Civilizações ocidentais

A Antiguidade Ocidental se refere à civilização greco-romana, quer dizer à história dos povos grego, macedônico e romano.

Civilização Grega
Enquanto no Oriente se desenvolviam as civilizações que acabamos de ver, outras civilizações se desenvolviam no Sul da Europa.

Foram os gregos, os macedônios e os romanos.

A história da civilização da Grécia antiga, começa com as civilizações Micênica e Minoica.

Seu território compreendia a parte continental, a parte peninsular e a parte insular, na Europa e a parte ocidental da Ásia Menor, ao redor do Mar Egeu. A este território era dado o nome de Hélade.

Hélade

Inicialmente, foi habitada pelos pelasgos, termo que engloba os povos que primeiramente habitaram todo o território onde se desenvolveu a civilização grega, incluindo Micenas e Chipre. Foram os habitantes autóctones das terras do mar Egeu, que ali chegaram por volta de 8000 a.C.

Eram povos de cultura agrária, que viviam no período neolítico.

Posteriormente a região foi invadida por povos pastores, como os aqueus, eólios, os jônicos e os dórios, que falavam grego, conheciam os metais e utilizavam carros puxados por cavalos.

A História da Grécia, realmente começa com a chegada dos aqueus, eólios, dórios e jônicos, todos povos indo-europeus vindos da região caucasiana, que dominaram os pelasgos.

Primeiro vieram os aqueus, que se estabeleceram em uma região chamada Argólida, na península do Peloponeso, onde fundaram Micenas e na Ilha de Creta, onde destruíram a adiantada civilização minoica que ali existia.

Em seguida vieram os eólios, que se fixaram na Tessália, Etólia e parte do Peloponeso, onde fundaram Tebas.

Em seguida chegaram os dórios, que começaram a invadir o território pelo Peloponeso e se estenderam até Creta, No Peloponeso invadiram Corinto, Olímpia, Esparta e Micenas, onde destruíram a civilização micênica.

A onda de invasão dórica levou os antigos habitantes dos territórios ocupados a procurarem outras regiões para habitarem. Este evento foi chamado de Primeira Diáspora Grega e se deu no século XII a. C.

Parece que o período dórico foi a idade das trevas da Grécia.

Os jônios chegaram junto com os dórios, mas se estabeleceram na península da Ática, onde fundaram Atenas.

Povos formadores do povo grego

Conhecida a composição dos povos que iniciaram a civilização romana, podemos dizer que, oficialmente, a história da Grécia tem início em 1100 a.C., com o período homérico e termina em 146 a.C., com a dominação romana.

Para facilidade de estudo, a história grega é dividida em 5 períodos: Pré-Homérico, Homérico, Arcaico, Clássico e Helenístico.

Período Pré-homérico

XX a. C. – XII a. C.

Corresponde ao tempo em que os pelasgos e os aqueus se estabeleceram na península do Peloponeso e da Ilha de Creta, fundando as civilizações Micênica e Minoica.

Período Homérico

XII a. C. – VIII a. C.

É o período da ocupação grega pelos eólios, dórios e jônicos, pouco conhecido e só pode ser reconstituído pelos poemas Ilíada e Odisseia, atribuídos ao poeta grego Homero. A  Ilíada descreve episódios verídicos e imaginários da Guerra de Tróia (Tróia em grego é ilion, daí Ilíada).

Já a Odisseia conta o regresso de Ulisses da Guerra de Tróia (outro personagem importante desse poema é Penélope, a esposa de Ulisses que aguarda, indefinidamente, seu retorno).

A guerra de Troia aconteceu entre os aqueus que habitavam na Ática e Troia, uma cidade da Ásia Menor, entre 1300 e 1200 a.C.

Quando se diz que houve um conflito entre gregos e troianos, na verdade a expressão correta seria um conflito entre aqueus e troianos.

Mapa dos locais onde aconteceu a Guerra de Troia

Este período corresponde ao período da invasão dórica, em que o foco de interesse gira em torno da vida prática, a civilização sofre um grande recuo.

Foi a época em que surgiram os genos, comunidades familiares que viviam em torno de uma parcela de terra para sua subsistência. Não havia um proprietário, a riqueza era cultivada por todos e divididas entre todos.

A economia era agropastoril, era de todos e quando havia excedente de produção, usavam o excedente para comprar escravos e contratar artesão. Outra fonte de riqueza era a pirataria e o saque.

A sociedade não era estratificada, todos desempenhavam as mesmas funções, não havendo graduação de importância

A organização política era baseada na figura do líder, chamado pater, que exercia as funções de juiz, administrador e sacerdote. A proximidade de parentesco com o pater dava algumas benesses e influenciou no futuro, a formação da sociedade.

Período Arcaico

VIII a.C. – V a.C.

Foi o maior período da história grega e o que se expandiu com maior rapidez, devido ao aumento desenfreado da população.

No final do período homérico, a política de uso coletivo da terra foi substituída pelos proprietários de terra. Eram os afilhados dos pater, o líder patriarcal dos genos e o momento em que começa o período arcaico.

Como quem parte e reparte fica com a maior parte, a partilha dos genos foi desigual, favorecendo mais os parentes mais próximos do patriarca, ficando os mais distantes com lotes menores.
Nascia, assim, na Grécia Antiga a propriedade privada da terra e a sociedade de classes.
Inicialmente eram três: a dos grandes proprietários, os eupátridas, que quer dizer filhos do pai, a dos pequenos proprietários e a dos sem-terra.

Muitos dos que ficaram sem terra tiveram que se dedicar ao artesanato ou a trabalhar para os grandes proprietários, recebendo em troca apenas roupa e comida, ou seja, trabalhavam como escravos.
Então mais duas classes se formaram, a dos trabalhadores livres e artesãos e a dos escravos.

Muitos dos menos beneficiados nesta divisão de classes emigraram para o sul da Itália, formando uma colônia grega que ficou conhecida como a Magna Grécia.

Este evento foi chamado de Segunda Diáspora Grega e ocorreu em 750 a.C. e criou uma grande rede de comércio entre as novas e velhas comunidades gregas.

Um dos principais eventos deste período foi a formação das polis. Com o aumento da população, a ação migratória, a ampliação das atividades econômicas e o domínio do poder político pela aristocracia criaram condições para o surgimento de um novo regime político, o das cidades-estado, as polis. Eram núcleos urbanos que tinham independência política uns dos outros, cultura, língua e religião comuns, economia própria e comércio interativo.

Pelo que vimos da organização política das polis, a Grécia não foi um império com fronteiras, foi, sim, um conjunto de comunidades com características comuns como a cultura, a religião e a língua. Portanto, estudar a história da Grécia é estudar a história das cidades-estado, o que faremos a seguir.

Mapa com as principais Cidades-Estado

A parte principal de uma polis era a acrópole, o ponto mais alto da cidade, onde se situava a cidadela fortificada, incluindo os santuários. Ali se localizava o poder central, por isso localizado em um ponto alto, visando a defesa da administração política e religiosa.

Acrópole de Atenas

Nas acrópoles se encontrava um grande espaço ao ar livre, onde os grandes pensadores, filósofos e pessoas comuns se reuniam para discutir sobre todos os assuntos. Este espaço se chamava Ágora e ali também se reuniam as Assembleias, onde se decidiam a justiça, obras públicas, leis, cultura, assuntos que decidiam pelo voto direto.

Ágora de Atenas

Havia, também, a asty, uma espécie de mercada, local onde os produtos locais eram negociados.

Esta área era chamada de núcleo. Ao redor das acrópoles se desenvolvia a cidade onde viviam os cidadãos comuns, uma espécie de periferia, com grandes extensões, chamada de área rural, o que as tornava grandes cidades, para a época.

Inicialmente as cidades-Estados foram governadas por reis, que eram ao mesmo tempo chefe político e religioso e juiz, auxiliados por um Conselho de Patriarcas, que eram os antigos chefes dos genos.

Com o passar do tempo o poder político passou para as mãos dos membros do Conselho, chamados de aristocratas (pessoas de ascendência social, nobres).

Assim o governo passou a ser uma aristocracia (forma de governo exercida por uma minoria de privilegiados proprietários de terra, os aristocratas).

As outras classes sociais (comerciantes, artesãos, etc.)  não gostavam desta forma privilegiada de governo e começaram a promover revoltas populares que tomaram o poder, instituindo uma forma de governo chamada de Tirania, porque era formada por líderes chamados tiranos, aquele que toma o poder pela força.

A tirania não durou muito tempo, algumas cidades voltaram a ter a forma de governo aristocrata e outras iniciaram nova forma de governo, a Democracia, que é o governo do povo, para o povo, pelo povo.

As duas cidades-Estados mais importantes da Grécia foram Atenas e Esparta, que tinham características totalmente opostas e se tornaram grandes rivais.

Outro grande fenômeno do Período Arcaico foi o da colonização, quando os gregos se espalharam por toda a área costeira do Mediterrâneo e do Mar Negro. Inicialmente a expansão se deu de forma aleatória, devido ao grande desenvolvimento populacional e a procura de propriedades dos sem terra, mas depois passou a ser feita de forma organizada, promovida pelos governantes das polis. Os colonos que se propunham a partir eram governados por líderes chamados oikisties, e o destino era escolhido de acordo com a facilidade de navegação.

A formação da colônia começava com um ritual para demarcação e distribuição dos lotes de terra e os ocupantes da terra tinham uma relação econômica com a polis que organizou a demanda da terra. Inicialmente se dedicavam à agricultura, mas depois se dedicaram ao comércio e artesanato.

Ocuparam, primeiramente, a Trácia, no norte do Mar Egeu, de onde expandiram rotas comerciais para colonizar o Mar Negro. Aí nasceram Bizâncio (atual Istambul) e Abidos.

Partindo para o lado oposto, no Sul do Mediterrâneo, chegaram à costa da Itália, onde fundaram a Magna Grécia.

Foi neste período que surgiu a cunhagem de moedas, que os jônios copiaram dos lídios, seus vizinhos na Anatólia.

Mapa das colônias gregas

Período clássico

V a.C. – 323 a.C.

Este período tem uma característica interessante, foi o período que mais sofreu invasões, mas também o que mais se desenvolveu, culturalmente, por isso é chamado período Clássico. O século V a.C. foi chamado século de ouro da civilização grega.

Ele se divide em duas partes, os acontecimentos que aconteceram nos séculos V e IV a.C. e os fatos que se deram nos séculos III e II a.C.

Na primeira fase as cidades gregas, ricas e fortes, começam a se enfraquecer por causa da rivalidade que as colocavam umas contra as outras. As duas principais polis eram Atenas e Esparta; Atenas cultural, artística, filosófica e democrática, berço de grandes filósofos, como Sócrates, Platão e Aristóteles, Esparta, rígida, disciplinada, guerreira e fechada à influência externa. Atenas é, até hoje, o berço da civilização ocidental e da democracia.

Atenas

Os atenienses se dedicavam à cultura e à filosofia, não se preocupando com a guerra. Eram um povo mais intelectualizado e voltado para as artes. Dali saíram os maiores filósofos da antiguidade, que reuniam o povo em torno da Ágora, onde discutiam de filosofia a astronomia. Ali viveram Sócrates, Platão e Aristóteles.

A formação de Atenas seguiu o mesmo processo de formação das polis, a partir do genos  tendo sido governada pela aristocracia, depois pelos tiranos e finalmente se rebelando contra eles e formando uma nova forma de governo, a democracia.

O processo democrático não surgiu do dia para a noite, foi se desenrolando ao longo das diferentes formas de governo por que passou Atenas.

Durante o regime aristocrático foram feitas as primeiras leis escritas e as reformas sociais que libertaram os escravos e tornaram todos os cidadãos membros da Assembleia de governo.
O grande reformador foi Sólon.

Isto não foi suficiente para tranquilizar os cidadãos menos privilegiados, então o poder  foi tomado pelo tirano Pissistrato, que ampliou as reformas sociais, fazendo uma reforma agrária, desenvolvendo o comércio marítimo e embelezando Atenas.

A tirania não duro muito tempo, voltando para o governo aristocrático, quando Clistenes deu o primeiro passo para a democracia.

O regime democrático era assim organizado: o território era dividido em cem áreas, chamadas demos, que se agrupavam em dez tribos. Cada cidadão se registrava em seu demos e tinha direito a participar da vida política da cidade. O principal órgão político era a Assembleia Popular, que se reunia três a quatro vezes por mês para deliberar. Qualquer cidadão podia se manifestar para apresentar projetos de lei ou debater propostas, e eleger os magistrados.

As propostas de lei eram transformadas em projetos elaborados por um conselho (Bullé)  de quinhentos cidadãos escolhidos entre as dez tribos, para serem apresentados para a Assembleia que formulava a lei. Os cidadãos eram julgados por um tribunal de justiça ( Helieu) composto por seis mil juízes, divididos e divididos em doze seções.

Com esta forma de governo o poder da aristocracia foi diminuído, mas a democracia se limitava aos homens livres, adultos, nascidos em Atenas, filho de pais e mães atenienses e com mais de 30 anos. Como eram a minoria, a democracia era limitada, mas, de qualquer forma, a democracia é um legado grego, de Atenas.

A sociedade de Atenas era dividida em três classes, os cidadãos ou eupátridas, os metecos e os escravos.

Só os eupátridas tinham direitos políticos, mas mesmo entre os eupátridas as mulheres e crianças não faziam parte dos cidadãos.

Os metecos eram os estrangeiros que habitavam em Atenas, que não tinham direitos políticos e não podiam possuir terras, por isso se dedicavam ao comércio e ao artesanato. Eram obrigados a pagar impostos e a prestar o serviço militar.

Finalmente vinham os escravos, que formavam a grande maioria da população, em uma proporção de 18 por 1. Eram propriedade de seu dono, mas o regime de escravidão era protegido por leis contra abusos.

Cada cidade-estado tinha sua divisão de classes, mas veremos apenas a estratificação de Atenas e Esparta, por serem as principais.

Divisão de classes de Atenas

Enquanto Esparta tinha uma educação rígida, de regime militar, Atenas tinha uma educação cultural, voltada para as artes e arquitetura.

Esparta

A história de Esparta começa com a invasão da Ática (região da Grécia) pelos dórios.
Os habitantes da Ática que aceitaram o domínio dórico formaram uma camada social com cerca de trinta mil pessoas, chamados periecos e que eram privilegiados.

Os que não aceitaram o domínio dos dórios, em número muito maior, em torno de duzentas mil pessoas, eram chamadas de hilotas, e recebiam um tratamento terrível, por isso viviam se rebelando.
Para conter os hilotas e manter o poder sobre a região, os espartanos se tornaram afeiçoados à guerra, mantendo um regime militar sobre seus habitantes.

Aos 7 anos os meninos eram retirados da família e levados para um acampamento militar, onde viviam em um regime muito rígido.

A partir dos 14 anos estes meninos acompanhavam os guerreiros em suas campanhas militares, e aos 20 recebiam o equipamento de um guerreiro.

Aos 30 anos eram obrigados a se casar, mas continuavam presos à vida militar até os 60 anos.
As meninas também tinham uma educação rígida, vivendo ao ar livre, praticando esportes, canto e dança. Eram preparadas para ser esposas e mães de guerreiros.

Eram mais respeitadas e ouvidas pelos homens do que as mulheres das outras cidades, mas não tinham direitos políticos.

Essa rígida disciplina deu a Esparta o exército mais devastador da época.

O governo de Esparta era uma mistura de monarquia (tinham dois reis hereditários), Conselho (formado por vinte e oito anciãos) e Magistratura (formada por cinco magistrados, os éforos, eleitos anualmente, que tinham todo o poder, até mesmo sobre os reis).

A sociedade de Esparta era dividida em grupos sociais de acordo com as funções que desempenhavam e como as regras de Esparta eram muito rígidas as classes sociais não se alteravam, o que tornava a divisão social muito profunda.

A primeira classe social que se formou foi a dos hilotas, que eram os antigos habitantes da região quando os aqueus chegaram e os dominaram. Eram os servos, que cultivavam a terra e produziam os alimentos, mas não tinham diretos à propriedade, viviam em regime de escravidão.

A segunda classe social era dos periecos, composto por homens livres, mas que executavam tarefas de agricultura, artesanais e comerciais, porém não tinham direitos políticos.

O terceiro grupo era formado por aqueles que detinham poderes políticos, mas mesmo este grupo era dividido entre os que votavam e os que podiam ser votados. Por isso o poder político era oligárquico, isto é, governado por uma elite. Este grupo era chamado de esparciata.

Divisão de classes de Esparta

Neste momento os persas dominavam as colônias gregas, que se rebelaram contra eles apoiadas pelos atenienses, o que levou os persas a revidarem o apoio de Atenas com a invasão do território grego. Muitas polis foram dominadas por eles, menos Atenas e Esparta. Começava um período de guerra entre persa e gregos, que foi chamado de Guerras Médicas.

Na primeira tentativa de invasão, a armada persa foi dispersada por uma tempestade. A segunda tentativa de invasão aconteceu na planície de Maratona, quando os gregos, com apenas 15000  guerreiros, venceram os 100000 de guerreiros persas. A notícia da vitória foi levada a Atenas por Fidípedes, que percorreu quarenta quilômetros sem parar. Ao dar a notícia caiu morto. Nasce aí a Maratona das Olímpiadas.

Após vencer as batalhas de Salamina e Plateia, Atenas sai vencedora e expulsa os persas da Grécia continental e de suas colônias. A vitória de Atenas desperta a inveja da guerreira Esparta, começando uma guerra entre elas, que se chamou guerra do Peloponeso e foi vencida pelos espartanos.

Ainda neste período a Grécia é invadida por Felipe II, da Macedônia.

A segunda fase compreende os séculos III e II a.C., que marca o fim do período clássico

Neste tempo, a Grécia ficou sob o domínio de Alexandre o Grande, filho de Felipe II, que absorveu a cultura grega e a espalhou entre os povos que conquistava, como a Índia, a Pérsia, o Egito

Período helenístico

323 a.C. – 3 a.C.

Este período é marcado pela expansão da civilização cultural grega, que como vimos, foi espalhada pelos macedônicos em suas conquistas.

Alexandre, o Grande era amante da cultura grega e queria fundar um Império Universal onde essa cultura fosse o ponto de união entre os povos.

Da mesma forma que outros povos absorveram a civilização grega, os gregos também absorveram muito da cultura dos outros povos, formando, assim uma nova cultura, o helenismo.

Com a expansão do império romano, a Grécia e a Macedônia passaram a ser meras províncias romanas,

As rivalidades entre as polis desapareceram porque deixaram de ser cidades-estado, mas mantiveram suas tradições, como os festivais e jogos. Atenas manteve seu status cultural.

Mapa dos povos que desenvolveram o helenismo

Religião

Os gregos eram politeístas, isto é, adoravam vários deuses.

Além dos deuses tinham também semideuses ou heróis a quem adoravam como deuses.

Os deuses tinham forma humana, pois a cultura grega era humanista (o homem era a maior criação dos deuses), e características de deuses, com poderes sobrenaturais.

Os heróis ou semideuses eram filhos de deuses com mortais.

Os deuses eram cultuados em templos, localizados na acrópole e em outros lugares de destaque.
A eles eram oferecidos sacrifícios de animais, cerimônias de adoração, festas e jogos.

Os jogos mais famosos da Grécia foram as Olimpíadas, em honra de Zeus, o maior dos deuses, que aconteciam na cidade de Olímpia.

A mitologia grega também era muito importante na vida desta civilização, pois através dos mitos e lendas os gregos transmitiam mensagens e ensinamentos importantes.

Os deuses da mitologia grega representavam forças e fenômenos da natureza e também impulsos e paixões humanas.

Moravam no Monte Olimpo e de lá controlavam tudo o que se passava entre os mortais.
O Panteão Grego ( conjunto das divindades de uma religião politeísta)   incluía semideuses, heróis e inúmeras entidades, como os sátiros e ninfas ( espíritos dos bosques, das águas ou das flores).
Os Deuses Olímpicos eram os 12 deuses principais da mitologia grega, que viviam no Monte Olimpo, de onde vem seu nome.

Deuses Olímpicos

Afrodite – Apolo – Ares – Artemis –  Atena – Demeter – Dioníso – Efeso –  Hera – Hermes – Poseidon – Zeus

Deuses gregos

Deuses menores

Éolo, deus dos ventos – Eros, deus do amor – Europa, amada por Zeus que lhe apareceu sob a forma de um touro e, em suas costas, atravessou o mar – Hércules, filho de Zeus com uma mortal Héstia, deusa da família.

Cultura

Culturalmente a Grécia foi a civilização mais evoluída, embora entre as cidades-Estados algumas se projetassem mais que as outras. As mais importantes foram Esparta e Atenas, cada uma delas com seu modelo político (a oligarquia militarista em Esparta e a democracia aristocrata em Atenas).

Até o ano 330 a.C., não tinham uma língua comum, falavam dialetos diferentes. Em 330 a.C., se formou um dialeto comum chamado coiné, a partir do dialeto falado em Atenas,

Atenas foi de todas a que mais se sobressaiu, pois Esparta era mais voltada para o militarismo.
Atenas foi a capital cultural do mundo grego, tendo sido o século V a.C. chamada de Século de Ouro, ou Século de Péricles, pois Péricles era o governante de Atenas nesta época, e o grande protetor das artes e da cultura.

A arte considerada mais importante foi a escultura.

Foram os gregos que criaram o movimento nas estátuas, pois a escultura egípcia, na qual eles inicialmente se inspiravam era estática, não tendo qualquer ideia de movimento.

As estátuas eram esculpidas em mármore, argila, marfim, ouro, madeira ou bronze, e cada vez mais os escultores tentavam atingir um ideal de beleza e perfeição.

A cerâmica, apesar de estar voltada para a produção de objetos utilitários, era uma obra de arte.

Os homens livres tinham muito tempo livre para pensar, refletir e discutir sobre as coisas da vida, o que fez do povo grego um grande pensador.

Tornaram-se os “amigos da sabedoria”, que em grego quer dizer filosofia, e junto com a democracia são o grande legado grego.

Esparta se preocupava com a educação masculina para a guerra.

Os meninos eram, desde os sete anos, afastados de casa e educados para serem soldados fortes e valentes.

As mulheres eram preparadas para serem mães e esposas de soldados, não devendo fraquejar diante da perda de seus filhos ou maridos.

Usos e costumes

Os gregos não eram muito afeitos ao luxo, suas casas eram feitas pedra ou de tijolo de barro, pintadas de branco, sem muitos objetos decorativos. Mesmo os mais ricos não se preocupavam com este luxo.

Como dizia Heródoto, filósofo grego, na Grécia “a pobreza ´´e sempre uma hóspede”.

A maioria do povo fazia apenas duas refeições, o almoço, que era chamado “ariston” e consistia de um prato de feijão ou lentilha e uma cebola crua ou nabo cozido e o “deipon”, a refeição principal feita de pão, queijo, figos, azeitonas e carne. O açúcar não era usado, nem conheciam; o azeite, por ser a oliveira a árvore mais comum na Grécia, era usada para quase tudo, para passar no pão, na comida, para passar no cabelo e na pele e até como sabão. Não bebiam leite, mas uma mistura de vinho com água.

Os trajes das mulheres e homens não tinham muita diferença, todos usavam saias, uma mais curtas e outras mais longas, de preferência na cor branca, na cor marrom era para trabalhar. O traje era muito bonito e gracioso, consistia de uma túnica chamada quitão, presa na cintura por um cinto estreito e ia até o joelho ou tornozelo. Sobre os ombros usavam um manto pregueado, os himátions, que caiam sobre os braços. Para os mais jovens, o manto era curto, chamado clâmide. Para as mulheres, a variação da moda era um peblo, outro modelo do quitão. Não cobriam a cabeça, usavam tiaras. Nos pés usavam sandálias trançadas na perna.

Trajes gregos

As mulheres usavam muitos acessórios, as ricas com adereços feitos em ouro, prata e pedras preciosas e as mais pobres com adereços feitos em cerâmica ou bronze.

Joias da Grécia antiga

Os gregos eram amantes do esporte, por isso cada cidade tinha um ginásio ao ar livre, onde faziam exercícios e praticavam esportes com bola.

Os gregos se banhavam em tinas e usavam azeite no cabelo e na pele.

Os animais de carga preferidos eram a mula e o burro, por causa do terreno ser escarpado e rochoso.

As guerras gregas
O território grego foi assolado por três guerras importantes, as Guerras Médicas, a Guerra do Peloponeso e as Guerras Macedônicas.

Guerras Médicas

As Guerras Médicas ocorreram entre os povos gregos (aqueus, jônios, dórios e eólios) e os medo-persas, pela disputa sobre a Jônia na Ásia Menor.

A Jônia era colonizada pela Grécia, mas durante a expansão persa em direção ao Ocidente, este poderoso império conquistou diversas colônias gregas da Ásia Menor, entre elas Mileto. As colônias lideradas por Mileto, contando com a ajuda de Atenas, tentaram sem sucesso libertar-se do domínio persa, promovendo uma revolta, o que levou Dário I a invadir a Grécia continental.
De início os persas levaram vantagem, mas os atenienses conseguiram derrotá-los na batalha de Maratona. Em represália Xerxes, filho de Dario, invadiu novamente a Grécia, derrotou os espartanos e incendiou Atenas.

Algumas cidades gregas, lideradas por Atenas e Esparta, formaram uma coalização para enfrentar o invasor. Outras, como Tebas, submeteram-se aos persas.

Xerxes comandou, dez anos depois, uma invasão à Grécia em grande escala, que inicialmente venceu os gregos no desfiladeiro das Termópilas e em Artemísio, porém a frota ateniense comandada por Temístocles conseguiu destruir a frota persa em Salamina e mudou o rumo da guerra. Meses depois, comandado pelo espartano Pausânias o exército da coalização grega venceu o exército persa em Plateia e pôs fim à invasão.

Terminava a invasão persa sobre a Grécia.

Guerra do Peloponeso
Embora Esparta fosse militarmente mais forte que Atenas, foi Atenas que conseguiu as vitórias sobre os persas, o que lhe deu grande prestígio.

Com a invasão da Pérsia, as cidades-Estados do mar Egeu e da Ásia Menor formaram uma aliança para defesa do território.

Atenas foi a escolhida para liderar a liga que se chamou Liga de Delos, para a qual todas as cidades contribuíam com soldados, navios e dinheiro, constituindo um grande tesouro.

Os atenienses, atraídos pelo tesouro de Delos, dominaram as outras cidades e usaram a fortuna para realizar construções e obras de arte, tornando Atenas a mais rica cidade-Estado da Grécia.

É claro que os espartanos não gostaram da situação e com o pretexto de que Atenas interferiu na política interna de uma cidade-Estado aliada de Esparta, iniciaram uma guerra que se chamou Guerra do Peloponeso, porque se desenrolou na planície do Peloponeso.

Esta guerra foi vencida por Esparta que passou a liderar as cidades gregas, mas sua liderança durou pouco, pois logo Tebas assumiu o domínio das cidades-Estados.

Estas lutas entre irmãos enfraqueceram a Grécia que foi presa fácil para outros povos.

Guerra Macedônica

Ao norte da Grécia havia um pequeno reino, a Macedônia, cujo rei pretendia tornar seu reino um grande império.

Empobrecidas e desunidas por tantas guerras prolongadas, as cidades gregas foram presa fácil para o poderoso exército de Filipe II, rei da Macedônia, que acabou por conquistar a Grécia, em 338 a.C.

Dois anos depois, Filipe II morreu assassinado e foi sucedido por seu filho Alexandre, que, logo de início, reprimiu prontamente duas tentativas de rebelião promovidas pelas cidades gregas, consolidando-se no poder.

Em dez anos, o exército de Alexandre Magno conquistou a Síria, a Fenícia, a Palestina, as capitais do Império Persa e parte da Índia e do Egito, onde fundou a cidade de Alexandria, formando com a Grécia um grande império.

Com o tempo, a cultura grega foi se fundindo com a cultura oriental e deu origem à cultura helenística.

Civilização Macedônica

Civilização helenística

Apesar de ter sido considerado um povo bárbaro pelos gregos, houve uma civilização macedônica, pois com suas conquistas, Alexandre, o Grande, imperador da Macedônia, expandiu a cultura grega que se fundiu com a dos povos conquistados, formando a civilização helenística.

Também, apesar de sua pouca duração, trinta anos apenas, o império macedônico foi o elo de união entre as culturas oriental e ocidental. Ao conquistar o Egito, o Oriente Médio e os povos da Ásia Central unificou as culturas destes povos orientais com a cultura grega ocidental.

Expansão helenística

O império macedônico durou apenas trinta anos, de 359 a 323 a.C., começando com seu fundador Felipe II e terminando com o reinado de seu filho, Alexandre, o Grande. Foi um império de pouca duração, mas que se estendeu por um vasto território, da Península dos Balcãs até a Índia, no subcontinente indiano e o Egito na África.

Mapa do Império Macedônico

Originalmente os macedônios viviam na península dos Balcãs, no nordeste da península grega, com cujo povo se misturava, apesar dos gregos os considerarem estrangeiros. Eles se consideravam gregos, pois tinham os mesmos costumes e a mesma língua. Os reis macedônicos se diziam descendentes dos deuses gregos e os filhos das famílias nobres estudavam na Grécia.

A Macedônia era um reino, que entre 808 e 399 a.C. tinha como capital a cidade de Egas. Depois que se tornou império sua capital passou a ser a cidade de Pela, de 399 a 167 a.C.

Localização da Macedônia antiga

O período que vai de 359 a 323 a.C. é que marca o Império Macedônico, formado pelas conquistas de Felipe II e seu filho Alexandre, o Grande.

Quando Felipe II assumiu o governo, a Macedônia estava sob o comando dos ilírios, povo indo-europeu que ocupava a maior parte da península dos Balcãs. Sua primeira atitude foi promover a libertação de seu reino. Em seguida promoveu o comércio do reino, para que com o seu enriquecimento promovesse a construção de estradas e fortalezas e organizasse um poderoso exército.

Uma das fortes armas de guerra, que permitiu as conquistas, foi a formação das sarissas, longas lanças pontiagudas, que formavam as falanges do exército. Sua estratégia era formar a falange com homens em uma unidade compacta e flexível ao mesmo tempo. Eles avançavam em formação cerrada com dezesseis fileiras, num total de 256 soldados. As primeiras cinco fileiras estendiam suas sarissas para a frente, de modo que formavam uma parede com pontas afiadas, as três fileiras de trás estendiam suas sarissas inclinadas sobre os homens da frente, e o restante mantinha as sarissas para o alto, para que formasse uma espécie de escudo contra as flechas adversárias.

Falanges do exército macedônico

Felipe II começou a expansão de seu reino conquistando, primeiramente, algumas cidades gregas. Na batalha de Queronéia venceu as cidades-estados do centro da Grécia e formou a Liga de Corinto, colocando, assim, todas as cidades gregas, menos Atenas, sob seu comando. Foi a primeira vez que as cidades-estados formaram uma entidade política.

Em 336 a.C., quando Felipe II se preparava para invadir a Pérsia, foi assassinado por um guarda-costas, Pausânias. Com 23 anos, seu filho, Alexandre, assume o governo e continua suas conquistas com mais vigor.

Alexandre, o Grande

Foi assim que Alexandre, filho de Felipe II, passou para a história, com o cognome de Alexandre, o Grande.

Seu nascimento é envolto na mitologia, diziam que era filho de Zeus, o deus dos deuses da Grécia, com Olímpia, descendente de uma grande família do reino de Epiro. Olímpia dizia ter ficado grávida de Zeus.            

Desde criança, Alexandre se destacava nos jogos infantis, quando jovem era considerado um grande cavaleiro.

Na adolescência foi aluno de Aristóteles, filósofo grego que ensinava mitologia, filosofia, poesia, o que muito influenciou Alexandre a gostar da cultura. Ele gostava da Ilíada, de Homero, e considerava a Guerra de Tróia uma escola de estratégia militar. Foi essa paixão pela cultura que o levou a espalhar a cultura grega pelo mundo e a consequente união da cultura ocidental com a oriental.

Alexandre, O Grande

Expansão do Império

Após a morte de Felipe II, as cidades gregas, lideradas por Tebas, se rebelaram e desfizeram a Liga de Corinto, mas Alexandre as venceu e arrasou Tebas. Todas as cidades se renderam e deram total poder sobre seus exércitos, a Alexandre. Só Esparta não se submeteu.

Em seguida partiu para realizar o sonho do pai, conquistar a Pérsia.

O seu exército, composto por 40 mil soldados, continuava com as falanges, tinha também os arqueiros e uma cavalaria bem treinada, mas o exército de Dario III tinha um número maior de soldados e era considerado o melhor exército da época.

Alexandre se valeu da estratégia da surpresa, o que lhe valeu vantagens iniciais e após uma série de batalhas épicas derrotou Dario III, que foi assassinado por um satrapa traidor, chamado Besso. A Pérsia estava dominada e com ela Susa, a capital administrativa e Persépolis, a capital comercial.

Continuando com suas conquistas, partiu para o Levante, a região onde ficavam as cidades fenícias, que se entregaram após a Batalha de Isso, menos a cidade de Tiro, que teve que ser sitiada durante oito meses. Nessa conquista foram dominados o Líbano, a Síria, Israel e a Palestina, de onde partiu para o Egito, onde permaneceu durante um ano. Seu principal feito no Egito foi fundar Alexandria, cidade com o seu nome, que veio a se tornar em uma das mais importantes cidades da região.

Império de Alexandre

Foram as seguintes as regiões que formaram o Império Macedônico: Macedônia – Grécia – Chipre – Trácia – Capadócia – Anatólia – Fenícia – Síria – Líbano – Israel – Palestina – Egito – Mesopotâmia – Pérsia.

Faltava a Índia, para a conquista da qual ele se preparou, mas não obteve sucesso, na batalha de Hidaspes, na qual o rei de Paurava lhe fez forte resistência. Diante das dificuldades da companha na Índia, Alexandre retornou para a Babilônia, onde veio a morrer após onze dias de forte febre. Os historiadores não sabem ao certo a causa de sua morte, a dúvida está entre três causas, envenenamento, pois ela começou após um jantar, malária ou febre tifoide, duas doenças endêmicas na época.

Sua morte aborta a ideia de invadir a península Arábica e seu império é dividido entre três de seus principais generais, Ptolomeu, no Egito; Selêuco, na Síria, Mesopotâmia e Pérsia e Antigônida, na Macedônia e Grécia.

O fim do império se deu, definitivamente, nos séculos II e I a.C., diante da conquista romana.

Helenismo

É o resultado da fusão entre a civilização grega com as culturas orientais, principalmente da Pérsia e do Egito.

A Macedônia não teve uma civilização própria, mas difundiu, com suas conquistas, no mundo ocidental e oriental, uma das mais ricas civilizações, a helenística, produto da mistura da riquíssima civilização grega com as civilizações orientais.

Alexandre foi o grande construtor desta civilização, pois sua tendência para as coisas culturais, fruto de sua educação feita por Aristóteles, o tornou um viajante conquistador e educador. Ao mesmo tempo que dominava os povos, espalhava a cultura grega; nas terras conquistadas espalhou a forma de vida grega e sua organização social, construiu ágoras, templos e ginásios de esportes. Mas não ficou por aí, ampliou esses conhecimentos com os conhecimentos dos povos conquistados e criou a bela civilização helenística, que se espalhou pelo mundo e da qual temos até hoje uma grande influência.

Faz parte da cultura helenística a maior biblioteca do mundo antigo, localizada na cidade de Alexandria, a biblioteca de Alexandria, que foi destruída por um incêndio.

Biblioteca de Alexandria

Civilização Romana

A Civilização Romana aconteceu a partir da cidade de Roma, localizada no centro da Península Itálica, na região dos rios Arno e Tibre.

Por volta do quinto milênio a. C., esta península era habitada por povos do paleolítico e neolítico, que ali vivam espalhados pela região, até a chegada de povos indo-europeus, por volta de 4000 a.C., que os dominaram e de quem absorveram a cultura.

Mas quem eram os povos indo-europeus?

Eram povos que há mais ou menos quatro mil anos viviam nas regiões do mar Cáspio e do mar Negro, que se espalharam pela Ásia Menor, Europa, Irã e Índia.  São chamados indo-europeus devido aos lugares para onde se dirigiram prioritariamente, Índia (indo) e Europa (europeu), mas sua principal característica é que formam um grande grupo de línguas da qual fazem parte o anatólico, o báltico, o celta, o eslavo, o germânico, o itálico, o albanês, o armênio e o grego; faladas em parte da Ásia e da Europa.

Partiram de seu local de origem em grandes levas em vários momentos diferentes, com destinos variados. Uns foram para o Irã e a Índia, na Ásia e outros para a Península Escandinávia, Inglaterra, Grécia, Espanha e Itália, na Europa. Por onde passavam absorviam as características próprias do lugar, sem nunca perder a essência de suas tradições e raízes culturais.

Local de origem dos povos indo-europeus

Com a ocupação da península pelos indo-europeus os povos primitivos que lá habitavam foram dominados e absorveram sua cultura.

Dentre os povos indo-europeus havia os etruscos, provavelmente vindos da Ásia Menor, que se localizaram na região dos rios Arno e Tibre. Próximos a eles viviam dois povos primitivos, os sabinos e os latinos, assim chamados porque viviam na região do Lácio. No sul da península estavam os gregos que haviam fundado a Magna Grécia.

Destes quatro povos nasceu a civilização romana.

Localização dos povos que formaram o povo romano

Na margem esquerda do Rio Tibre erguem-se sete colinas, onde os latinos fundaram sete pequenas aldeias de pastores.

Localização das sete colinas de Roma

Com o passar do tempo começou a rivalidade entre os etruscos, do Norte e os gregos, do Sul o que originou as lutas entre eles. Entre eles estavam as sete aldeias das sete colinas, que ficaram entre os dois fogos e por isso se uniram em uma confederação chamada Liga dos Sete Montes, para se defenderem dos inimigos comuns.

Num dos montes, o Palatino, foi construída uma fortaleza quadrada onde os latinos se refugiavam  quando eram atacados. Dela se originou Roma.

Fundação de Roma

Diz a lenda que Roma foi fundada por dois irmãos gêmeos, Rômulo e Remo, criados por uma loba.

Eles seriam descendentes de um guerreiro nobre de Troia chamado Eneias, filho da deusa grega Vênus, que teria saído de Troia após sua destruição pelos gregos, na famosa Guerra de Troia. Chegou à região do Lácio, onde se casou com Lavínia, a filha do rei dos latinos. Na região fundou a cidade de Alba a Longa, onde introduziu a adoração dos deuses troianos. O primeiro rei na cidade de Alba Longa foi Ascânio, filho de Eneias. Doze gerações após nasceram Rômulo e Remo, filhos de Reia Silvia, que era filha do rei Numitor e se tornou uma vestal (sacerdotisa virgem da deusa Vênus) por ordem de seu tio Amúlio. Ao torná-la vestal, Amulio tinha um propósito, que não tivesse filhos herdeiros de Numitor, pois sua intenção era depô-lo e se tornar rei após matar todos os seus filhos homens.

O propósito de Amúlio foi frustrado com a gravidez de Reia, gerada pelo deus Marte. Ao saber do nascimento dos filhos de Reia, ordenou que eles fossem jogados no rio Tibre, para que se afogassem, mas as águas os empurraram para a margem, onde foram encontrados por uma loba, que os retirou do rio e os amamentou até que um pastor os encontrou e os levou para uma aldeia.

Com o tempo se tornaram homens fortes e destemidos, mas foram descobertos por Amúlio que aprisionou Remo, tornando conhecido o fato de seu nascimento, ficaram sabendo que eram netos de Numitor e herdeiros do trono. Depuseram Amúlio e repuseram seu avô no trono, mas não se interessaram em ficar em Alba Longa, foram para o lugar onde haviam sido encontrados, à beira do rio e ali fundaram uma cidade. Mas surgiu um dilema; quem iria governá-la se eram gêmeos? Para resolver o impasse resolveram subir nos montes da região, Rômulo subiu no monte Palatino e Remo no monte Aventino, à espera de uma decisão divina, mas o impasse continuou. Remo recebeu seis abutres e mais tarde Rômulo recebeu doze, então os partidários de Remo achavam que ele era o vencedor porque recebera o sinal primeiro e os partidário de Rômulo diziam que ele era o vencedor pois recebera maior número de abutres. Isto deu início a uma contenda na qual Remo foi morto por Rômulo, que se tornou o primeiro rei de Roma. Começa, então, a Monarquia romana.

Esta é a lenda, mas a realidade diz que ela foi fundada sobre as sete colinas a partir de uma fortaleza construída para proteger os latinos das invasões gregas e etruscas, em suas lutas.

A formação do povo romano se assemelha muito à formação do povo grego. Os grupos de pastores viviam em comunidades chamadas gens (como os genos, da Grécia), que eram agrupados de dez em dez, formando as cúrias. Por sua vez, cada dez cúrias formavam uma tribo. No início da história romana havia três tribos.

Os gens eram governados por um patriarca, com poderes de vida e morte sobre seus liderados.

A terra pertencia a todos da comunidade, mas com o aumento da população do gens, o patriarca e seus parentes mais próximos se apossaram das melhores terras da região, formando uma classe social aristocrática, chamada patrícios.

Com a invasão dos etruscos, que dominam os latinos, começa realmente a história de Roma, em 753 a.C., quando a aldeia se transforma em cidade, com drenagens de pântanos, construção de templos e sistema de esgoto. É estabelecida uma monarquia, a partir da classe social dos patrícios, cujo poder era exercido por um rei, por senadores e por membros da Assembleia Curiata. O rei era vitalício, e tinha poder político, militar, religioso e de juiz, mas não era dinástico, o poder não era transmitido por herança.

Os senadores formavam o Senado que era composto por trezentos patriarcas, cuja função era controlar o poder do rei e na morte deste preparar uma lista com três nomes para a escolha.

A Assembleia Curiata era formada por todos os patrícios e tinha as funções de escolher o novo rei a partir da lista feita pelos senadores, decidir sobre as guerras e votar as leis apresentadas pelo Senado.

Neste momento a sociedade romana estava organizada da seguinte forma: patrícios ou nobres, descendentes dos antigos patrícios latinos, proprietários de terra e de gado, com participação ativa na política; plebeus, em maior número e constituídos por pequenos agricultores, comerciantes, pastores e artesãos, sem direitos políticos; clientes, formados por homens de negócio, intelectuais ou camponeses interessados na carreira pública, para o que dependiam da proteção de um patrono, geralmente um patrício e os escravos, plebeus endividados ou prisioneiros de guerra, que realizavam todo tipo de trabalho, sem direito civil ou político. Os patrícios só podiam se unir, pelo casamento, com pessoas da mesma classe social, com outros patrícios.

Pirâmide com a organização da sociedade romana

A monarquia começou a cair quando o rei Tarquínio dividiu a cidade em quatro áreas territoriais, formadas por patrícios e plebeus, o que limitou muito a liderança dos patrícios.

Para reconquistar a posição que tinham os patrícios se revoltaram e expulsaram o rei, organizando um governo no qual detinham todos os poderes.

Termina o período monárquico da história de Roma e começa a República.

Com o fim da monarquia o governo de Roma passou a ser coisa do povo, que em latim é “res publica”, de onde veio a palavra república.

A Grécia nos deu a democracia, e Roma nos deu a república.

Democracia é uma forma de governo feita pelo povo, é o governo da soberania popular.

República é um governo que visa servir a coisa pública, o interesse comum de um povo.

A república romana era coisa do povo, mas o que era o povo para os romanos?

O povo não era toda a população, era apenas os soldados, então o governo de Roma era exercido pelos soldados.

O governo era exercido por dois cônsules, eleitos pelo exército, que era formado por 193 centúrias (conjunto de cem soldados), que exerciam as funções de chefe administrativo e comandante militar.

Em situações extremas o governo era assumido por um ditador, com poderes absolutos.

Os cônsules eram auxiliados na administração pelos questores,  censores, edis e pretores, mas a maior força do governo estava no senado, que escolhia o ditador, elaborava as leis e tinha o maior poder de decisão nas questões extremas.

Mesmo no governo republicano os melhores cargos do governo eram exercidos pelos patrícios, portanto as lutas de classe entre patrícios e plebeus continuava.

Ao longo de dois séculos de luta os plebeus foram conquistando igualdade de direitos em relação aos patrícios, mas os altos cargos continuaram a ser dos patrícios.

Ao mesmo tempo em que os plebeus lutavam por seus direitos, os soldados iam conquistando outros povos e ampliando seus territórios.

Primeiro conquistaram toda a península itálica, depois derrotaram os cartagineses, dominando Cartago, invadiram e conquistaram a Gália (atual França), a Grécia, a Macedônia, a Ásia Menor e o Egito. Todas as terras cercadas pelo mar Mediterrâneo, na Europa, Ásia e África eram território romano.

No século I d.C. (já fazia um século que Jesus havia vindo ao mundo), dominaram a Inglaterra.
As conquistas romanas trouxeram riqueza e problemas para os governantes romanos. Como continuasse a disputa de poder entre os patrícios e plebeus, dois grandes partidos políticos se formaram, os democratas, dos plebeus, que lutavam pela igualdade de direitos, e os aristocratas, dos patrícios, que pretendiam manter seus privilégios.


Vários políticos surgiram pretendendo reformas que aos poucos foram mudando a política dos territórios de Roma. Devido a estas lutas internas a instituição republicana foi se enfraquecendo e os generais foram aos poucos assumindo o poder. Dentre estes generais dois se destacaram na simpatia do povo, Pompeu e Crasso, que foram nomeados cônsules, mas que ambicionavam ser reis.

Um novo personagem surgiu no cenário político, com as mesmas aspirações dos dois generais, era Júlio César.

Como percebeu que não podia vencer Pompeu e Crasso se uniu a eles e decidiram formar um governo um governo de três, o primeiro triunvirato.

Em 49 a.C. o triunvirato deixou de existir, Crasso morreu numa campanha militar no Oriente,  Pompeu tentava dominar Roma sozinho e Júlio César, que estava lutando na Gália, voltou para disputar o poder com Pompeu.

Depois de vencer todos os aliados de Pompeu, César voltou a Roma e tornou-se ditador.
A república ainda era a forma de governo de Roma, mas apenas na aparência.
César foi assassinado por um grupo de senadores e organizaram um outro triunvirato, formado por Marco Antônio, Otávio e Lépido. Era o segundo triunvirato.

Este segundo triunvirato durou pouco, pois Otávio conseguiu afastar Lépido, com o apoio dos aristocratas e derrotou Marco Antônio que estava em campanha no Egito.

Otávio, sozinho, tornou-se o senhor de Roma, encerrando a república.

Começava um novo período da história de Roma, o Império.

Otávio assumiu o poder acumulando grandes poderes em virtude de seus inúmeros títulos:
princeps (primeiro cidadão de Roma), imperator (chefe do senado), tribuno (inviolável), censor (designador do senado e controlador dos costumes), cônsul (administrador da cidade de Roma), sumo pontífice (autoridade religiosa) e finalmente augusto, título reservado aos deuses.
Com o título de Augusto, Otávio passou a ser imperador, com o nome de Otávio Augusto.
Mesmo no império as lutas de classes continuavam, e se revezaram no poder, formando dinastias.
Com  Otávio Augusto começava a dinastia Júlio-Claudiana, de origem patrícia, durante a qual houve um grande desenvolvimento.

Foram os seguintes os imperadores da dinastia Júlio-Claudiana: Otávio – Tibério – Calígula – Claudio – Nero.

Após Nero os aristocratas subiram ao poder, formando a dinastia dos Flávio, em que também houve grande desenvolvimento.

Foram os seguintes os imperadores da dinastia Flaviana: Vespasiano – Tito – Domiciano.

Surgiu uma nova classe social, originária dos governantes das províncias, que fundaram uma nova dinastia, a dos Antoninos.

Foram os seguintes os imperadores da dinastia Antonina: Nerva – Trajano – Adriano – Antonino Pio – Marco Aurélio – Cômodo.

Com a morte de Cômodo, iniciou-se um período de lutas e guerras civis, que terminou com a implantação da dinastia dos Severos, originários da Síria.

Foram os seguintes os imperadores da dinastia dos Severos: Sétimo Severo – Caracala – Heliogábalo – Alexandre Severo.

Entre 235 e 284 Roma foi governada por mais de vinte imperadores sem a menor importância, alguns nem chegando a ir a Roma.

Entre 284 e 305, sob o governo do imperador Deocleciano, realizaram -se algumas reformas políticas, das quais a principal foi a criação da tetrarquia, pela qual o governo seria exercido por dois augustos e dois césares, que ocupariam o lugar de um augusto.

Assim o império romano foi dividido em império romano do Ocidente, governado por Maximiniano, com capital em Milão, e o Império Romano do Oriente, governado por Diocleciano, com capital em Nicomedia.

Com a morte de Diocleciano, o império foi unificado sob o governo de Constantino, que transferiu a capital para o oriente, onde fundou Constantinopla, que ficava no eixo das comunicações entre o oriente e o ocidente. Mesmo unificado, o Império Romano continuou em decadência, sendo, em 395, novamente dividido em império do ocidente e império do oriente.

No reto do mundo havia povos que não pertenciam ao império e que eram culturalmente atrasados, não tendo nenhuma civilização. Eram chamados de bárbaros e viviam invadindo as fronteiras do império.

No final do século IV d.C., os povos bárbaros que eram os anglos, os saxões, os francos, os godos, os visigodos, os suevos os álanos e os vândalos, viviam em guerra com os habitantes da fronteira ocidental do império.

Com a conquista das regiões fronteiriças, o império, que não tinha condições de expulsá-los, teve que fazer concessões aos invasores, dando-lhes o título de federados, como se pertencessem ao império.

Estas concessões, que foram mais de cem, com as quais Roma pretendia legalizar as invasões e governar os invasores de nada adiantaram.

Em 400  os bárbaros invadiram a Bretanha,  tornando independentes os povos daquela região, em  429 invadiram  a África, em  410 e 455 Roma foi saqueada.

Finalmente, em 476 um chefe bárbaro, Odoacro, depôs o imperador Romulo Augusto, pondo fim ao Império Romano do Ocidente.

Cultura Romana

A cultura romana foi muito influenciada pelas culturas grega e etrusca, além da cultura dos povos que eles dominavam.

A arquitetura é simples, em estilo romano, com templos semelhantes aos dos gregos, com grandes colunas e telhados de triângulo isósceles. A mais bela expressão da arquitetura grega, em Roma, é o Coliseu, anfiteatro onde eram realizadas as lutas entre gladiadores e feras.
A pintura refletia cenas mitológicas e cotidianas, enquanto a escultura era semelhante à dos gregos, representando cenas de batalhas.

A literatura era uma cópia da literatura grega, com obras traduzidas dos gregos.

Dois legados foram a língua e o direito. A língua era o latim, da qual deriva o português.
O direito romano foi o grande legado, sendo nossas leis até hoje copiadas deles.

A religião romana abrangia o culto familiar e o culto público. A Família romana cultuava seus antepassados. Uma prática religiosa muito comum na Roma Antiga era a existência de santuários domésticos, onde eram cultuados os deuses protetores do lar e da família.

Eram politeístas e cultuavam deuses parecidos com os dos gregos, mudando apenas os nomes.
Os rituais religiosos romanos eram controlados pelos governantes romanos.

O culto a uma religião diferente à do império era proibida e condenada.

 Muitos imperadores, por exemplo, exigiram o culto pessoal como se fossem deuses. Esta prática começou a partir do governo do imperador Júlio César.

Deuses romanos

Baco, deus do vinho e das festas
Ceres, deusa da    colheita e da agricultura
Diana, deusa da caça, da castidade, dos animais selvagens e da luz
Febo, deus do Sol, da poesia, da música e da beleza masculina
Juno, rainha dos deuses
Júpiter, rei de todos os deuses, representante do dia
Marte, deus da guerra
Mercúrio, mensageiro dos deuses, protetor dos comerciantes
Minerva, deusa da sabedoria e do conhecimento
Netuno, deus dos mares e oceanos
Vênus, deusa do amor e da beleza
Vulcano, deus dos  metais, e do fogo

Deuses romanos

Tinham, como os gregos seus deuses menores: Plutão, deus dos mortos, do mundo subterrâneo
Saturno, deus do tempo, Cupido, deus do amor Véstia, deusa da família.

Os deuses romanos tinham seus correspondentes gregos, como podemos ver no quadro a seguir.

Deuses gregos e seus correspondentes romanos

Com seu significativo crescimento, no século IV, o cristianismo passou a ser considerada religião oficial do Império Romano, sendo o politeísmo abandonado.

No mapa abaixo a localização das regiões onde se desenvolveram as civilizações da Antiguidade Ocidental: Civilização Grega e Civilização Romana.

Mapa com a localização das civilizações da Idade Antiga