
Reino dos anglo-saxões
A história da Inglaterra geralmente começa a ser contada a partir da habitação dos povos celtas, que povoaram o território inglês desde o século 5 a.C.

Os celtas eram um conjunto de tribos que ocuparam todo o território onde é hoje a Inglaterra.
Viviam em tribos rivais entre si, sendo comandados por um chefe ou rei. Assim, aconteceu que tribos denominadas bretões, de origem celta, lutaram contra as outras tribos celtas para demarcar seus territórios, ficando os bretões na região centro-sul da ilha.
Durante muito tempo a luta entre bretões e celtas continuou sem uma definição de vitória, viviam em escaramuças constantes, parecendo que lutavam pelo prazer de lutar entre si. Não houve vencedores e vencidos. O nome antigo da Inglaterra, Britânia, vem dos bretões, por isso a ilha onde a Inglaterra está situada se chama Bretanha.
Ali viveram até a chegada dos romanos, em 43 a.C., quando o imperador romano, Cláudio, os derrotou e dominou toda a ilha.
É interessante, abrir aqui um apêndice para falar de um personagem lendário, ou não, não se sabe, mas que está no imaginário de todos, o Rei Artur da Távola Redonda.
Tudo indica que ele não passa de uma lenda. Não existe nenhum registro histórico desse personagem, que teria vivido entre o final do século V e o início do século VI, no País de Gales ou no norte da Grã-Bretanha, exceto dois compêndios de relatos militares, sugerindo que Artur teria liderado o povo celta-bretão em duas batalhas vitoriosas contra os invasores saxões vindos do continente.
Verdadeira ou falsa, essa história começou a se popularizar na Europa do século XII com o livro História dos Reis da Bretanha, do inglês Geoffrey de Monmouth, que narrava várias aventuras protagonizadas por Artur e seus cavaleiros. A partir daí, o mito foi adotado e expandido por diversos dos chamados romances de cavalaria.
Lenda ou história, Artur teria nascido no castelo de Tintagel, na Cornualha, no sudoeste da Inglaterra e se reunia com seus cavaleiros em Camelot, onde havia a Távola Redonda, uma mesa redonda para essas reuniões.
Acontece que escavações e análises feitas no final dos anos 1990 nessa região mostraram que, de fato, Tintagel foi o lar de um nobre poderoso no fim do século 5.
Outra coincidência é sobre a lendária Camelot, onde ficava a Távola Redonda, local de encontro dos cavaleiros do rei Artur, a cem quilômetros de Tintagel.
Era um colosso com muralhas de madeira e pedra que iam subindo, em círculos, as encostas de uma colina até terminar num portão, cercado por torres.
Escavações feitas desde os anos 1960 têm mostrado uma região semelhante a Camelot.
Lenda ou história, passemos a ela.
Artur seria filho de Uther Pendagron, rei da Bretanha, com Igraine, esposa de seu inimigo Gorlois, união concebida no castelo de Tintagel, onde Artur nasceu.
Artur tinha um grande amigo, Merlin, um mago cheio de poderes que o ajudava e orientava.
Embora Artur fosse cristão fervoroso, acreditava nas magias da religião dos celtas.
O prudente mago Merlin aconselhou que a criança deveria ser educada num local secreto e que ninguém deveria saber a sua verdadeira identidade.
Com a morte de Uther Pendragon, a Grã-Bretanha ficou sem rei.
O amigo de Artur, com poderes mágicos cravou uma espada em um rochedo, na qual estava escrito, em letras de ouro, “Qualquer um que extrair esta espada desta pedra será o rei da Inglaterra por direito de nascimento”. Muitos tentaram o feito, mas ninguém teve êxito, até que Artur retirou a espada e foi coroado por Merlin.
Mais tarde, em luta com o rei Pellionere, a espade se partiu, mas, novamente Merlin entra em cena, leva Artur a um lago onde uma mão misteriosa emergiu das águas e lhe entregou a famosa Excalibur.
Com esta espada Artur tornou-se invencível em combate.
Assim que subiu ao trono, Arthur teria escolhido a princesa Guinevere para ser sua esposa, contra a vontade de Merlin, que previa uma traição, o que veio a acontecer; Guinevere se apaixonou pelo melhor amigo de Artur, Lancelot.
Como dote, Arthur recebeu do pai da moça a grandiosa Távola Redonda, que foi colocada no castelo de Camelot, e cem cavaleiros, onde ele estabeleceu sua corte.
A távola redonda era uma imensa mesa redonda, que tinha este formato para remeter à ideia de que todos eram iguais.

Os Cavaleiros da Távola Redonda, como ficaram conhecidos, defenderam o povo da Grã-Bretanha contra dragões, gigantes e cavaleiros negros.
Eles também procuraram um tesouro perdido: a taça utilizada por Cristo na última ceia, conhecida como Santo Graal.
A morte de Artur está imersa em mistério, pois em combate ele mata seu sobrinho, Mordred, que o havia traído, mas é por ele ferido e levado para Avalon, de onde nunca mais se soube notícia.
Voltemos à história do reino dos anglos-saxões.
A invasão e domínio romano não encontrou muita resistência, pois a maioria dos senhores tribais celta-britânicos percebeu que colaborar com os invasores era mais vantajoso do que lutar.
Os romanos ali permaneceram por mais de quatrocentos anos e sua influência nos costumes dos tribais foi relativa. A população celta-britânica, que vivia no campo não foi muito influenciada, mas os romanos-britânicos, aqueles que receberam maior influência romana, desenvolveram portos e cidades, como Londinium, o embrião da capital da Inglaterra.
Após quatrocentos anos de domínio, os romanos simplesmente abandonaram a colônia Britânica, porque tiveram que voltar ao centro do império para defende-lo das invasões bárbaras. Isto aconteceu por volta de 410.

Agora chegamos ao ponto da invasão dos anglo-saxões e da formação do seu reino.
A história do reino dos anglo-saxões, na Idade Média, começa com a invasão dos anglos e saxões, tribos bárbaras germânicas, provenientes da atual Alemanha e dos jutos, provenientes da Jutlândia, na Dinamarca. Com o tempo, o nome anglo-saxão começou a ser usado para designar todos os que viviam na Inglaterra, como os anglos, os saxões e os jutos misturados com outros invasores e os bretões originais.
Com a partida dos guerreiros romanos os bretões celtas ficaram desguarnecidos das invasões e apesar da feroz resistência dos bretões eles foram empurrados para o lado ocidental da ilha.
Os jutos se estabeleceram no sul da ilha, onde fundaram o reino de Kent; também no sul, os saxões fundaram os reinos de Essex, Wessex e Susex; ficando os anglos no centro e no leste, onde fundaram os reinos de Ânglia Oriental, Nortumbria e Mércia.
Então os anglo-saxões se estabeleceram no que é hoje a Inglaterra e formaram diversos reinos independentes, os reinos da chamada Heptarquia, (Nortúmbria, Ânglia Oriental, Mércia, Essex, Kent, Sussex e Wessex), que unidos viriam a constituir a Inglaterra.

Em 829, a Nortumbria se sujeitou a Egberto de Wessex, que a unindo aos outros seis reinos formou a suserania da Inglaterra.
Suserania é um território governado por um suserano, e suserano é um senhor feudal, um soberano que tem vassalagem de Estados aparentemente autônomos.
Então, em 829, Egberto de Wessex se tornou Bretwalda (sobresenhor da Bretanha). É, por isso, considerado o primeiro rei inglês.
O título de “Rei de Inglaterra” surgiu duas gerações mais tarde com Alfredo, o Grande (871/899), que com a ajuda da Igreja e de nobres menores, pois os mais poderosos o haviam traído, venceu os vikings, que estavam tentando invadir a ilha.
Assim, Alfredo foi considerado o fundador do Reino da Inglaterra, e iniciador do império britânico, por ter organizado o reino, construindo estradas, escolas, um exército permanente, moeda única e fomentado o comércio.
Carlos Magno e Alfredo, o Grande, são considerados os mais notáveis monarcas daquele século.
Foi considerado o oitavo maior rei britânico da história e o único que tem o cognome de O Grande.

Sua dinastia foi a primeira na história do Reino da Inglaterra, mas não durou muito.
Após a morte de Alfredo, o Grande, os dinamarqueses voltaram a invadir o reino, e o rei Eduardo, chamado o Confessor, bisneto de Alfredo, fugiu com a família para a Normandia, na França.
Eduardo, o Confessor, que foi canonizado pela Igreja, conseguiu reconquistar o reino com a ajuda nos normandos e dos dinamarqueses “civilizados”, estabelecidos no norte da França.
Para conseguir a ajuda dos normandos, ele prometeu que seu sucessor seria o duque normando, Guilherme, sobrinho de Eduardo.
Quando Eduardo morreu o seu primo Guilherme, duque da Normandia, declarou-se seu sucessor baseado na alegada promessa de Eduardo em lhe deixar a coroa de Inglaterra. Porém os nobres ingleses não concordaram com a alegação e elegeram rei a Haroldo II, filho de Goduíno de Wessex.
Em resposta, Guilherme invadiu a Inglaterra e derrotou Haroldo II, se tornando rei com o nome de Guilherme, o Conquistador e criando a dinastia dos Plantagenetas, que teve este nome porque Guilherme usava, sempre, um ramo desta planta atrás da orelha.
Este, autorizado pelo Papa e pelo rei francês, conquistou o reino e fundou a primeira dinastia a se proclamar senhora da Inglaterra.

Estava consolidado o reino da Inglaterra.
Reino de Portugal
Para falar da formação do reino de Portugal precisamos falar sobre os povos que viveram na Península Ibérica até o início da Idade Média.
O início da formação do reino de Portugal é semelhante ao início da formação do reino da Espanha, os primeiros povos que habitaram a península Ibérica foram os iberos e os celtas e como na história de Portugal, a formação do reino espanhol está intimamente ligada à invasão árabe e a guerra da Reconquista
Antes do reino de Portugal nasceu a palavra lusitano, que designava uma das populações que habitou a região do rio Tejo, proveniente do povo celta, que entrou na península no século VI a. C.
Quando as primeiras migrações celtas chegaram, ali já estavam instalados os iberos, desde há alguns milênios, mas como havia espaço para todos, a instalação celta foi pacífica. Quando os romanos invadiram a península, em 206 a.C., iberos e celtas se uniram no propósito comum de repelir a invasão, propósito que não foi concluído, pois os romanos venceram, se instalaram na península e a dividiram em três grandes províncias, Tarraconense, Bética e Lusitânia. Esta última compreendia os atuais centro e sul de Portugal
Os romanos ocuparam a foz dos rios e ali instalaram seus materiais para a produção do “garo”, um tempero muito apreciado em todo Império, feito de sangue, vísceras e de outras partes selecionadas do atum ou da cavala misturadas com peixes pequenos, crustáceos e molus-cos esmagados. Nesta época, a cidade do Porto era um importante centro comercial que se localizava na foz do rio Douro, onde foi instalado um posto fiscal (Portus Cale), vocábulo falado pela primeira e que provavelmente deu origem ao nome de Portugal
Durante as invasões bárbaras, a região foi invadida duas vezes, em 409, pelos vândalos e suevos, que se instalaram na Lusitânia e fundaram um reino a noroeste do rio Tejo e em 565, pelos visigodos, que haviam se tornado cristãos.
Neste momento da história já estamos na Idade Média, que é quando realmente começa a ser contada a história da formação do reino de Portugal, que está intimamente ligada às invasões árabes, no século VIII.
Tarique, líder muçulmano, do império islâmico do Oriente, atravessa o estreito de Gibraltar e ocupa a maior parte da península Ibérica em nome de Alá e Maomé, onde permanecem por sete séculos. Apenas a região das Astúrias, onde se refugiaram os visigodos, permanece fora do controle árabe e se torna um centro de resistência. Ali, os visigodos formaram quatro reinos cristãos, Leão, Castela, Navarra e Aragão, e iniciaram a expulsão dos árabes, cuja guerra santa teve o nome de Reconquista. Foi uma espécie de Cruzada, para a qual o papa convocava os nobres da Europa.
Durante essa guerra, a cidade do Porto, que havia caído nas mãos dos muçulmanos, foi retomada pelos cristãos em 868, e a partir de então, a região passou a ser chamada de Portucale. Ainda hoje, os especialistas discutem sobre a origem desse nome. A explicação mais aceita é a de que a palavra seja composta de portus (do latim, “porto”) e kalos (do grego, “belo”), portanto, “Porto Belo”. Há também, a versão de que o Porto era um porto fiscal, Porto Cale, como já vimos acima.
Durante a Guerra da Reconquista, Portucale foi um importante centro de expansão cristã, sob a direção militar dos reinos de Leão e Castela (que formariam, futuramente, a Espanha), pois Portucale era um condado do reino da Galícia, criado em 910. Em 1065, com a morte de D. Fernando I de Leão, seu reino é dividido entre seus três filhos. Um deles, D. Afonso VI, herda o reino de Castela, e mais tarde, anexa-lhe o reino de Leão e Galícia e com a Galícia vai o condado Portucalense.
As conquistas de D. Afonso VI aumentaram as lutas entre muçulmanos e cristãos. Estes tiveram que recorrer a cristãos de outras terras a fim de combatê-los. Um dos aliados foi D. Henrique, nobre francês de Borgonha, condado da França.

Durante a Reconquista, o papa Urbano II iniciou as chamadas Cruzadas da Reconquista, para as quais convocava a pequena nobreza da Europa, em troca de terras e títulos de nobreza,
D. Afonso VI fez aliança com a Ordem de Cluny (ordem religiosa da Borgonha francesa, que tinha como um de seus propósitos a luta contra os infiéis) e com o papado, a fim de ter apoio na Reconquista.
Dom Henrique de Borgonha, apesar de ser sobrinho do papa, era o filho mais novo de sua família, portanto sem direito a herança, e resolveu se arriscar na guerra da Península Ibérica. Depois de vitórias contra os muçulmanos acabou por ganhar em casamento dona Tareja (filha mais nova de d. Afonso VI), e pouco tempo depois recebeu as Terras Portucalenses, que passaram a se chamar Condado Portucalense. Dom Henrique ganhava, assim, o título de conde. O conde d. Henrique ampliou a importância do condado durante as guerras contra os muçulmanos e buscou ampliar sua autonomia em relação aos castelhanos e leoneses.
O condado, por essa época, já tinha sua população distribuída e organizada a partir de suas prioridades econômicas (e essa divisão será um marco na história de Portugal): no litoral se localizavam os pescadores, os mercadores e os pequenos artesãos, e no interior se localizava a nobreza feudal, de origem castelhana e leonesa. D. Henrique tinha grande apoio entre a população do litoral, que lutava por autonomia, mas era mal visto pela nobreza do interior, que estava ligada por laços sanguíneos a Castela e Leão.
Com a sua morte, o Condado passou para seu filho Afonso Henriques, que, em 1139, proclamou a independência em relação a Castela e Leão, centralizando o poder político em suas mãos. Isso significou que, no século XII, enquanto a Europa se subdividia em vários feudos. Portugal tornava-se uma monarquia nacional em torno de Afonso Henriques.
Para unificar a nobreza em torno de um objetivo comum, pois como já vimos, a nobreza era ligada a Castela e Leão, Afonso Henriques empreendeu uma guerra contra os invasores árabes ao sul de Portugal, em Algarves.
Quando, em 1112, dom Henrique faleceu, dona Tareja passou a governar o condado de acordo com os interesses da nobreza, pois era descendente de Afonso VI, gerando o descontentamento de mercadores e artesãos do litoral, que era a burguesia. Seu filho, D. Afonso Henriques, que seguia a linha de pensamento de seu par, embora tivesse apenas 14 anos, lutou por manter o processo de autonomia iniciado por seu pai. Nestas lutas, venceu a nobreza aliada a Da. Tareja e mais tarde os muçulmanos, conquistando a independência da região, que em 1143 passou a se chamar Reino de Portugal.
Assim se iniciava a monarquia portuguesa, com a dinastia de Borgonha.

Vale a pena fazer, aqui, um apêndice para falar de uma batalha que se tornou emblemática na história de Portugal, mas que para muitos, além de ser lendária é uma lenda, a Batalha de Ourique.
A batalha de Ourique, ocorrida em 1139, reveste-se da maior importância para a independência e afirmação de Portugal como nação independente. Ela determina não o momento de afirmação da independência, mas o momento da justificação divina para a existência de um país independente, reconhecido pelo próprio Deus dos cristãos.
A Batalha de Ourique desenrolou-se muito provavelmente nos campos de Ourique no atual Alentejo , mais precisamente em Castro Verde , em 25 de Julho de 1139 — significativamente, de acordo com a tradição, no dia do provável aniversário do primeiro rei de Portugal , que a lenda popular tinha tornado patrono da luta contra os mouros; um dos nomes populares do santo, era precisamente Matamouros .A batalha está envolvida em mistério, havendo mesmo quem afirme que efectivamente nunca ocorreu, pelo menos da forma como se julga.
A batalha ocorreu a 25 de Julho de 1139, num local que as fontes denominam de Ourique (Aulic, Oric, Ouric), que na altura estaria no território controlado pelos muçulmanos. Na batalha, D. Afonso Henriques terá defrontado os exércitos de cinco taifas, ou reinos muçulmanos, vindos de Sevilha, Badajoz, Elvas, Beja e Évora. A batalha terá ocorrido durante uma das muitas «correrias» que tinham lugar naquele tempo durante a Primavera e o Verão, durante as quais se aproveitava para atacar os muito divididos reinos muçulmanos da península.
Segundo a lenda – que viria a condicionar a História – as forças muçulmanas eram claramente superiores às forças portuguesas e a certeza da derrota tinha-se apoderado do pequeno exército comandado por D. Afonso Henriques.
O futuro rei, terá tido uma visão na véspera da esperada batalha, em que um eremita e depois o próprio Jesus Cristo terá aparecido e profetizado que D. Afonso Henriques sob o sinal da cruz, seria Rei, e que o seu reino se expandiria pelos lugares mais estranhos e recônditos do mundo, para espalhar a fé cristã e a palavra de Cristo.
A batalha foi ganha pelas forças portuguesas, e é a partir de aí, que embora não reconhecido, D. Afonso Henriques se proclama «Rex», e já não «Princeps».
A batalha de Ourique, tenha ou não ocorrido conforme as lendas e tradições indicam, tem no entanto a maior importância histórica porque ela marca o início de uma lenda que suporta e justifica mais tarde o direito de D. Afonso Henriques a declarar-se Rei de Portugal, garantindo assim definitivamente a separação de Portugal do Reino de Leão.
«IN HOC SIGNO VINCES»
A importância da batalha, ficou marcada ainda pela referência à frase que Cristo terá proferido perante Constantino o Imperador de Roma e que é comum em várias culturas europeias em que Cristo promete a vitória àqueles que defenderem a Cruz: IN HOC SIGNO VINCES», ou Com este sinal vencerás.
Por causa dessa referência, as armas e escudo armorial de Portugal, mantêm desde então e até hoje, cinco escudetes posicionados em forma de cruz, representando cada um dos cinco reinos derrotados na batalha. Sobre esses cinco escudetes, estão inscritos besantes em número variável (inicialmente onze em cada escudete), que significavam, que por direito divino D. Afonso Henriques era Rei, e que por isso tinha direito a cunhar a sua própria moeda.
Posteriormente, foi estabelecido o número de cinco besantes (em vez de onze) sobre cada um dos escudetes, passando a contar-se segundo a tradição duas vezes os besantes do escudete central, totalizando assim o número de trinta, que significará as trinta moedas pelas quais Judas vendeu Cristo. Essa simbologia foi continuamente mantida durante os quase novecentos anos de existência do país.
Extremamente importante do ponto de vista histórico, a batalha não tem, porém qualquer relevância do ponto de vista militar, porque não há qualquer referência a que tenha alterado nenhum equilíbrio estratégico na região.
Fontes:
História de Portugal – A.H. Oliveira Marques

Voltemos à nossa história de Portugal
O rei D. Afonso VII o reconhece como soberano através do Tratado de Zamora, em 1143 e o Papa Alexandre III o fará, em 1179.
Na dinastia de Borgonha o poder foi centralizado nas mãos do rei, que conseguiu o reconhecimento de sua soberania ante os outros reinos e o papado, criou impostos sobre o lucro dos mercadores, venceu e expulsou os muçulmanos do território português e anexou o Algarve.
No reinado de D. Dinis se oficializou a língua portuguesa, foi fundada a Universidade de Lisboa e a economia cresceu com as atividades mercantis.
A atividade mercantil portuguesa foi também estimulada por conflitos externos que ocorriam por toda a Europa devido à superexploração dos servos, às constantes rivalidades entre os senhores feudais e à fome, que provocavam revoltas camponesas pelo interior europeu.
A Guerra dos Cem Anos, no século XIV, dificultou o comércio pelas estradas do interior, o que levou os mercadores italianos e flamengos a utilizar o trajeto marítimo via Atlântico, ligando as cidades italianas às cidades do mar do Norte e tendo como parada obrigatória os portos portugueses, o que fortalecia a burguesia mercantil, que, ligada à navegação, acabou por se tornar um dos mais importantes pontos de apoio do rei.
Esta dinastia durou 243 anos e terminou com a morte de D. Fernando, sem deixar herdeiro homem, sua única filha era casada com d. Juan I, rei de Castela.
Começa, novamente a questão entre nobres e burgueses, pois a nobreza portuguesa queria que a filha de D. Fernando herdasse o trono, que passaria, assim, para o rei de Castela e os comerciantes do litoral defendiam a independência de Portugal, com D. João, Mestre de Avis, irmão ilegítimo de D. Fernando, como herdeiro do trono.
Iniciou-se uma guerra entre Castela e Portugal, que foi vencida pelos portugueses, com a ajuda dos ingleses, levados à guerra, principalmente, por causa das relações comerciais estabelecidas com os mercadores de Portugal.
Terminava a dinastia de Borgonha. A nova família real, a dinastia de Avis, além de receber amplo apoio dos mercadores portugueses, passava a governar um Estado centralizado e bem administrado.

Estava consolidado o reino de Portugal.
Reino da Espanha
Para falar da formação do reino da Espanha precisamos falar sobre os povos que viveram na Península Ibérica até o início da Idade Média.
O início da formação do reino da Espanha é semelhante ao início da formação do reino de Portugal, os primeiros povos que habitaram a península Ibérica foram os iberos e os celtas e como na história de Portugal, a formação do reino espanhol está intimamente ligada à invasão árabe e a guerra da Reconquista
Quando as primeiras migrações celtas chegaram, ali já estavam instalados os iberos, desde há alguns milênios, mas como havia espaço para todos, a instalação celta foi pacífica. Quando os romanos invadiram a península, em 206 a.C., iberos e celtas se uniram no propósito comum de repelir a invasão, propósito que não foi concluído, pois os romanos venceram, se instalaram na península e a dividiram em três grandes províncias, Tarraconense, Bética e Lusitânia. Esta última compreendia os atuais centro e sul de Portugal.
Durante as invasões bárbaras, a região foi invadida duas vezes, em 409, pelos vândalos e suevos, que se instalaram na Lusitânia e fundaram um reino a noroeste do rio Tejo e em 565, pelos visigodos, que haviam se tornado cristãos.
Neste momento da história já estamos na Idade Média, que é quando realmente começa a ser contada a história da formação do reino de Portugal, que está intimamente ligada às invasões árabes, no século VIII.
Tarique, líder muçulmano, do império islâmico do Oriente, atravessa o estreito de Gibraltar e ocupa a maior parte da península Ibérica em nome de Alá e Maomé, onde permanecem por sete séculos. Apenas a região das Astúrias, onde se refugiaram os visigodos, permanece fora do controle árabe e se torna um centro de resistência. Ali, os visigodos formaram quatro reinos cristãos, Leão, Castela, Navarra e Aragão, e iniciaram a expulsão dos árabes, cuja guerra santa teve o nome de Reconquista.
Os primeiros focos de resistência a conseguir expulsar os mouros e conquistar sua independência foram o condado Portucalense, que se tornou o reino de Portugal e o reino de Castela. A Reconquista dos outros territórios da península foi mais demorada, se efetivando realmente no século XII, quando os cristãos foram avançando e conseguindo conquistar as regiões da Meseta Central e de Al-Andaluz, culminando na expulsão dos mouros da Andaluzia. Apenas o reino de Granada ficou em poder dos mouros.
Com a saída dos muçulmanos, a península se tornou uma enorme mistura de povos e culturas, com seu território dividido nos reinos da Galícia, Astúrias, Leão, Castela, Navarra, Aragão e Catalunha e por muito tempo foi assim, até que Isabel, futura rainha de Castela, conheceu o rei Fernando II, de Aragão, e um casamento aconteceu. Dessa união, resultou a formação da Monarquia Espanhola, que no ano de 1492 expulsou o último reduto islâmico do sul da Península Ibérica.
Começa, então, a verdadeira história do reino de Espanha, que sintetiza a justificativa para a Reconquista; a Espanha formava uma unidade real conquistada pelos godos e ratificada pelos Concílios de Toledo, até que foi usurpada pela invasão muçulmana e reedificada pelos cristãos como reino incontestável dos castelhanos.
A formação do reino da Espanha começa, então, com o casamento de Fernando de Aragão com Isabel de Castela. Mas quem foi Isabel de Castela.

Vamos voltar um pouco no tempo para descobrir como foi o início da vida dessa rainha, que mais tarde receberia a alcunha de “a Católica”. Isabel foi a terceira filha do rei Juan II e estava com três anos de idade quando seu pai faleceu. Enquanto Henrique, seu irmão mais velho, herdava o trono de Castela, ela teve que ir morar na aldeia de Arévalo. Dez anos se passaram até que Isabel pudesse voltar para a corte sob a tutela de seu irmão Henrique, mas não demorou muito para que o rei fosse deposto e seu irmão mais novo, Afonso, tomasse seu lugar. Essa conspiração ocorreu somente por que Afonso tinha apenas 11 anos de idade e seria facilmente manipulado pelos nobres que desejavam o poder. Esse arranjo durou apenas três anos e terminou com a morte inesperada de Afonso.
Os conspiradores voltaram então seus olhos para Isabel e a coroaram “princesa das Astúrias”, pensando que uma menina com apenas 16 anos poderia ser controlada com facilidade. Mas estavam enganados
Castela e Aragão eram os reinos católicos mais influentes da região, que desde o início da Guerra da Reconquista lideravam os hispânicos contra os invasores mouros. Isabel sabia que precisava de um aliado poderoso para conseguir reinar com segurança e por essa razão, dentre vários pretendentes, escolheu o rei Fernando II de Aragão. Casaram-se em 1469 e deram início à formação do Reino da Espanha.

Desde o princípio, o processo de centralização política que propuseram foi lento e marcado por conflitos, pois as ligas dos nobres, chamadas banderías, se recusavam a aceitar o domínio castelhano e aragonês. Mas Isabel e Fernando, que eram chamados de os Reis Católicos, souberam canalizar os interesses militaristas e religiosos dos hispânicos para a Guerra da Reconquista contra os inimigos mouros. Enquanto esse objetivo não era alcançado, os Reis Católicos cuidavam de outras frentes e em 1474 enviaram uma expedição para conquistar as Ilhas Canárias, primeira etapa da expansão marítima espanhola. Em razão desse episódio, foi assinado com Portugal em 1479 o Tratado de Alcáçovas, que garantiu para o reino espanhol o domínio marítimo atlântico até aquele arquipélago
Se esse acordo abria as portas para futuras conquistas espanholas, vale lembrar que ele também influenciou bastante a expansão marítima portuguesa, ao estabelecer que a partir do sul das Ilhas Canárias o direito de exploração fosse de Portugal.
Em 1492, o reino mouro de Granada foi tomado pelos espanhóis e unido ao reino cristão de Isabel e Fernando, que puderam enfim celebrar o triunfo da união espanhola.
Estratégias para a unificação
O Estado espanhol que se formava era católico e intimamente ligado ao papa Alexandre VI, um espanhol eleito papa em 1492. Essa aliança entre os reis e a Igreja fez que a Inquisição se instaurasse com grande força na Espanha, exercendo muitas vezes o papel de perseguidora política, em defesa dos interesses dos Reis Católicos. Por outro lado, a Universidade de Salamanca, em Castela, era um importante centro de estudos humanistas e foi responsável pelas maiores contribuições para as leis que garantiam a centralização política espanhola e para o desenvolvimento de estudos náuticos e geográficos, que seriam muito úteis para a expansão marítima da Espanha. Foi lá, que após a conquista da América, se formularam as leis garantindo os direitos espanhóis sobre as terras e os povos conquistados.
Ao mesmo tempo em que procuravam aumentar seu poder por meio de conquistas territoriais e expansão marítima, no âmbito interno os Reis Católicos buscavam uma identidade cultural entre os hispânicos, incentivando o preconceito, principalmente contra os negros, mouros, judeus e ciganos.
Fiéis à sua estratégia para unificação do reino, no mesmo ano em que venceram os mouros em Granada, decretaram a expulsão dos judeus e dos mouros que não aceitavam se converter ao catolicismo. Nessa mesma época, Fernando II iniciou expedições militares rumo à Itália e suas vitórias levariam Nápoles e a Sicília a se submeterem à Espanha. Dessas campanhas participaram vários futuros conquistadores da América, entre eles Hernán Cortes. Coroando um ano excepcional, foi também em 1492 que os reis espanhóis financiaram Cristóvão Colombo em sua busca das Índias. Colombo daria para o reino espanhol o poder que nenhum outro reino europeu possuía: colônias riquíssimas em ouro e prata, além de terras férteis e povos para serem explorados.

Em resumo, o reinado de Isabel e Fernando II ficou marcado na história por seu empenho pela unificação e expansão da Espanha e ao fazer isso os seus atos sempre estiveram envolvidos com as seguintes questões: luta pela centralização política e unificação cultural, baseada na intolerância religiosa e no militarismo; desenvolvimento científico e humanista amparados pela Universidade de Salamanca; guerras pela conquista de regiões italianas e expansão marítima e comercial incentivadas pela concorrência com Portugal.
Estava consolidado o Reino da Espanha
