
Foram duas as civilizações que se desenvolveram no Extremo Oriente, ou Ásia Oriental, durante a Antiguidade Oriental, a civilização chinesa e a civilização japonesa.
A civilização chinesa se desenvolveu onde, hoje, se localizam a China, a Coréia do Norte, a Coréia do Sul e Taiwan.
A civilização japonesa se desenvolveu onde é, hoje, o arquipélago japonês.
Veja no mapa abaixo a geografia desta região, a parte amarela é o Extremo Oriente ou Ásia Oriental.

Civilização chinesa
Voltando no tempo, na época da pré-história, vamos saber que a região onde se desenvolveu a civilização chinesa foi habitada pelo Homo Eretus, pois em Pequim foi encontrado um fóssil desta época, o Homem de Pequim, que viveu há mais de 400 mil anos. Esta região, hoje, abrange a China, a Coreia do Norte, a Coreia do Sul e Taiwan,
A civilização chinesa é quase tão antiga quanto a civilização da Mesopotâmia e mais velha que a civilização romana. O que a torna mais importante e curiosa é que sobreviveu a todas elas.

Como vemos no mapa acima, no leste da China, existem dois rios que nascem nas montanhas e correm para a Grande Planície da China, o rio Huang-Ho, chamado de rio Amarelo, por causa de sua cor, e o rio Yang-Tsé-Kiang. Foi nas margens do rio Amarelo que floresceu esta grande civilização. Da mesma forma que o Nilo criou a civilização egípcia e o Tigre e Eufrates fizeram desenvolver as civilizações da Mesopotâmia, assim o rio Amarelo, deu vida à civilização chinesa.
Mas não foi só às margens deste rio que a civilização se desenvolveu, também às margens do rio Yang-Tsé e no oeste da China se desenvolveram outras civilizações tão ou mais desenvolvidas que a do rio Amarelo.
As civilizações do Leste, as dos rios Amarelo e Yang-Tsé, por viverem em terras férteis, se tornaram sedentárias, enquanto as do Oeste, por viverem em regiões de pouca chuva, quase desérticas, se tornaram nômades.
Geograficamente, já situamos a civilização chinesa; historicamente ela começa em 2200 a.C. quando os pequenos reinos dispersos formaram as três civilizações ou dinastias que primeiramente governaram a China. Esta primeira fase conta a história das dinastias Xia, Shan e Zhou, que formam a época denominada Época das Dinastias Régias e termina em 221 a.C.
A partir dessa data começa a Época Imperial, que vai até o ano de 1911 da nossa era. As duas primeiras dinastias desta época foram a dinastia Qin, que unificou todos os povos chineses sob um mesmo império e a dinastia Hang, quando termina a Idade Antiga Oriental. Este período é dividido em Primeira, Segunda e Terceira Era Imperial.
Época das Dinastias Régias

Dinastia Xia
A primeira dinastia da civilização chinesa foi a dinastia Xia, cujo período vai de 2200 a.C. a 1750 a.C. durante muito tempo sua existência foi contestada, mas descobertas arqueológicas recentes provam que ela realmente existiu, não era uma história lendária. Está comprovado que os Xia são descendentes diretos dos povos neolíticos que ocuparam a região do rio Amarelo. Além de serem o primeiro reino dinástico, são também os iniciantes da escrita chinesa, antes da dinastia Shang.
O início da dinastia Xia envolve uma lenda de que os humanos se originaram dos parasitas do corpo de criador, Pangu. Lenda a parte, voltemos à história, que começa com o reinado de Fuxi, que determinou a domesticação dos animais e instituiu o casamento, seguido de Shennong que introduziu a agricultura, a medicina e o comércio. Também vieram Huangdi, o Imperador Amarelo, a quem se atribui a invenção da escrita, da cerâmica e do calendário, Yao, introdutor do controle das cheias do rio Amarelo e que sabiamente indicou para substituí-lo um humilde sábio chamado Shun, em detrimento de seu filho, por não o julgar capaz de fazer um bom governo. Shun nomeou seu sucessor a Yu e é neste momento que a pré-história termina e começa a história propriamente dita, por isso Yu é considerado o fundador da dinastia Xia.
Em 1900 a.C., começam a surgir, na China, as primeiras cidades.
O último rei desta dinastia foi deposto, por ser considerado corrupto, por T’ang, líder do povo de Shang, um reino mais a leste, que formou a segunda dinastia chinesa.

Dinastia Shang
Esta dinastia era da mesma região da dinastia Xia e abrangeu o período que vai de 1750 a.C. até 1100 a.C.. Foi importante por desenvolver o sistema de escrita criado pelos Xia, escrita para a qual usavam, sobretudo, a pele de animais e trabalhar com o bronze fazendo utensílios de casa e armas. A escrita era baseada em ideogramas, um símbolo gráfico (um desenho) que pode representar uma palavra ou um conceito.
Os governantes Shang desempenhavam um papel cerimonial, mas também cuidavam da administração do reino, no que eram auxiliados por funcionários especializados. Seu poder emanava dos clãs aristocráticos com os quais eram aparentados ou ligados pelo casamento. A ligação entre o rei e os clãs era pessoal, mas também tinha um caráter formal introduzido por uma cerimônia chamada investidura, na qual o rei delegava direitos e pedia deveres, como serviços e apoio militar.
Os Shang aumentaram seus territórios através de campanhas militares agressivas, nas quais saqueavam os vencidos e os faziam prisioneiros. Outra forma de se expandir, mais diplomática e menos violenta, era expedindo mandatos para criação de novos povoados e disponibilização de terras para plantio.
No campo da religião eram tão agressivos como na guerra, pois chegavam até a realização de sacrifícios humanos.
Sua organização política era monárquica, mas seu sistema era peculiar, o direito sucessório passava de irmão para irmão e quando terminavam os irmãos a sucessão passava para o sobrinho materno mais velho. Eles acreditavam na linhagem materna mais do que na paterna.
A história diz que a dinastia Shang terminou pelos erros de seu último governante, que lhes retirou o Mandato do Céu.
De acordo com este Mandato do Céu, o poder dado aos reis era de origem divina, por isso eram chamados de “o filho do céu”, mas este mandato poderia ser retirado se o rei se mostrasse indigno dele. Foi o que aconteceu com o último rei da dinastia Shang, que perdeu seu direito divino, passado para a dinastia Zhou. O Mandato do Céu estabelecia que os Zhou assumissem a ascendência divina o que dava legitimidade ao governante atual e seus sucessores.

Dinastia Zhou
A dinastia Zhou, que durou de 1100 a.C. a 221 a.C., resultou da queda dos Shang, quando o Mandato do Céu lhes foi retirado e passado para os Zhou. Ela é tida como a principal fundadora da civilização chinesa, pois durante sua longa duração estendeu a cultura chinesa até as terras bárbaras das Planícies Centrais, desenvolveu correntes filosóficas, como o taoísmo, o legalismo e o confucionismo, que se tornaram a base religiosa do povo chinês, o confucionismo e o taoísmo e ampliaram o território formando um sólido governo chamado Reino Médio ou Império do Meio. Aos Zhou se juntaram oito nações formadas pelas tropas de Shang, que se revoltaram contra ele.
O governo desta dinastia era parecido com o regime feudal europeu, pois era um governo descentralizador, que consistia em estados subordinados governados por homens eleitos pelo rei entre os seus conselheiros e generais de confiança. Estes estados pagavam tributos e forneciam soldados em tempos de guerra.
O longo período que durou esta dinastia foi dividido em Zhou Ocidental, que foi de 1100 até 771 a.C., quando começa o Zhou Oriental, que vai até 221 a.C. Este último período foi divido em duas partes, a Primavera, de 771 a 481 a. C. e o Outono, de 481 a 221 a.C.
O primeiro período, o Zhou Ocidental, foi hegemônico, e nele se desenvolveu o regime chamado feudal. Com a invasão de bárbaros vindos do Oeste, a dinastia Zhou se afastou para o Leste da China, formando o Zhou Oriental, período no qual floresceram as correntes filosóficas.
No fim deste período, no chamado Outono, se formam os Estados Guerreiros, que com suas intermináveis batalhas, encerraram as origens da civilização chinesa.

Período Imperial
Dinastia Qin
Com o enfraquecimento da Dinastia Zhou, o rei de Qin conquistou um território após outro, chegando ao ponto de conquistar quase toda a China, estabelecendo pela primeira vez um estado unificado, um estado imperial.
Esta dinastia vai de 221 a 207 a.C.
Na dinastia Qin os chineses eram alvos de ataques dos vizinhos, como os tártaros e os mongóis, por isso construíram, no século III a.C., uma muralha com 7 m de altura por 3,5 m de largura, numa extensão de 3000 km. Ela é hoje considerada uma das Sete Maravilhas do Mundo Moderno.
Foram os primeiros criadores do bicho-da-seda.
Sua história antiga é cercada de lendas e dragões.
Uma delas, de cunho religioso, é a lenda da criação do mundo:
P’na-ku, o primeiro homem, depois de trabalhar dezoito mil anos e deixar o mundo em ordem (lá pelo ano 2 229 000) foi descansar.
Enquanto trabalhava, seu sopro se tornou o vento e as nuvens, sua voz o trovão, suas veias os rios, sua carne a terra, sua cabeça as plantas, seus ossos os metais, seu suor a chuva e os piolhos da sua cabeça a raça humana.

Dinastia Han
Com a morte do Imperador surgiu uma crise política no país, da qual Liu Bang se aproveitou para conquistar o poder, o que deu início à dinastia Han.
Eles desenvolveram uma política expansionista que consistia em comprar aliados com tecidos de seda, espelhos de bronze, perfumes e joias.
Nesta época eles se consideravam o centro do mundo, chegando a chamar seu país de Império do Meio. Inventaram o carrinho de mão e o moinho movido a água.
A vida dos camponeses continuava sendo precária, o que causou muitas revoltas que contribuíram para o enfraquecimento do império, pondo fim à dinastia Han, quando o Império da China foi dividido em três reinos, Wei, Wu e Shu, que duraram do ano 221 a.C. ao ano 265 d.C..

Cultura, religião e política
Os chineses costumam dizer que inventaram e descobriram tudo primeiro que os outros. Parece verdade.
1 200 anos a.C. eles conseguiram debelar a varíola usando uma vacina.
Duas forças da natureza foram aproveitadas por eles antes dos outros: a água corrente para tocar as pás das rodas das moendas e o vento para fazer girar as hélices dos moinhos.
Inventaram a pólvora, a bússola, a fabricação e a impressão do papel, o macarrão.
Fabricavam a seda, porcelanas e móveis laqueados e com incrustações de nácar.
A cultura dos Bonsai nasceu na China e mais tarde foi adaptada por outros países.
A escrita chinesa é baseada em símbolos gráficos que representam uma ideia (ideogramas) e o conjunto completo é formado por cerca de 15.000 ideogramas.
Na religião adoravam o céu com todas as suas manifestações de energia, as forças naturais, as árvores, as montanhas, os dragões e serpentes.
Cultuavam os antepassados e os Grandes Homens. As duas grandes crenças religiosas da China foram inspiradas por Confúcio e Lao-tsé .
Confúcio ensinou uma doutrina baseada no culto aos antepassados, inculcou as virtudes da vida doméstica, a hierarquia, a justiça, a humanidade e exaltou a amizade e o perdão.
Fez a revisão dos Kings, livro sagrado e enciclopédia literária.
Não considerava a questão de Deus mas acreditava na harmonia entre os homens.
Os ensinamentos de Lao Tsé expressos no Tao Te King representam para o povo chinês aquilo que os ensinamentos de Jesus representam para o mundo ocidental. Por certo o Tao Te Ching e a Bíblia são as duas obras editadas em maior número de volumes e de línguas.
O budismo também foi muito disseminado na China. Constitui uma família de crenças e práticas considerada por muitos uma religião, baseada nos ensinamentos atribuídos a Siddhartha Gautama, comumente conhecido como “O Buda” (o Iluminado), que nasceu onde hoje é o Nepal.
Quanto à sociedade, o povo chinês era dividido em cinco classes sociais, divisão que aconteceu na dinastia Qin, em 211 a.C. e perdurou até 1911, com o fim do período imperial.
Eram as seguintes as classe sociais: os noble (a nobreza), os shi (acadêmicos), os nong (agricultores), os gong (artesãos) e os shang (comerciantes).
Os noble (nobres) pertenciam à dinastia Qin e governavam o país; os shi, eram os acadêmicos, que vieram dos guerreiros antigos; estudiosos que se tornaram acadêmicos, não eram ricos, mas eram respeitados por seus conhecimentos; os nong eram os agricultores, considerados de grande importância por serem úteis para gerar riqueza; os gon eram os artesãos, importantes por produzirem coisas, eram considerados o trabalho, a mão de obra especializada, mas não produtores de riqueza, porque não tinham terras próprias e os Shang eram os comerciantes e transportadores, menosprezados por não serem proprietários de terra, nem produtores, mas que enriqueciam e quando enriqueciam compravam terras para mudarem de status.
Não era uma divisão de classes fixa, as pessoas podiam mudar de posição conforme mudassem de situação e essa mudança era baseada em dois princípios, na cultura e na utilidade da pessoa. O princípio da cultura dizia que aqueles que trabalhavam com a mente eram mais valiosos e respeitáveis do que os que trabalhavam com os musculo, portanto, o último devia ser governado pelo primeiro, mas se o último adquirisse a cultura do primeiro podia mudar de classe social.
O princípio da utilidade estava relacionado com o estado do ponto de vista econômico e fiscal e, dizia que aquele que fosse fonte de riqueza seria importante para o governo.
Como o comércio não era útil, nem como cultura, nem como riqueza, era considerado de pouca valia, portanto, os comerciantes ficavam em último lugar.

Japão
O Japão é um país insular do Extremo Oriente, formado por um arquipélago situado ao largo da costa nordeste da Ásia, porém há mais de 100 mil anos o arquipélago japonês esteve unido ao continente, quer dizer, fazia parte da placa asiática. A existência de animais para caça nesta região teria provocado a migração dos povos do Norte, teoria esta, confirmada pela existência de esqueletos fossilizados de homens e animais, inclusive de elefantes pré-históricos. Com o fim da glaciação, o aquecimento derreteu o gelo e separou as terras que hoje formam o arquipélago japonês, separando as pessoas que ali viviam do resto do continente. Com isso eles levaram seus costumes e hábitos, mas formaram hábitos novos para se acomodarem à nova situação.

Os japoneses costumam contar a sua história, a partir de dois tipos de povos, os povos caçadores, que iniciaram a cultura Jomon, e os povos agricultores, que cultivavam o arroz, e desenvolveram a cultura Yayoi. Estes povos chegaram à região por rotas diferentes e em épocas diferentes; primeiro vieram os caçadores, em busca dos animais que existiam na costa leste da Ásia, onde chegaram por volta de 8000 a.C.. Foram os Jomon que se fixaram no Nordeste e no Sul, porque ali se achavam as árvores que produziam nozes que alimentavam os animais que eles caçavam. No Nordeste, também, a vida marinha era abundante.
Depois vieram os Yayoi, em 300 a.C., povos vindos do lago Baikal e que cultivavam o arroz e que se fixaram onde viviam os Jomon, com eles convivendo por algum tempo.
Os dois povos eram visivelmente diferentes, os Jomon eram peludos, tinham olhos muito abertos e arcadas superciliares e narizes proeminentes, enquanto os Yayoi eram de pele lisa, olhos mais fechados e nariz menos proeminente.

Estes dois povos tão diferentes foram os pilares da civilização japonesa.
Cultura Jomon
8000 – 300 a.C.
Na realidade, os Jomon ocuparam a região do arquipélago do Japão no final da última glaciação, por volta de 13000 a.C., portanto antes do arquipélago ter sido formado. Esse período é chamado de período pré-Jomon; o período Jomon, propriamente dito, começa a ser contado do ano 8000 a.C. e termina em 300 a.C., quando os Yayoi chegam ao arquipélago. O final da cultura Jomon termina, realmente, em 200 a.C., pois embora os Yayoi tenham chegado por volta de 300 a.C., a convivência entre eles marcou um período de transição, que pode ser chamado de período Yayoi inicial.
O que marca a diferença entre os períodos pré-Jomon e Jomon é que o primeiro aconteceu na Idade da Pedra Lascada e o segundo na Idade da Pedra Polida, quando os homens inventaram armas como o arco, a flecha e a lança, úteis para caçar e pescar, pois como já vimos, os jomon eram caçadores. Criaram uma técnica para fabricar objetos que serviam para o cozimento e armazenamento de alimentos.
Acredita-se que os Jomon sejam um dos únicos povos que, nesta época, viviam em assentamentos, pois se estabeleciam onde havia caça abundante. Se constituíam em tribos e já tinham uma vida organizada e uma rede de comunicação entre elas, propiciada pela união entre os jovens. Essa interligação pelo casamento entre os líderes dos povoados estabeleceu uma espécie de comércio de peixes, mariscos, carnes, castanhas e até de pedras preciosas e adereços e objetos. Supõe-se que para este comércio tenha sido estabelecida uma rede de distribuição dos produtos e mercadorias.
Viviam em casas feitas de galhos cobertos com palha, se alimentavam com a caça da qual retiravam tudo, até o tutano dos ossos dos animais. Para se agasalhar do frio usavam pele de veado. Para caçar, adestraram os cães; data desta época a evolução das raças japonesas de cães.

O que mais marcou a cultura Jomon foi a criação de um tipo de cerâmica enfeitada por cordas, o que deu nome ao período, jomon quer dizer padrões de corda. Eles também faziam figuras de barro e vasos decorados com muita sofisticação.

Eles tinham uma religião politeísta que cultuava os elementos da natureza. Pouco se sabe de sua língua, cultura, sociedade e política.
O período Jomon se encerra em 200 a. C., após conviverem por 100 anos com os novos habitantes, os Yayoi, que haviam vindo do continente trazendo nova cultura que submeteu a cultura de Jomon. Acredita-se que o elo de transição entre estes dois povos foi a cultura do arroz, introduzida pelos Yayoi.
Período Yayoi
300 a.C. – 250 d.C.
Os Yayoi migraram para o arquipélago japonês, se fixando desde o sul de Kyushu até o norte de Honshu e trouxeram a cultura do arroz úmido, que tinha este nome por ser um arroz irrigado, os Yayoi desenvolveram um sistema de irrigação que aumentava a sua produção.
Além do sistema de irrigação, os Yayoi trouxeram novas técnicas de cultivo, como o uso de ferramentas feitas de metal e de fabricação de objetos de bronze e ferro.
Com o desenvolvimento dessa cultura os habitantes do arquipélago passaram de caçadores coletores a agricultores, o que mudou a dieta do povo. A caça deixou de ser a principal fonte de alimento.
O estilo de vida também mudou, pois, a par com a cultura do arroz, os Yayoi trouxeram as técnicas de tecelagem, costura e criação do bicho da seda, formaram grupos de trabalho, o dos artífices, para a manufatura de instrumentos de metais, o dos comerciantes, vendedores de potes de barro e, por fim, o dos agricultores. Mas as mudanças não param por aí, foram muitas e determinantes, como a comercialização do excedente de produção, o crescimento da população e seu enriquecimento com a consequente estratificação da sociedade e as mudanças de hábitos e costumes.
Passaram a viver em vilas agrícolas com construções de madeira e pedra e vestiam roupas de tecidos como a seda.

Com a valorização da agricultura a posse da terra passou a ser a maior fonte de riqueza, seguida da estocagem de grãos, o que gerou a criação de classes sociais, pois o comércio do arroz era feito por um grupo de pessoas da elite.

As tribos do período Jomon se uniram, no período Yayoi, em clãs que mais tarde se uniram em reinos, em número de cem. Esse período marcou a transição de um bando de caçadores desorganizados para uma sociedade agrária, metalúrgica, política e militarizada que levaria aos grandes senhores de terra, os daimyos, aos samurais e ao Trono do Crisântemo, como seria chamada a era imperial.
Período Yamato
250 a 710
O Japão foi unificado pela primeira vez no século III pelo Povo Yamato. Começava o Império do Japão, cuja família imperial japonesa mantém-se de forma contínua no trono desde o princípio do período monárquico, no século VI a.C.. A monarquia japonesa é a mais antiga monarquia que chegou até nossos dias.
Por volta de 250, os cem reinos do período Yayoi, foram unidos, pelo povo Yamato, em um só governo, que se caracterizou por construções gigantescas e pela unificação de grande parte do arquipélago.
Esse período está dividido em outros dois períodos, o período Kofun e o período Asuka. O período Kofun, foi de 250 a 538 e é assim chamado, por causa do grande número de túmulos antigos encontrados em todo o arquipélago oriundos desta época. O segundo período vai de 538 a 710 e tem esse nome por se referir ao local onde se fixou a corte japonesa, em Asuka. Em 660 teria sido criado o primeiro mikado japonês, cujo imperador foi Jimmu Tenno, que se localizou em Asuka.

Na metade do século XX, se fez uma séria revisão historiográfica que levou à conclusão que o reino de Yamato surgiu na planície de Nara, no sul da ilha de Honchu, por volta de 250. Seus soberanos seriam chamados de õkimi, que quer dizer Grandes Reis. Os grandes túmulos, os Kofuns, continuam atestando a existência de um governo central e são a principal fonte de informação da Primeira Era Yamato.
Depois do período Kofun, começa o período Yamato.

O período Asuka, começa em 538 e é marcado por poderosos clãs e grandes famílias. Cada clã era liderado por um patriarca, chamado Kami, que funcionava como um sacerdote que realizava rituais sagrados.
O poder sobre os clãs era exercido pelo imperador, que tinha o poder de conceder títulos hereditários para os chefes dos clãs.
Durante este período foram introduzidos o Budismo e o Taioismo.
Com o período Yamato termina a Antiguidade da história do Japão.
Cultura, religião e política
A cultura japonesa tem características orientais e foi profundamente influenciada pelas relações com a China e a Coréia, com quem conviveram. Também da China herdaram o sistema ideográfico de escrita (figuras que representam ideias) e a cultura Bonzai.
Fabricavam a seda, porcelanas e móveis laqueados e com incrustações de nácar.
As principais religiões no Japão são o Xintoísmo e o Budismo. O Xintoísmo é a religião politeísta nativa do Japão. Passou por um processo sincrético com as religiões vindas do exterior, o Taoísmo, o Confucionismo e o Budismo. Este foi introduzido no país no século VI e logo se espalhou entre as classes guerreiras
Segundo o ponto de vista religioso, os imperadores traçam sua ancestralidade até o reinado dos deuses sobre a terra, dos quais seriam descendentes e o Imperador Jinmu é o primeiro mortal da linhagem imperial.
Cultuavam os ancestrais, por quem tinham o maior respeito.
O governo era exercido pelo imperador, cujo poder era irrestrito.
Durante quase oito séculos foi auxiliado pelos samurais, que eram como soldados da aristocracia do Japão.
Abaixo mapa mundi com a localização das civilizações da Mesopotâmia, do Egito, do Mediterrâneo, da Anatólia, da Ásia Central e do Extremo Oriente.

