
Como a Idade Média é dividida em dois períodos, Alta Idade Média (séculos V à X) e Baixa Idade Média (séculos XI à XV), assim também veremos como foi a economia nestes dois períodos.
Com a fragmentação do Império Romano do Ocidente começa a Alta Idade Média com suas características econômicas, que foram diminuição populacional, baixa produtividade, diminuição dos bens de consumo, pouca atividade comercial e baixa circulação da moeda.
As guerras com os povos bárbaros que invadiram o império, a fome causada pela pouca produtividade e as doenças foram as causas diretas da diminuição populacional que afetou a produção agrícola e artesanal. Aí começa o efeito dominó, a diminuição da população gera a falta de mão de obra que faz cair a produtividade, que gera a diminuição dos bens de consumo, que gera a diminuição da atividade comercial, que gera a baixa circulação da moeda. Estava instalada a crise econômica na Alta Idade Média, um período de retração que durou cinco séculos.
Como já vimos, a Alta Idade Média se caracterizava pelo desenvolvimento do feudalismo, base da economia agrária, portanto a economia se baseava na agricultura, voltada exclusivamente para o consumo próprio, o pouco excedente era comercializado entre os vizinhos na base de troca, portanto o comércio era estritamente regional.
O artesanato era produzido em pequena escala, portanto seu comércio era tímido e regional, o que fez o uso da moeda perder força, seu valor passava a ser o de reserva de fundos para necessidades emergenciais.
A partir do século VIII, com o crescimento da população, o artesanato começou a se desenvolver o que gerou um aumento do comércio, que já ultrapassava as fronteiras regionais.
Estamos chegando à Baixa Idade Média, quando a economia começa a crescer. Temos agora o contrário do efeito dominó, a produção agrícola aumenta, gerando o crescimento populacional, que gera aumento de mão de obra, que gera aumento da produtividade, que gera aumento da comercialização, que gera maior uso da moeda. A economia cresce na Baixa Idade Média.
A partir do século XI, a agricultura começou a ganhar força com o uso de novos implementos e novas técnica; começou-se a utilizar animais de tração que puxavam o arado e a charrua e foi implantado um sistema de rotatividade trienal nas plantações, que permitia o descanso do solo. Nesse sistema, as terras produtivas eram divididas em três grandes lotes: dois eram cultivados e o terceiro lote descansava durante um ano. Isso permitia ao solo recuperar os nutrientes e manter sua fertilidade.
Com o aumento da população houve a necessidade de ampliar as terras produtivas, o que ocorreu com a derrubada de florestas.
Além destas inovações, os agricultores puderam contar com um aumento da temperatura média, que permitiu melhores colheitas e ampliação das terras cultivadas, muitas regiões nada produziam devido ao frio intenso.
O aumento da produtividade permitiu aos feudos terem um pequeno excedente agrícola, que passou a ser comercializado.
As atividades comerciais também foram impulsionadas pelo crescimento da produção artesanal, pois o aumento de população gerou o êxodo rural, que levou as pessoas para as cidades, chamadas burgos, onde se dedicaram a outras ocupações.
Era um renascimento do comércio, o leque de mercadorias comercializadas se expandiu com mercadorias de luxo vindas do oriente e a implantação de feiras nos arredores dos burgos, que reforçou o crescimento das cidades.

Com o comércio em alta, o transporte de mercadorias teve um grande crescimento, com dois importantes polos, o polo do Mediterrâneo, com destaque das cidades de Genova e Veneza, controlado pelos mercadores italianos e o eixo nórdico, controlado pelos alemães, que formaram a Liga Hanseática.
Os mercadores destes dos eixos se encontravam, anualmente, em feiras realizadas na região de Champagne, na França. Os nobres da região expediam um salvo-conduto para que os comerciantes transitassem livremente, com suas mercadorias sem pagar impostos e com segurança.

O desenvolvimento comercial resultou no surgimento de uma nova classe social na Europa: a burguesia. Com o fortalecimento dessa classe, ela passou a rivalizar com a nobreza e o clero pelo poder sobre as grandes cidades europeias.

A economia da Europa, nesta fase da Idade Média ia muito bem até que sofreu forte impacto com a Crise do século XIV, da qual só se recuperou a partir do século XV.
Suas causas foram o resfriamento do clima e chuvas muito fortes, que ocasionaram colheitas ruins e, portanto, a diminuição da produtividade que gerou a fome; a revolta dos camponeses ricos que perderam seus privilégios e dos trabalhadores urbanos que sofriam com o desemprego e, principalmente, com a Peste Negra, uma epidemia que assolou a Europa, matando um terço da população.
A Peste Negra foi uma doença que assolou a Europa, mas que teve sua origem na Ásia, mais precisamente na China, vinda através das caravanas de comércio que atravessavam o Mar Mediterrâneo com destino a Veneza e Gênova.
Inicialmente a transmissão era feita por meio de ratos e pulgas infectados com o bacilo, mais tarde se propagando, até, por via aérea, através de espirros e perdigotos (salpico de saliva). Uma causa agravante da disseminação da doença eram as más condições de higiene da época. Os povos estrangeiros, principalmente os judeus, foram responsabilizados pela veiculação da doença.
A peste foi denominada “negra” porque começava com manchas negras que apareciam nos locais onde a afecção se localizava, seguidas de inchaço devido às grandes concentrações de gânglios no sistema linfático, chamados bubões, daí o nome da doença ser peste bubônica.

