai ver os oceanos e continentes.

Quando os cientistas tiram a radiografia do interior da Terra, você vai ver as camadas de que é formado o centro da Terra.

Vamos primeiro ver o retrato da Terra

Quando olhamos o retrato da Terra, as fotos tiradas pelos satélites, vemos que a maior parte é azul, são as águas que formam os oceanos e rios, a parte colorida são os continentes e ilhas.

A camada externa da Terra, onde estão as águas e as terras, é chamada crosta terrestre e é nela que vivemos.

Os retratos da Terra por fora são os mapas da crosta terrestre.

Na figura abaixo vemos o planisfério, que é o retrato total da Terra.

Planisfério, o mapa do mundo

Nele podemos ver o continente americano (América do Norte, América do Sul e América Central), a África, a Europa, a Ásia, a Oceania e a Antártica.

Os continentes estão cercados pelos oceanos.

Atualmente o retrato da Terra é este, mas há milhões de anos era muito diferente.

As terras formavam um só continente, e as águas um só oceano, que foi se partindo em dois e mais tarde em vários pedaços.

Isto aconteceu porque em baixo da crosta terrestre há movimento, o núcleo da Terra está sempre em ebulição (fervendo), o que mexe com toda a estrutura da Terra.

Vejamos as modificações que sofreu o planeta Terra por fora.

No princípio, há 400 milhões de anos, as águas formavam um só oceano, chamado Pantalassa, que rodeava uma só terra, chamada Pangéia.

Se, há 225 milhões de anos, fosse tirado um retrato da Terra, ele seria assim: um grande oceano chamado Pantalassa e um grande continente chamado Pangeia, como vemos na figura abaixo.

Pangeia, o continente e Pantalassa, o oceano – Primeiro tempo

A parte da terra que está abaixo da crosta terrestre se movimenta frequentemente, e nestas movimentações a terra se rompe como um tijolo que vai se quebrando.

A terra foi rachando e as águas foram entrando nestas rachaduras da crosta terrestre: o Pantalassa (grande oceano) foi dividido em dois oceanos, e a Pangéia (grande continente) formou dois continentes.

Se, há 200 milhões de anos, fosse tirado um retrato da Terra, ele seria assim: dois oceanos chamados Pantalassa e Tethys e dois continentes chamados Laurasia e Gondwana.

Dois oceanos, Pantalassa e Thetys e dois continentes, Laurásia e Godwana – Segunda divisão

135 milhões de anos atrás a terra se movimentou fortemente e novas rachaduras foram feitas. A água penetrou entre elas e novos oceanos surgiram.

Se houvesse um retrato da Terra desta data ele seria como o da figura abaixo.

Este retrato mostra que a Laurasia formou as terras do hemisfério Norte e a Gondwana formou as terras do hemisfério Sul.

Vários continentes e vários oceanos – Terceira divisão

Há 50 milhões de anos houve uma nova separação e o retrato da Terra seria quase igual ao que é hoje, com os hemisférios divididos em continentes e oceanos, como são hoje, como se vê na figura abaixo.

Vários continente e vários oceanos – Quarta divisão

Atualmente o retrato da Terra é o planisfério que vemos a baixo.

Planisfério, retrato da Terra como é hoje – Última divisão

As terras estão divididas em seis continentes e as águas formam cinco oceanos.

Os continentes são: Ásia, África, Américas, Europa, Oceania ou Austrália e Antártica.

Os oceanos são: Pacífico, Atlântico, Índico, Glacial Ártico e Glacial Antártico.

Agora nós já conhecemos a Terra por fora; vamos ver como ela é por dentro.

A Terra por dentro

Nós conhecemos a Terra por fora porque temos os mapas que nos mostram como são os continentes e os oceanos e podemos conhecer a Terra por dentro porque os geólogos (cientistas que estudam a terra) fizeram a radiografia e nos dizem como ela é, como é composta, quais são as camadas que formam o seu interior.

Camadas da Terra

A Terra é formada por cinco camadas: Crosta terrestre ou litosfera, manto superior e manto inferior e núcleo externo e núcleo interno.

Divisão das camadas internas da Terra

A litosfera é o divisor de águas entre as camadas externas e internas da Terra.

Dela faz parte a crosta terrestre, aliás, com ela pode ser confundida, pois o que as diferencia é, apenas, o tipo de classificação da composição da Terra: enquanto a litosfera é uma das divisões que segmentam o planeta também em astenosfera, mesosfera e endosfera, a crosta terrestre precede as camadas chamadas de manto e núcleo. Na sua composição, a crosta terrestre é o solo, onde podemos plantar e viver e a litosfera é constituída de rochas.

Ela encontra-se sobre o manto e tem uma espessura entre 5 e 15 km sob os oceanos e entre 20 km e 70 km sob os continentes. É formada por minerais, como ferro, magnésio e alumínio, e também por rochas. Antigamente acreditava-se que a litosfera era um bloco rochosos inteiriço, teoria essa derrubada pela Teoria Tectônica de Placas. Ela está dividida em crosta continental e crosta oceânica.

A crosta continental é onde podemos viver, são o solo e as rochas e sua espessura varia entre 20 e 70 km.

A crosta oceânica é a que é coberta pelos oceanos e sua espessura varia entre 5 e 15 km.

Litosfera

Se pudéssemos cortar a Terra como se corta uma fatia de bolo veríamos que ela é formada de várias camadas, a começar pela atmosfera, que apesar de ser gasosa também é uma camada da Terra.

Vejamos na figura abaixo como são estas camadas.

Camadas da Terra desde a atmosfera até o núcleo

Por fora existe uma camada sólida, a litosfera, que como já dissemos é um divisor de águas, mas que faz parte da camada externa onde vivemos.

Em seguida viria o manto, dividido em manto superior e manto inferior.

Finalmente aparece o núcleo, um caldeirão super fervendo, também subdividido em 2 camadas, o núcleo externo, dentro do qual está o núcleo interno, em ebulição.

Entre as camadas existem duas fronteiras que levam o nome dos sismólogos que as descobriram. Estas descontinuidades apresentam características diferentes entre as duas camadas que ela separa. Essas fronteiras são chamadas Descontinuidade  de Mohovicic (entre o Manto e a Crosta) e Descontinuidade de Gutemberg (entre o Núcleo e o Manto).

Pesquisas realizadas comprovam que quanto mais se aprofunda no centro da Terra mais aumenta a temperatura e a pressão atmosférica. A temperatura do núcleo da Terra deve ultrapassar os 5500 °C e a pressão aproximada é de 1,3 milhões de atmosferas.

A vida no interior da Terra é improvável, os organismos vivos não suportariam tão elevadas temperaturas.

Após a litosfera vem a Descontinuidade de Mohovici e após ela, o Manto.

O Manto terrestre é a primeira camada da estrutura interna, logo após a litosfera, sendo, reconhecidamente, a maior camada da Terra, tendo maior volume, massa e extensão que as outras. É composto por rochas em estado pastoso ou fluido.

É dividido em duas partes: Manto Superior, mais próximo à superfície e Manto Inferior, mais próximo ao núcleo.

Manto superior

A diferença básica entre eles encontra-se na temperatura e na composição física, pois o manto superior não é tão quente quanto o manto inferior, por isso as substâncias que estão em ebulição não ficam liquefeitas, ficam pastosas, em forma de magma; enquanto que no manto inferior, que é mais quente as substâncias ficam mais liquefeitas.

No manto superior, logo após a litosfera, está a astenosfera, que é uma camada menos rígida sobre a qual estão assentadas as placas tectônicas.

O manto superior atinge uma profundidade de 400 km.

Manto Inferior

No Manto Inferior, embora a temperatura seja mais elevada, as rochas se encontram em estado sólido, devido à alta pressão atmosférica sobre elas.

A temperatura nas áreas mais profundas do Manto Inferior atinge cerca de 3000 °C e ele chega a tingir 1000 km de profundidade.

Há, ainda, poucas informações precisas sobre essa camada, como a forma em que se movimenta e as transformações químicas ou físicas específicas realizadas.

Após o manto inferior vem a Descontinuidade de Gutemberg e após ela, o Núcleo.

Núcleo

O Núcleo é a parte mais interna da estrutura da Terra, bem como a camada mais quente.  Também é chamado de NIFE por ser composto de Níquel e Ferro.

Assim como o Manto, o Núcleo é subdividido em duas partes: Núcleo Externo (líquido) e Núcleo Interno (sólido).

As temperaturas podem alcançar os 6.000º C no núcleo interno e cerca de 4.000º C no núcleo externo.

Núcleo Externo

A parte exterior do Núcleo terrestre é composta de Níquel e Ferro em estado líquido e tem aproximadamente cerca de 2200 km de espessura.

A temperatura do Núcleo Externo varia entre 4000 °C e 5000 °C.

Núcleo Interno

O Núcleo Interno, que é a parte mais profunda da estrutura interna da Terra, possui um raio de 1200 km o que a coloca à cerca de 5500 km de profundidade em relação à superfície.

A temperatura no interior do Núcleo é próxima dos 6000 °C, temperatura muito parecida com a do Sol.

Seu interior é composto basicamente de Ferro, não tem níquel, como o núcleo externo. O Ferro, no Núcleo Interno, está em estado sólido, devido à pressão atmosférica, 1 milhão de vezes maior que ao nível do mar. Embora a temperatura seja altíssima, estudos mostram que o Núcleo Interno gira em uma velocidade superior ao movimento de rotação da Terra. Isso só é possível por estar imerso em um meio líquido, que tem maior fluidez.

Placas tectônicas

No comecinho do manto superior, ligada na litosfera, existe uma camadinha chamada astenosfera, onde está o magma e no meio dele placas de rocha que não derreteram, que estão juntas lado a lado, mas não grudadas. São as placas tectônicas, cujo formato e posição vemos no traçado vermelho da figura abaixo.

Veja o contorno das placas tectônicas e os locais correspondentes aos oceanos e continentes.

Placas tectônicas

Elas se movimentam dentro do magma por causa da ebulição do núcleo da Terra, como se fossem pedaços de carne em um caldeirão de feijão.

Quando o magma ferve, elas se movimentam, batendo umas nas outras, ou entrando uma sobre a outra. Quando elas batem umas nas outras formam os abalos sísmicos, que são os terremotos, os maremotos e os tsunamis. Quando uma entra debaixo da outra provoca o levantamento que provoca uma dobra na litosfera. São os dobramentos, que formam as montanhas e cordilheiras.

Algumas vezes o magma entra em ebulição, mas não provoca o movimento das placas, ele procura uma saída e explode provocando erupções vulcânicas.

Simulação do choque e separação das placas tectônicas

Erupções vulcânicas

Uma erupção vulcânica é a explosão do magna por um monte aberto no topo.

Na figura seguinte temos uma exposição de como funciona uma erupção vulcânica.

Vulcão visto por dentro

No gráfico acima, vemos que no manto está a câmara magmática, uma espécie de depósito do magma. A temperatura ali é muito alta, mas algumas vezes aumenta ainda mais e o magma ferve tanto que precisa ser expelido.

Vemos, também, que na crosta terrestre existe uma montanha com uma cratera (buraco no topo) por onde é expelido este magma, que cai, montanha abaixo, como lava.

A montanha expele o magma com tanta “raiva” que provoca movimentos ao seu redor, são os terremotos e os maremotos (quando ela está perto do oceano).

Os maremotos também podem ser causados pelo movimento das placas tectônicas, que faz o mar “tremer”, provocando ondas violentas, altas e fortes, mais fortes que as ondas comuns.

Maremotos e tsunamis são a mesma coisa, porém os tsunamis têm ondas maiores e mais violentas.

Na figura abaixo, podemos ver como se forma esta onda fatal.

A ruptura causada pelo tremor no leito do mar empurra a água para cima, dando início à onda, que se transforma em uma onda gigante, movendo-se nas profundezas do oceano em velocidade altíssima, mas que ao se aproximar da terra, perde a velocidade, mas fica mais alta, quando ela então avança sobre a terra, destruindo tudo em seu caminho.

Como se forma um tsunami

E aqui termina o retrato e a radiografia da Terra.