Formação dos reinos ocidentais – França-Alemanha-Sacro Império Romano-Germânico

Reinos europeus formados pelos povos bárbaros

Reino dos francos

Os francos eram tribos bárbaras que se estabeleceram no Império Romano como federados (aqueles bárbaros que se estabeleciam em território do império e seguiam as leis romanas), na área que cobre a maior parte da França.

Por volta de 257, eram considerados poderosos inimigos de Roma, principalmente na região da Gália, por serem guerreiros reconhecidos por terra e mar, mas o imperador Maximiliano acabou assinando acordo que os tornava federados e soldados francos do exército romano.

A história do reino dos francos, na Idade Média, começa com Clóvis, rei que unificou a nação, expandiu o território e transformou a Igreja Católica em grande aliada, quando ele se converteu ao catolicismo. Foi o primeiro rei cristão da Europa.

Ter a Igreja Católica como aliada era muito importante para qualquer nação, pois a igreja tinha grande poder na Idade Média.

Clóvis, unificador do reino dos francos

A dinastia que Clóvis criou era chamada de dinastia dos Merovíngios, porque Clóvis era neto de Meroveu, e durou de 482 até 639 a.C., tendo seus reis sidos fracos e maus governantes a ponto de serem chamados “reis indolentes”.

Quando os muçulmanos invadiram a península ibérica e avançaram contra o reino dos francos, o Prefeito do Palácio era Carlos, depois chamado Carlos Martel, por causa da violência com que dava nos inimigos com seu martelo de guerra.

Os muçulmanos já haviam conquistado toda a região que é, hoje, Portugal e Espanha e adentravam o território do reino dos Francos, quando Carlos Martel os enfrentou e derrotou, por isso ele é lembrado como o homem que venceu a batalha de Poitiers em 732, e salvou a Europa do expansionismo muçulmano. A partir de então não houve mais invasões muçulmanas nos territórios francos, e a vitória de Carlos é considerada decisiva para a história medieval na medida em que conteve a expansão islâmica nas fronteiras francas.

Embora inicialmente lembrado simplesmente como o líder do exército cristão que prevaleceu em Poitiers, Carlos Martel foi um verdadeiro gigante do início da Idade Média.

. Um general brilhante numa época privada desse talento, ele é considerado o pai da cavalaria pesada ocidental, das ordens de cavalaria, catalisador do sistema feudal e fundador do Império Carolíngeo. Recebeu do Papa Gregório III o título de Herói da Cristandade.

Seu prestígio político era grande, mas ele não era rei, não morreu como rei, mas deixou seus poderes políticos para seu filho Pepino, o Breve, que se uniu à Igreja Católica para lutar contra os lombardos que ameaçavam o poder na igreja, venceu-os e doou os territórios conquistados à Igreja.

Com isso o Pepino conseguiu o apoio do Papa Zacarias e destronou o rei Childerico III, que se recolheu a um convento. Assim, fundou a dinastia dos Carolíngios, em 751.

Pepino, o Breve, daria o nome de Império Carolíngio devido a Carlos Martel e não devido a Carlos Magno, neto de Carlos Martel.

Antes de morrer Pepino, o Breve dividiu o reino entre seus dois filhos, Carlos Magno e Carlomano, porém o último morreu três anos depois e Carlos Magno passou a governar os dois reinos.

Carlos Magno Imperador do Sacro Império Romano

Carlos Magno foi um grande rei, que ampliou o território dos francos, fez com que os lombardos e os saxões se convertessem ao cristianismo, fez renascer as artes, a religião e a cultura, através da Igreja Católica abriu escolas e mosteiros, estimulou a tradução e a cópia de manuscritos antigos, protegeu artistas e criou as primeiras leis escritas da Idade Média, as capitulares.

Este interesse pela cultura contribuiu para a preservação e a transmissão de valores culturais e morais da antiguidade clássica, por isso o período foi chamado de renascença carolíngia.

É interessante ressaltar que este rei, grande protetor da cultura, era analfabeto.

Seu território ficou tão extenso que já não era um simples reino, era um império, tanto que em 800, o Papa Leão III o sagrou imperador do Novo Império Romano do Ocidente, com o nome de Sacro Império Romano.

O império não tinha capital fixa, sua sede era onde estava o imperador, e Carlos Magno vivia quase sempre em Aix-la-Chapelle, onde nasceu.

Império de Carlos Magno, chamado Sacro Império Romano

Para facilitar a administração do novo império, Carlos Magno criou um sistema de divisão das terras em ducados (governados por duques), condados (governados por condes) e marcas (governadas por marqueses).

Os duques e condes eram responsáveis pelos territórios do interior do império e aos marqueses cabia administrar e defender os territórios situados nas fronteiras do império, eles marcavam as fronteiras, daí o nome marcas e marqueses. Estes foram os primeiros títulos de nobreza.

Apesar dos administradores terem poder quase total, Carlos Magno criou os missi-dominici, que eram inspetores reais que viajavam por todo o império observando e controlando os governantes locais. Por serem governantes “diretos” do rei, os nobres entendiam que não tinham que obedecer aos missi dominicis, conflito que foi um elemento importante para criar a sociedade feudal, pois para contornar o impasse entre nobres e missi dominicis, Carlos Magno criou o sistema de conceder terras para os nobres. Desta forma eles não seriam governantes do rei, mas seus vassalos, com a obrigação de lhe deverem fidelidade e apoio.

Estava criado o sistema da vassalagem, consolidação da ideia feudalista de Carlos Martel, seu avô.

Carlos Magno foi um grande soberano, mas mesmo os grandes governantes encontram oposição. Como principal adversário de Carlos Magno estava o rei italiano Desidério. Ele queria que o papa Adriano I coroasse os filhos menores do antecessor de Carlos Magno como monarcas de partes do reino dos francos; era a política de dividir para ganhar.

Depois de derrotar Desidério, Carlos Magno fez com que a maior parte dos estados do norte da Itália ficassem sob controle dos francos. Ele, então, seguiu para Roma, onde encontrou-se com o papa. Lá, Carlos Magno descobriu que, a longo prazo, os objetivos de ambos eram muito compatíveis. A meta de Carlos Magno era se tornar o líder de um império que fosse tão vasto quanto o romano. E o papa Adriano I precisava de uma força política unificada e dominante que governasse a Europa e se aliasse à Igreja. Uma de suas principais tarefas seria proteger e expandir o Cristianismo do mesmo modo que os exércitos mouros difundiam o Islã. Assim, com a bênção papal, Carlos Magno acrescentou boa parte da Dinamarca, da Alemanha e da Europa central a um império que já incluía a França e um bom pedaço da Itália. E também reconquistou parte da Espanha dos mouros.

No Natal do ano 800 d.C., em Roma, enquanto assistia à missa, Carlos Magno viu-se inesperadamente coroado por Leão III, sucessor de Adriano I, como o “Imperador dos Romanos”. Com isso, o Império Romano do Ocidente, que deixara de existir 325 anos atrás, estava de volta ao cenário político mundial, dessa vez com o nome de Sacro Império Romano (mesmo que ainda não fosse “oficialmente” conhecido dessa forma). Embora só fosse reconhecido pelo governante do Império Romano do Oriente em 812 d.C., Carlos Magno rapidamente ganhou o respeito da maioria dos povos de seu império. Isso permitiu que a Europa novamente se transformasse num ambiente pacífico e unificado. Assim, a Pax Romana estava de volta ao continente europeu. Por isso, costuma-se dizer que o governo de Carlos Magno trouxe um momento de brilho no turbulento milênio que assolou a Europa após a queda do Império Romano.

Com a morte de Carlos Magno o poder passou para seu filho, Luiz I, o Piedoso, que ainda conseguiu manter a unidade política do império, mas os filhos de Luiz I, que lutavam entre si, enfraqueceram o poder real.

A morte de Luís significou o fim da unidade imperial. Seus três filhos repartiram o Império, no Tratado de Verdun, ficando Carlos, o Calvo, com a França Ocidental (que deu origem ao Reino da França); Luís, o Germânico, com a França Oriental (o futuro reino da Germânia); e Lotário, com a França Central, repartida após a sua morte, em 870, entre Carlos e Luís.

Mapa da divisão do império de Carlos Magno

Com esta divisão da parte central, entre Carlos e Luis, a região onde hoje está Paris ficou para Carlos. Ali foi criado o ducado da França, governado por Hugo Capeto, que depois da morte de Luis V, último rei da parte ocidental do império, é eleito rei, pelos nobres, dando início à dinastia capetíngia que durou 341 anos.

Foram 15 os reis da França da dinastia capetíngia, que conseguiram reforçar a autoridade real  e reunificar todo o reino, o que os consagrou como criadores da nação francesa.

 Alguns monarcas se destacaram na dinastia dos Capeto, como Luís VI que intensificou o processo de urbanização. Em seu reinado, surgiram às rivalidades entre o trono francês e o inglês.

Filipe II, obteve grandes vitórias sobre os reis ingleses Ricardo Coração de Leão e João Sem Terra.

Os domínios da França foram ampliados, consolidando- se o poder real e instalando-se a capital definitivamente em Paris.

O maior monarca da França medieval foi Luís IX, que participou da sétima cruzada, reorganizou a administração, impôs a justiça real, normalizou a circulação da moeda e fez da Universidade de Paris o maior centro de estudos jurídicos e teológicos da época.

O último rei da dinastia capetíngia foi Carlos IV, que morreu sem deixar herdeiros.

O mais próximo na linha de sucessão era o filho de Carlos de Valois, irmão de Felipe IV, que foi coroado como Felipe VI, dando início à dinastia de Valois.

Porém, surge um impasse, seu direito ao trono foi contestado pelo rei da Inglaterra, Eduardo III, o que deu origem à Guerra dos Cem Anos, que terminou com a vitória da França.

A autoridade do rei da França, então Carlos VII, deixou de ser contestada pelo rei da Inglaterra com a vitória dos franceses nas batalhas de Orléans e Patay, nas quais teve papel decisivo Joana d’Arc, heroína francesa.

Pintura da coroação de Carlos VII

Estava consolidado o Reino dos Francos, atual França

Reino da Germânia

O reino da Germânia (Alemanha) é uma sequência do antigo Sacro Império Romano, de Carlos Magno.

Com a morte de Carlos Magno o poder passou para seu filho, Luiz I, o Piedoso, que ainda conseguiu manter a unidade política do império, mas os filhos de Luiz I, que lutavam entre si, enfraqueceram o poder real.

A morte de Luís significou o fim da unidade imperial. Seus três filhos repartiram o Império, no Tratado de Verdun, ficando Carlos, o Calvo, com a França Ocidental (que deu origem ao Reino da França); Luís, o Germânico, com a França Oriental (o futuro reino da Alemanha); e Lotário, com a França Central, repartida após a sua morte, em 870, entre Carlos e Luís.

Mapa da divisão do império de Carlos Magno

Com a morte de Lotário foi acrescentada metade do território da França Central ao território de Carlos, o Calvo e metade ao território do reino de Luiz, o Germânico. Estavam assim formados os reinos da França e o reino da Alemanha. Esta última passa a ser uma monarquia eletiva e não sucessória, sendo eleito monarca, Otão I, duque da Saxônia que ficou sendo rei da Alemanha e Itália (a Itália fazia parte da França Central, que foi incorporada na França Oriental).

Em 936, Otão I, o Grande foi coroado rei em Aachen e iniciou o que seria um grande império.

No seu banquete de coroação, Otão fez com que os outros quatro duques do império, os duques da Francônia, Suábia, Baviera e Lorena, o servissem como seus atendentes pessoais, seguindo a tradição carolíngia. Assim, no começo de seu reinado, ele indicou que era o sucessor de Carlos Magno.

Otão pretendia dominar a igreja e usá-la como uma instituição unificadora nas terras alemãs para estabelecer um poder imperial teocrático. A igreja oferecia bens, poder militar e seu monopólio da educação. O imperador oferecia poder e proteção contra os nobres.

Para isto fortaleceu a autoridade real ao nomear bispos e abades como príncipes do império estabelecendo uma igreja nacional.

Apesar de sua atitude no banquete de coroação, alguns duques se rebelaram contra a autoridade real de Otão. Primeiro foi o duque da Baviera, que se recusou a reconhece-lo como rei; em seguida o duque da Francônia iniciou uma revolta, com a ajuda da nobreza saxã, que reconhecia Thankmar, irmão de Otão, com mais direitos ao trono; depois veio o duque de Lorena, que jurou fidelidade ao rei Luís IV, da França; ao mesmo tempo em que Henrique, irmão mais novo de Otão tentou assassiná-lo. Esta série de rebeliões terminou com a vitória de Otão e as seguintes consequências: Os duques da Francônia e de Lorena pereceram na luta, Henrique fugiu para a França, o rei Luís IV teve Otão contra ele na disputa com Hugo, o Grande, que disputava o trono francês.

Em 941, Otão e Henrique se reconciliaram através dos esforços de sua mãe e no ano seguinte, Otão saiu da França após Luís reconhecer sua suserania sobre o Ducado da Lorena.

Para evitar mais revoltas, Otão arranjou que todos os ducados importantes no Reino Alemão pertencessem a membros próximos de sua família. Ele manteve o ducado que se tornou vacante da Francônia como seu feudo particular e deu a Conrado, o Vermelho o ducado de Lorena. Conrado posteriormente casou-se com sua filha Luitgarda e um arranjo similar levou Henrique a tornar-se duque da Baviera em 949. O rei Luís IV da França se casou com a irmã de Otão, Gerberga, em 939, e Liudolfo, filho de Otão, casou-se com Ida, filha de Hermano I, duque da Suábia, em 947. O primeiro prendeu, dinasticamente, a casa real de Francia Ocidental à da Francia Oriental e o segundo assegurou a sucessão de seu filho ao Ducado da Suábia, pois Hermano não tinha filhos. Os planos de Otão concretizaram-se quando, em 950, Liudolfo se tornou duque da Suábia e, em 954, o sobrinho de Otão, Lotário de França, se tornou rei da França.

A 29 de janeiro de 946, Edite morreu repentinamente aos 35 anos, e Otão, em 951, casou-se com Adelaide de Borgonha, viúva do rei dos lombardos, recebendo então a coroa lombarda.

Otão I, o Grande, já era um grande rei, mas ideias oriundas do Sacro Império Romano levaram-no a pensar em constituir e reviver o antigo império romano, agora sob o nome de Sacro Império Romano-Germânico.

O que levou à criação deste império foram as mesmas ideias que criaram o Sacro Império Romano, reviver a tradição do antigo Império Romano, promover a união da Cristandade sob um só poder e o desejo de uma Europa unida sob um só governo. Este projeto político, todavia, estava entravado pela fragmentação do poder e feudalização da Europa, ao passo que a unificação religiosa parecia mais fácil, o caminho mais viável para a concretização da ideia.

Otão estava perfeitamente imbuído do espírito e mentalidade da época, sonhando restaurar a antiga unidade imperial e cristã romana no Ocidente. Assim, na sequência de uma série de conquistas seu poder e influência se tornaram maiores, quando derrotou os húngaros e subjugou os eslavos, que ameaçavam invadir a Germânia. O terreno político estava preparado e após Otão afirmar ao papa João XII que faria a independência dos estados pontifícios a ratificação da formação do império foi selada.

Em 962, foi coroado imperador, em Roma, a exemplo de Carlos Magno, se intitulando Imperator Augustus, além de se afirmar como enviado por Deus para unir a Cristandade.

Nascia o Sacro Império Romano Germânico.

Mais tarde, seu filho se intitula, na senda do renascimento do Império Romano, Imperator Romanorum (Imperador dos Romanos).

Otão III, filho do anterior, instala-se mesmo em Roma em 998, fazendo eleger papa o seu amigo Gerberto, ou Silvestre II, pontífice do ano 1000.

Estava consolidado o antigo império romano, cujas principais características foram: a divisão em territórios e principados; uma regência realizada por príncipes , condes ou cavaleiros imperiais, durante a vacância do cargo de Imperados, pois a sucessão era eletiva e não dinástica; era uma confederação, daí a escolha eletiva; sofria influência direta do papa, portanto o poder real era subordinado à autoridade divina, havendo, portanto, uma união entre a Igreja e o Estado e, principalmente, os imperadores se consideravam continuadores dos imperadores romanos na defesa do governo e apoio à Igreja. Além disso, tinha uma composição étnica diversa, diversidade cultural, diversidade linguística, modo de produção feudal e o comércio apresentava um sistema administrativo e judicial.

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