Civilizações da Ásia Central

Ao mesmo tempo em que civilizações se desenvolviam na Ásia, na África, na região do Mediterrâneo, na Europa e na Ásia Menor, outras civilizações, também se desenvolviam na Ásia Central. No mapa abaixo podemos ver a localização daquelas civilizações.

Localização das primeiras civilizações

Povos que viveram na Ásia Central

No mapa abaixo vemos a localização dos povos que vamos estudar, localizados na Ásia Central. São eles os lídios, os medos, os persas e os hindus.

Civilizações da Ásia Central

Lídios Medos Persas Hindus

Os principais povos antigos que habitaram na Ásia Central foram os medos e os persas, que viveram no local onde é hoje o Irã, os medos no Norte e os persas no Sul e os hindus, que habitaram a península do sul da Ásia denominada Subcontinente Indiano.

Lídios

Mas, antes de falarmos destas civilizações, não podemos deixar de nos referir a uma civilização que se desenvolveu na Ásia Menor e que teve grande envolvimento com as civilizações dos medos e dos persas. Estamos falando do Reino da Lídia.

A Lídia era uma monarquia, governada por um rei assessorado por co-governantes vindos das famílias aristocratas. Seu poder era garantido por guardas costas e um exército forte, formado, principalmente por uma cavalaria e carros de guerra puxados por cavalos. Com o tempo este poder foi diminuindo com o crescimento das tribos, o costume dos ancestrais e antigas normas de leis. Este poder foi restabelecido por Giges, que com suas conquistas se tornou um dos mais importantes reis da Lídia. A capital era Sardis.

Os lídios tinham um alfabeto semelhante ao dos gregos da Anatólia, gostavam de jogos olímpicos e danças militares, a medicina era avançada e adoravam a música.

Para se proteger construíram fortalezas impenetráveis. Como cultuavam a morte e a ressureição, construíram tumbas reais monumentais.

A economia era baseada na agricultura e na metalurgia, pois o solo era rico em metais, mas produziam cerâmicas que ficaram famosas, tecidos caros, chapéus e sapatos. O mais importante, pelo que se caracterizaram, é que tinham uma moeda feita de liga de ouro e prata.

Em suas conquistas, os lídios, guerrearam contra Jônia, cimérios, assírios, medos e Mileto, mas foram derrotados e exterminados por Ciro, rei da Pérsia.

A Lídia, entre os anos de 1200 A.C. à 546 a.C., foi um reino da Anatólia. Sua história chegou até nós através de escritos fragmentados, informações colhidas de textos assírios e de descobertas arqueológicas. Suas origens estão fundadas na civilização assíria.

localização do reino da Lídia

Medos

Por volta do ano 2000 a.C., povos arianos que viviam nas estepes da Ásia Central, chegaram ao planalto iraniano, talvez empurrados por uma terrível seca que devastou as estepes. Eles chegaram ao planalto iraniano após atravessar os montes Elburz (existe também um monte Elburz na Rússia) e ali se fixaram como um povo nômade. Quase mil anos depois, outra emigração aconteceu na Ásia Central, motivada pelos ataques de um povo equestre que vivia em lugar chamado Citia. Os povos que ali viviam foram para diversas regiões, uns para onde é a China, os medos e os persas para o planalto iraniano e os hindus para a península onde é a Índia.

Os medos se estabeleceram no Norte, próximos da Assíria, onde praticaram a agricultura e a criação de ovinos, bovinos e equinos e os persas se estabeleceram no Sul, próximos a um golfo que hoje se chama Pérsico, devido ao nome persa.

Foi no noroeste do planalto iraniano, que os medos se desenvolveram, formando uma das maiores potencias do antigo Oriente Médio, o reino da Média. Esse foi o primeiro império iraniano, que durante um século, do século VII a.C. ao século VI a.C., dominou os territórios do Grande Irão, o norte da Mesopotâmia, no Oriente Médio e o oeste da Ásia Menor, incluindo a Anatólia, se tornando uma das quatro maiores potências do antigo Oriente Médio, juntamente com a Babilônia, a Lídia e o Egito.

Observe, no mapa abaixo a divisa entre a Média e a Lídia. Veja que os medos não conquistaram os lídios.

Mapa do reino da Média

Pouco se sabe sobre a língua, vida política, economia e estrutura social dos medos, pois nada deixaram escrito e sua arqueologia é pobre. As poucas fontes de informação que temos são textos bíblicos, referências dos assírios, que com eles se relacionavam e referências de autores clássicos gregos. Sua trajetória na história da humanidade foi muito rápida e efêmera, apesar de ter se constituído um grande império.

Sua história começa, como já vimos, quando os povos arianos, de língua indo-europeia, se localizaram no planalto iraniano, formando pequenos núcleos governados por chefes tribais, que eram frequentemente dominados pelos assírios.

Quando conseguiam se livrar do jugo dos assírios se reuniam em vilas dispersas, sem uma autoridade central, até que surgiu um nome capaz de uni-los e que foi por eles proclamado rei. Foi assim que Dioces começou a formar o reino da Média.

Sua primeira determinação foi a construção de um palácio e uma cidade, visto que as vilas não eram suficientes para sediar seu reino. Assim nasceu Ecbatana, uma capital fortificada por sete muralhas circulares e fortificações multicores. Hoje Ecbatana se chama Hamadã.

A cidade foi fundada por volta de 678 a.C., mas suas raízes remontam há 1.000 a.C., assim como muitas das grandes cidades medas, que nasceram com a união das pequenas vilas tribais formadas pelos povos arianos vindos do centro da Ásia. Depois de sofrer várias invasões por parte de tribos vizinhas, que faziam com que o povo deste reino passasse de mãos em mãos, o Reino da Média fez uma aliança com o Império Babilônico e passaram a ser os mais temidos rivais da Assíria.

Guerreiros medos

No ano de 612 A.C., os aliados invadiram e dominaram Nínive, a capital da Assíria, aumentando ainda mais o seu poder sobre todos aqueles que se atreviam a duvidar da força dos medos, como eram chamados os habitantes do reino. Por serem grandes criadores de cavalos, seu exército era formado por uma grande cavalaria e carros puxados por cavalos.

A este tempo, o rei da Média era Ciaxares, neto de Dioces, que formou com Nabopolasar, rei da Babilônia, um entendimento cordial, reforçado com o casamento de Nabucodonosor II, filho de Nabopolasar, com Amitis, a filha de Ciaxares, aquela que sentia falta das montanhas arborizadas da Média, para quem Nabucodonosor construiu os Jardins Suspensos.

Pelo entendimento cordial, os babilônios ficaram com as terras baixas da Mesopotâmia e os medos ficaram com as terras altas do Leste, no norte do planalto iraniano. Começam as conquistas médicas, com a Mesopotâmia do Norte, a Armênia e parte da Ásia Menor, até a Lídia.

Ciáxares copiou os modelos de exército da Assíria e da Babilônia e se tornou um grande conquistador, até que se defrontou com os lídios, contra quem lutou durante muito tempo, sem vencedores ou vencidos. A guerra terminou com um tratado de paz entre eles, após a Batalha do Eclipse, em 585 a.C.

Afinal quem ganhou a guerra foi o medo, que se apossou dos dois lados, quando no fervor de uma batalha o céu escureceu de repente, assustando medos e lídios. Era apenas um eclipse, mas como nunca haviam presenciado um, se assustaram e ficaram ansiosos pela paz.

Foi feito um tratado de paz, selado pelo casamento da filha do rei da Lídia com o príncipe medo.

Após Ciaxares, governaram a Média seu filho Ciáxares II e Astiages, que herdou um reino estruturado, reforçando a administração e o protocolo em Ecbatana.

Criaram um sistema de irrigação subterrâneo, que permitiu o cultivo de plantas de todas as partes do império: uva de Damasco, pistache de Alepo, nozes da Turquia, sésamo do Egito, maçã da Pérsia (pêssego), o arroz da Mesopotâmia, e outras.

Na região havia um povo chamado persa, que vivia sob o domínio dos medos, com quem eram aparentados.

Em meados do século VI a.C., os chefes tribais dos persas se firmaram em seus territórios e se rebelaram contra a política de Astiages, o que deu origem a uma revolta persa.

Os persas, que eram vassalos dos medos, tinham um príncipe valente, Ciro, neto de Astiages, que se rebelou contra o avô, derrotando-o e aprisionando-o.

Ciro derrotou os medos e libertou os persas, mas como parentes que eram, medos e persas conviviam em harmonia no novo império persa, sendo muitos nobres medos usados na administração persa. Os persas adotaram o cerimonial dos medos e transformaram Ecbatana na sua capital de verão.

A união familiar do império tinha um conselho privado do rei da Pérsia, que era formado por sete príncipes da Pérsia e da Média, como também suas leis eram conhecidas como leis da Pérsia e da Média.

Em 334 a.C., Alexandre, o Grande, da Macedônia, iniciou avanços sobre o Império Persa, que terminaram com o domínio da Média em 330 a. C. O domínio macedônico durou pouco, após a morte de Alexandre, o sul da Média foi dominado pelo Império Selêucida e o norte se tornou um reino independente. 

Assim termina a rápida passagem dos medos pelo mundo, um grande reino de pouca duração.

Persas

A civilização persa foi uma das mais expressivas da Antiguidade, mas também, como a dos Medos, de pouca duração.

A sua história, se mistura com a dos medos, porque são os povos arianos que se estabeleceram no planalto, entre 2000 e 1000 a. C. Alguns se estabeleceram no Norte, os medos, outros no Sul, os persas. Além deles, também vieram os partos, que se fixaram no Leste e os hindus, que foram para o subcontinente Indiano.

Medos e persas tiveram a mesma origem, então laços familiares os uniram, tendo os medos, como vimos, dominados os persas por muito tempo.

Em 550 a.C., a situação se inverte, e os persas dominam os medos, sob o comando de Ciro, chefe tribal persa, neto do rei dos medos, Astiages. Como Ciro era da mesma linhagem do rei da Média, o domínio persa foi muito cordial, havendo historiadores que chamam o império que se formou da união de medos e persas de Império Medo-Persa. Porém, apesar ou até por causa da herança dinástica, a história do início deste império tem várias versões, mas a mais aceita é a contada pelo historiador grego Heródoto.

“Essa história conta que o avô de Ciro, Astiages, que era rei dos medos havia tido um sonho onde via uma videira nascendo nas costas de sua filha, chamada Mandame (que seria a mãe de Ciro). Essa videira apresentava gavinhas que cobriam toda a Ásia.

Ao consultar os sacerdotes, o rei foi alertado de que a videira seria o seu neto, Ciro, que havia nascido há pouco tempo, e que ele um dia, acabaria por tomar o seu lugar no trono.

Astiages mandou que seu mordomo matasse a criança, ao passo que esse não acatou a ordem por causa da beleza da criança, e a entregou a um pastor.

Astiages mandou então, que esquartejassem o filho de seu mordomo como punição, e mandou que servissem para ele as partes de seu corpo, sendo que o mordomo só se daria conta do que comia quando viu a bandeja com a cabeça de seu filho.

Ciro cresceu, e acabou por se tornar rei dos persas, para cumprir a profecia do sonho de seu avô, que havia sido derrotado por uma rebelião organizada pelo seu mordomo.

Ele tomou a cidade de Média, capital do reino dos medos, e teve seu avô aos seus pés para ser julgado.

Ciro não matou seu avô, mas invadiu a Média e se tornou também o rei dos medos, exatamente como a profecia dizia que seria feito”.

Rapidamente, Ciro, o Grande, passou a conquistar os povos vizinhos. A primeira foi a Lídia, cuja área territorial ocupava cerca da metade da porção ocidental da Ásia Menor, fazendo fronteira com o reino da Média. A Lídia foi aquela que os medos não conseguiram vencer, cuja guerra terminou com um eclipse.

A segunda foi a Babilônia, e em quase vinte anos de reinado, Ciro construiu um império forte e dominador, cujas riquezas e poder eram incontáveis. Começava o Império Persa, sob a dinastia dos Aquemênidas.

Conquistaram outros povos ao redor do planalto, impondo a todos o mesmo tipo de administração. O território da Pérsia compreendia a Mesopotâmia, a Ásia Menor e grande parte da Ásia Central. Por seus feitos foi cognominada Ciro, o Grande.

Império de Ciro

Os sucessores de Ciro continuaram suas conquistas, Cambises, seu filho conquistou o Egito e seu sucessor, Dário I chegou até o vale do rio Indo e conquistou algumas colônias gregas, na Europa. O império ia desde o Helesponto até as fronteiras da Índia.

Nessa época o império persa abrangia as regiões  do mar Cáspio, do mar Negro, do Cáucaso, do Golfo Pérsico,  grande parte do Mediterrâneo oriental, os desertos da África e da Arábia, e parte da Índia.

Império persa

Dario e depois seu sucessor, Xerxes, tentaram conquistar ainda a região da atual Grécia, mas fracassaram. Em 330 a.C., o Império Persa foi conquistado por Alexandre Magno, da Macedônia.

Desenvolvimento do império

Ciro foi um rei magnânimo com seus conquistados, coisa rara na época. Foi chamado o Ungido do Senhor pelos judeus, porque lhes revogou o exílio.

Ciro não proibia as crenças nativas dos povos conquistados, como também permitia que conservassem seus costumes, leis e idioma, mas tinham que pagar tributos e servir ao exército persa.

Guerreiros persas

Concedia alguma autonomia para as classes altas, que governavam as regiões dominadas pelos persas, mas exigia, em troca, homens para seu exército, alimentos e metais preciosos.

A agricultura era o sustento do império, cultivada por camponeses que pagavam impostos.

Dario, genro de Ciro, consolidou o grande Império Persa, que foi definido como o primeiro império mundial da História.

O império era tão grande que foi dividido em vinte províncias, chamadas satrápias, governadas por um representante do rei, o satrapa, um tipo de governador, auxiliado por dois funcionários, um secretário e um comandante militar. Essas satrápias pagavam impostos ao império de acordo com suas riquezas.

Para fiscalizar os satrapas e os pagamentos de tributos, Dario I criou um sistema de inspetores que percorriam o império fiscalizando os governadores e ouvindo reclamações dos governados, eram “os olhos e ouvidos do rei”.

Para garantir o poder e a autoridade do imperador foram fixadas tropas em cada satrápia que deviam obediência apenas a ele.

Com um território tão grande para governar era preciso que houvesse um meio de comunicação ágil e rápido, para isto Dario organizou um sistema de correio, o primeiro sistema de correio do mundo. Para este serviço, Dario mandou construir mais de dois mil quilômetros de estradas que cortavam as províncias e as ligavam entre si e com a capital do império, Susa. O sistema era tão bem organizado que se podia cruzar todo o imenso império em poucos dias. Era o serviço de revezamento; mensageiros partiam a cavalo de um ponto, levando mensagens e cobranças de impostos até outro ponto, onde havia outros mensageiros, que continuavam a ornada até outra etapa. Além da troca de informação, o sistema de correio era uma verdadeira forma de administração e controle político do rei.

As estradas eram pavimentadas de seixos, tinham pontes e viadutos sobre os rios e tinham postos de correio. A mais famosa estrada real era a que unia Sardes, na Ásia Menor, a Susa, capital do império, e tinha 2 683 Km.

Era percorrida pelas caravanas em 90 dias, e os mensageiros do rei (correio) que tinham cavalos descansados nos postos de correio, faziam o percurso em uma semana.

Estrada real da Pérsia, de Sarde a Susa

A rede de estradas, a moeda única, cunhada em ouro e prata, chamada darico, e um único sistema de pesos e medidas favoreceram o intercâmbio comercial neste imenso império.

A queda do império começou com revoltas das cidades/estados da Grécia.

Com a revolta da Eritréia de Atenas começaram as chamadas guerras médicas ou pérsicas, entre a Grécia e a Pérsia.

Na luta contra Atenas aconteceu o fato que deu início à maior corrida dos jogos olímpicos, a corrida de Maratona.

O exército persa, com 6.000 homens, bateu-se contra o exército ateniense, composto de 200 homens, sob as ordens de Milcíades, na planície de Maratona a 42 Km de Atenas.

A planície de Maratona era uma faixa estreita de terra, o que dificultava as manobras da cavalaria persa. Com a chegada de reforços atenienses estes venceram a batalha.

Filipedes, guerreiro e herói grego, correu de Maratona a Atenas para dar a notícia. Ao chegar caiu morto. A luta contra as cidades estados gregas foi o início do fim do grande império persa, de grande poder e pequena duração.

O império, então governado por Xerxes, filho de Dario I, foi definitivamente conquistado por Alexandre, o Grande, rei da Macedônia.

Dario I e seu filho Xerxes

Cultura, religião e política

A civilização persa sofreu a influência dos povos conquistados.

A arquitetura se caracterizava por proporções gigantescas, profusão de aposentos e luxo na decoração, na qual se destacavam os baixos-relevos e tijolos esmaltados, copiados dos assírios.

Foram admiráveis jardineiros, estimulados pela beleza das flores do Irã.

Divinizavam a luz do Dia (sol) e a luz da Noite (lua), a Água, a Terra e o Vento.

Zoroastro, reformador religioso, ensinou o madeismo, religião dualista que cultuava o deus do Bem, Ormuzde ou Ormuz e o deus do mal, Arimã, que viviam em constante luta. Ormuzde e Arimã tinham um séquito de deuses menores, que os auxiliava na luta do bem contra o mal, devendo ser vencedor Ormuzde. Ormuz venceria Arimã somente no dia do juízo final onde todos seriam julgados por seus atos.

Não tinham templos. O culto era a adoração do fogo, que ardia em piras.

Amavam o trabalho, cultivavam a terra, tinham horror à mentira e destruíam as plantas e animais daninhos (pobre natureza).

Acreditavam na imortalidade da alma, no juízo final e numa recompensa na vida futura, por isso construíam monumentais tumbas reais.

Pregavam o livre-arbítrio, a escolha pessoal de seus atos.

O país que conhecemos por Irã foi chamado de Império Persa até 1935.

Índia

Vamos estudar a civilização indiana, uma das mais antigas do planeta, que se reflete sobretudo na Índia, mas que abrangeu a região do subcontinente indiano, compreendendo o Paquistão, a Índia, o Nepal, Bangladesh, Butão e Sri Lanka, como vemos no mapa abaixo.

Atuais países onde se desenvolveu a civilização indiana

Antes de qualquer estudo, é bom conhecer a geografia da Índia, para entender a história que nela se desenrolou.

No Norte do subcontinente indiano ficam as terras altas, constituídas pelas maiores altitudes do mundo, o Himalaia. Ele abrange os territórios da Índia e também do Paquistão, Bangladesh, Nepal e Butão.

Indo para o Sul, vamos ter a planície Indo-Gangética, que de Leste a Oeste cobre todo o território hindu. Ela tem este nome porque no Oeste fica o rio Indo e no Leste o rio Ganges.

Mais para o Sul, o relevo aumenta formando o planalto de Decã.

Foi neste ambiente, que por volta de 5000 a.C. começa a história do povo do Vale do Indo.

Mapa da índia com os principais acidentes geográficos

História

Uma das mais antigas civilizações do planeta viveu ao longo do rio Indo, na península da Índia, desde há 75 mil, ou 34 mil anos atrás, segundo correntes históricas divergentes, no paleolítico. É a civilização indiana, que tem este nome por causa do rio Indo, próximo do qual ela nasceu.

Há evidências arqueológicas de que a região ao longo deste rio era habitada por povos nômades, caçadores e coletores do paleolítico, o “homo sapiens”, mas que não constituíram um povo durante milhares e milhares de anos. Isto só aconteceu, quando ao longo do tempo, eles foram se organizando em aldeias, até que, por volta de 5000 a.C. ficaram conhecidos como o povo da Vale do Indo.

Por volta de 3200 a.C., na Idade do Bronze, na mesma época em que se desenvolveram as civilizações do Oriente Médio, esta civilização começou a florescer. Foi a primeira civilização indiana, chamada de dravidiana, por causa da cor da pele dos habitantes, dravidiano quer dizer povo de pele morena.

A história deste período só pode ser conhecida após descobertas arqueológicas de duas grandes cidades, Harapa e Mohenjo-Daro.

Mapa da civilização harapeana

As ruínas de Harapa e Mohenjo-Daro mostram que eram cidades planejadas, com construções sólidas, traçado de ruas e sistema de drenagem das águas. As casas eram grandes e já possuíam  sistema de esgoto.

Em tudo, demonstram ser desenvolvidos, tendo um sistema de pesos e medidas, plantavam algodão, que fiavam para fazer roupas, cultivavam grãos e frutas e domesticavam animais, fabricavam cerâmicas e objetos de metais preciosos.

Adoravam vários deuses e tinham profundo respeito pela natureza.

O período dravídico durou até a chegada de um povo ariano (de pele clara), vindo da Ásia Central, por volta de 1500 a.C., que os expulsou para o Sul do país e destruiu sua civilização. Começa outro período da civilização indiana, chamado período védico, que foi a base do hinduísmo e da cultura da primitiva sociedade indiana e durou até o século VI a. C.

O nome deste período vem do Livro dos Vedas, uma coletânea de quatro livros escritos em védico, uma forma antiga do sânscrito, que contém hinos, orações e provérbios populares compilados da tradição oral transmitida por sábios chamados rishi.

No início deste período, os arianos viviam em tribos, chamadas Jana, que tinham um sistema de castas composto por sacerdotes, guerreiros-nobres e pessoas comuns. O chefe da tribo se chamava rajá e era escolhido entre os guerreiros. A sociedade de castas era flexível, mas as obrigações dos homens e mulheres era definitivo, os homens guerreavam e cuidavam do gado, as mulheres plantavam, fabricavam roupas e cuidavam da casa e das crianças.

As Janas acabaram se unindo formando comunidades maiores, chamadas Janapadas, onde o chefe era um rajá. Por volta de 550 a. C., estas Janapadas se uniram formando grandes reinos que receberam o nome de Mahajanapadas. Havia 16 Mahajanapadas, como vemos no mapa abaixo. As Mahajanapadas eram governadas por marajás.

Mapa da divisão da Índia em mahajanapadas

Estes reinos duraram até o ano de 543 a.C., quando o rajá de um destes reinos, Bimbisara, do reino de Mágada, resolveu dominar os outros reinos. Começou por subjugar o reino de Anga, a quem deu para seu filho governar. Outros reinos foram anexados por casamentos e contratos diplomáticos, formando um grande reino. Duas das maiores religiões da Índia nasceram neste reino, o Budismo e o Jainismo; bem como, também ele se transformou em dois grandes impérios, o Império Mauria e o Império Gupta.

Foi durante o período védico, no reino de Mágada, que se consolidou um sistema de castas fortemente opressor, que tem resquícios até hoje na sociedade indiana. Baseava-se na filosofia do bramanismo, que deriva do conceito divino de um ser absoluto. No bramanismo há três deuses principais, Brama, Vishnu e Visha.

Casta é um grupo social hereditário, no qual a condição do indivíduo passa de pai para filho, o filho de um brâmane será brâmane, e não poderá se casar fora de sua casta. 

As castas indianas eram as seguintes: os brâmanes (sacerdotes e letrados), que nasceram da cabeça de Brama; os xátrias (guerreiros), que nasceram dos braços de Brama; os vaisias (comerciantes), que nasceram das pernas de Brama; os sudras (servos: camponeses, artesãos e operários), que nasceram dos pés de Brama.

Abaixo das castas havia os párias ou cordeiros (hoje chamados de dolit), que vieram da poeira debaixo dos pés de Bhrama.

Divisão de castas na Índia

No século VI a.C. começa o fim do período védico, com invasões sucessivas dos persas, comandados por Ciro I e Dario I e dos macedônios, chefiados por Alexandre, o Grande. Com o fim do reino de Mágada, no fim do século IV a. C., termina, também o período védico, quando surgiram novas religiões e correntes filosóficas, como o Budismo, o Bramanismo e o Jainismo.

Começa, em 321 a.C. o período imperial, com a formação do Império Mauria, que reuniu os pequenos reinos esfacelados pelo fim do domínio macedônico.

Este império, que começou no antigo reino de Mágada, se estendeu, nas alturas do Himalaia, do Nordeste, até o atual Paquistão, no Noroeste. Chegou até o Sul, atravessando a planície Indo-gangética e o planalto do Decã, quase na extremidade da Índia.

O fundador do império e da dinastia Mauria foi Candra Gupta, mas o mais famoso foi seu neto,

Açoka, que se converteu ao Budismo e difundiu as ideias budistas esculpindo-as em rochas, cavernas e pilares.

No império Mauria havia três tipos de religião, o Budismo, o Jainismo e o Bramanismo, sendo este o conjunto da religião indiana, de suas origens védicas até os dias atuais, que hoje se chama hinduísmo.

O território do império era dividido em quatro províncias governadas, cada uma, por um príncipe da família real.

O império Mauria dura até o século IV d.C., quando o esfacelamento de seu território marca o início do império Gupta, que dominou quase toda a extensão da Índia.

Por esta época, os hunos, uma tribo nómade da Ásia Central começou incursões por outras partes da Ásia Central incluindo o Paquistão, terminando, no século V, por invadir o território do império. Foi o fim do Império Gupta e da história antiga da Índia.

Cultura e religião

A cultura da civilização indiana era notável. Conheciam as ciências exatas, a Astronomia, a Filosofia e a Linguística. Inventaram os algarismos, que depois os árabes divulgaram, a Álgebra e o xadrez.

A arquitetura sofreu a influência grega e mais tarde a influência budista, na edificação dos pagodes, que eram santuários-torres. Os mongóis também tiveram influência na arquitetura, da qual há um belo exemplo, o Taj-Maal, um túmulo construído para a esposa de um marajá.

A língua oficial era o sânscrito, seguida de outra menos importante, o zend. A fonte principal de doutrina da tradição hindu vem de um conjunto de hinos transmitido há mais de dois mil anos, chamados de Vedas, que significa “conhecimento” ou ainda “corpo de conhecimento”.

O artesanato era muito difundido, dando especial ênfase às miniaturas.

Produziam vasilhames de cerâmica pintada e decorada com motivos geométricos e fabricavam armas e instrumentos de cobre, mas desconheciam o ferro.

Duas eram as religiões predominantes, o hinduísmo ou bramanismo e o budismo.

O bramanismo é uma religião à qual se liga uma organização social que repousa numa divisão em castas hereditárias. Os inúmeros deuses do bramanismo são dominados por três principais: Brama, aquele que cria; Vishnu, aquele que conserva e Shiva, aquele que destrói. Eles acreditam na reencarnação, e que os animais têm alma, reencarnada dos humanos. O bramanismo formou-se do vedismo e ampara-se em textos posteriores ao Veda, os Brahmana e os Upanishads

O budismo é uma religião fundada no sexto século a.C., pelo príncipe hindu, Sidarta Gautama, chamado Buda. O budismo, cujos dogmas são em grande parte tomados ao bramanismo, de que provêm; com uma diferença, o homem pode escapar ao ciclo das reencarnações e alcançar o nirvana pelo saber e pelo bem feito a outrem.

 Abaixo mapa mundi com a localização das civilizações da Mesopotâmia, do Egito, do Mediterrâneo, da Anatólia e da Ásia Central.

Mapa com a localização das civilizações antigas