
Idade da Pedra
Foi na pré-história, a primeira parte da História da Humanidade, que o Homem surgiu na Terra, evoluiu até ter as mesmas características que nós, homens de hoje, e se espalhou pelo mundo.
A pré-história foi dividida em dois períodos, o Paleolítico, ou Pedra Lascada, que quer dizer velha idade da pedra e, Neolítico, ou Pedra Polida, que quer dizer nova idade da pedra.
Paleolítico
É o período mais antigo da Pré-História, caracterizado pela indústria da pedra lascada, ou seja, pedaços de rocha quebrados grosseiramente, usados como armas e como ferramentas, sendo por isso chamado de Idade da Pedra Lascada, ou Paleolítico. Como os homens não tinham ainda desenvolvido habilidade de criar suas próprias armas de caça, eles pegavam pedras pontudas e as esfregavam no chão até que a ponta ficasse ainda mais fina e pudesse perfurar algum animal para matar e eles comerem.
Começou há cerca de 4,6 milhões de anos, quando os australepithecus surgiram na Terra, mas as grandes transformações só começaram a acontecer com o aparecimento do grupo Homo, há 3 milhões de anos.
Eles eram nômades, viviam mudando de lugar, por isto se espalharam pelo mundo. Viviam da coleta de alimentos, da caça e da pesca. Para isto fabricavam ferramentas, como machados de pedra, lanças, cajados e facas de pedra, osso ou madeira.
Eles eram nômades porque como viviam de caça e pesca tinham que se mudar quando elas acabavam. Como não iam viver muito tempo em cada lugar, viviam em cavernas ou fendas de rochas, ou faziam casas primitivas de galhos de árvore cobertas de folhas, mas já tinham algumas regras: tudo o que produziam, como ferramentas e objetos, era de todos, a liderança do grupo era do mais forte e experiente, os homens tinham a obrigação de caçar, pescar e proteger o grupo e as mulheres tinham a função de preparar alimentos e cuidar dos filhos.
Para se comunicar produziam sons e pintavam desenhos em cavernas para marcar o tempo e registrar experiências. Estas pinturas, que chamamos de rupestre, registravam fatos da vida cotidiana, mas sua interpretação não era óbvia para todos, cada um interpretava como queria, não havia consenso no recado que davam.
Aprenderam a importância do fogo, e o usavam, mas não podiam controlá-lo, só o usavam quando os raios incendiavam as árvores.
Dedicavam-se a rituais religiosos e funerários. Nos rituais religiosos usavam o fogo e nos funerários usavam vasilhas de cerâmica para sepultar os mortos e objetos pessoais, que eram sepultadas dentro das cavernas.
Tinham que viver em cavernas para se proteger do frio, disputando este espaço com animais ferozes, que também lutavam pela sobrevivência.

Isto durou até 110.000 anos atrás, quando houve uma mudança enorme no clima da Terra. Era tão frio que tudo congelava. Isto se chama glaciação.
De acordo com estudos geológicos, houve muitas glaciações na Terra. Esta foi a última.
Depois do horror deste século de gelo, a neve começa a derreter, a vegetação volta a florescer e os animais se multiplicam, porém, outros tipos de animais, pois muitos foram extintos. Isto aconteceu há 10.000 anos atrás.

Veja no quadro a seguir a simulação de alguns animais que existiram antes do fim da glaciação e que foram extintos.

Neolítico, o período da Pedra Polida
Este foi o período das grandes transformações não só na vida humana como na natureza, no clima e na vegetação.
A crosta terrestre começa a aquecer, as geleiras derretem, aumenta o nível dos mares e formam-se os rios. Formam-se as florestas tropicais e temperadas e os desertos, pois em alguns pontos a vegetação não tinha resistido ao frio.
Os animais de grande porte desaparecem, dando origem aos animais do presente.
A vegetação que surge é mais apropriada ao ser humano e ele se aproveita disto.
O homem também sofre mudanças no físico e na mente, ficando muito próximo do que somos hoje.
Na Europa o clima ficou mais ameno, sem o terrível frio do gelo da glaciação e em parte da África a vegetação não sobreviveu à glaciação, formando extensões desérticas, como o deserto do Saara.
A população do mundo aumentou, os hábitos de vida se modificaram e as estruturas política, social e econômica foram formadas.
Todas estas transformações podem ser catalogadas conforme foram acontecendo, às quais poderíamos dar o nome de revolução. Foi assim que com o começo do plantio das sementes tivemos a primeira revolução agrícola, com a domesticação dos animais tivemos a primeira revolução pecuária e, assim, sucessivamente.
As grandes transformações
A transformação mais importante, a que fez com que tudo se modificasse foi a capacidade que os homens tiveram de plantar o próprio alimento.
Como os animais já não morriam de frio, a caça ficou abundante, portanto os grupos humanos já não se deslocavam tanto, já não eram tão nômades, passaram a ser sedentários.
As mulheres dos grupos humanos observavam que as sementes que caiam no solo brotavam novamente e davam origem a uma nova planta. Então compreenderam que eles, também, podiam fazer as plantas nascerem onde e quando quisessem. Começaram, então, a plantar as sementes e a colher os cereais para seu alimento. Isto fez com que pudessem permanecer no mesmo lugar, pois agora tinham alimento sem necessidade de se deslocar em busca de caça.
Começava a revolução agrícola

Com o aumento das plantas os animais começaram a se alimentar dos grãos que caiam e foram se acostumando com os homens. Carneiros, cabras, gado e porcos foram criados próximos às moradas, e foram domesticados por estarem separados de sua população selvagem de origem. Descobriu-se a utilidade destes animais cujos produtos como o leite, a carne, e a lã foram aproveitados pelas pessoas. Também foram usados para arrastar troncos de árvores, pedras e animais mortos nas caçadas.
Começava a revolução pecuária.

O Homem aprendeu a usar e dominar o fogo, pois seu uso antes era aleatório, o homem era incapaz de controlá-lo. Só podiam consegui-lo quando um raio incendiava os galhos das árvores.
Descobriram que esfregando uma pedra sobre a outra sobre um maço de palha seca, a faísca incendiava a palha.
Mais tarde, quando já eram mais evoluídos, giravam um graveto sobre um furo na madeira até que o aquecimento passava para a palha.
Como já podiam fazer fogo, ficou fácil usá-lo e controlá-lo, para fazer fogueiras onde assar a carne e cozer os alimentos.
Desde que o Homem conquistou o fogo, sua força tem sido usada em diversos segmentos, como para espantar animais, aquecer as cavernas e assar a carne. Começou a ser usado para iluminação, tendo sido inventados vários tipos de tochas, utilizando diversas madeiras e vários óleos vegetais e animais.

Além de ser usado para assar a carne em fogueiras, começou a ser usado para aquecer fornos (pequenas construções abobadadas aquecidas pelo fogo) onde eram cozidos alimentos e se assavam pães, um alimento feito de grão de trigo moído em vasilha de pedra.
Nestes fornos são também cozidos objetos feitos de argila (um barro próprio para fazer utensílios), denominados cerâmica.
As tigelas e utensílios feitos de pedra estão sendo substituídos por objetos de cerâmica, que podem ser feitos de váde várias utilidades, como potes, pratos, panelas para coser alimentos e bilhas para guardar água.
Começava a revolução industrial

A dificuldade em arrastar os grandes animais abatidos e outros objetos pesados levou o homem a cortar pequenas toras de árvores em pedaços, pois tinham o formato circular, que unidos por um galho rodava com facilidade. Estava inventada a roda, o maior invento de todos os tempos. Trata-se, porém, de uma invenção simples, na realidade, mas de inúmeras utilidades, que está facilitando a vida do homem no campo dos transportes.
O invento foi tão apreciado e aperfeiçoado que alguns grupos treinavam animais de grande força para arrastar esta máquina.
Começava a revolução mecânica.

As peles de animais já não serviam mais como vestimentas, pois dificultavam a caça e outras atividades, por serem muito pesadas e desajeitadas.
Como já tinham plantações de algodão e linho, e a lã era tirada das ovelhas, inventaram um meio para fazer roupas com os fios destes produtos. Era o artesanato que começava e se organizava dando início a um sistema de trabalho para fazer tecidos.
Começava a manufatura

O uso das pedras em utensílios e ornamentos começou a crescer pois foram encontradas pedras mais trabalháveis como a obsidiana, o quartzo e alguns tipos de granito (principalmente o sílex, uma mistura de quartzo e calcedônia, caracterizado por sua dureza). Começa um período de grande desenvolvimento no trabalho com as pedras.
A obsidiana é um tipo de vidro vulcânico, usado geralmente para finalidades ornamentais, porque possui a propriedade peculiar de apresentar uma aparência diferente de acordo com a maneira como é cortada. Quando o corte for num sentido a superfície apresenta um preto bonito; quando cortado através de outro sentido aparece cinza. A obsidiana é muito procurada porque pode ser usada para produzir lâminas afiadas ou cabeças de seta, de extrema importância para a caça e a sobrevivência.
Começava a revolução mineralógica.

No começo estas pedras eram recolhidas em qualquer lugar, mas com o tempo eram identificadas as jazidas subterrâneas e, com picaretas feitas de chifres escavavam as galerias de onde era retirada a pedra.
Começava a degradação do meio ambiente.
Os hábitos sedentários de se fixarem em um mesmo local fez com que o homem construísse lugares para morar com um material diferente, o tijolo, feito com o barro extraído da terra.
Estas construções eram mais resistentes e eram construídas perto umas das outras, formando comunidades.
As primeiras comunidades de que se tem notícia foram a de Jericó, no Vale do Jordão, e Çatal Küyük, na Anatólia.
Jericó, tinha 1,6 ha, onde moravam por volta de 2.000 pessoas e, é o primeiro local cercado por muro, que servia para proteger os homens dos ataques dos animais ferozes.
A outra comunidade semelhante a Jericó, também feita de tijolo e barro, chamava-se Çatal Huyhuk. “Huyhuk”, na língua dos turcos quer dizer vilarejo.
Ela tinha 13 ha, mas não era protegida por muralhas. As casas eram tão próximas umas das outras que só é possível entrar nelas pelo telhado.
Começava a revolução urbana.


Com a possibilidade de fixação nos lugares, o homem organizou-se em comunidade, obedecendo a regras sociais e econômicas.
Bastava encontrar um local um pouco seguro, com terra fértil e boa irrigação para as sementes, para ali se fixarem e formarem pequenas aldeias. Assim surgiram as primeiras vilas agrícolas.
O homem começa a viver em sociedade e uma estrutura social precisa ser crida, com tarefas específicas para cada membro do grupo. Os homens cuidavam da caça e da defesa do grupo, as mulheres plantavam e cuidavam dos filhos.
Começava a organização social.

Cada comunidade tinha vida própria e plantações de alimentos diferentes. Umas cultivavam o trigo, outras o arroz, linho, algodão, milho, etc.. A produção era cada vez maior, tinha alimentos para estocar para o ano seguinte e ainda sobrava. Os homens de uma comunidade começaram a trocar estes alimentos com os homens de outras comunidades. O mesmo ocorria com objetos e utensílios de pedra e cerâmica. Peças de artesanato, roupas e outros utensílios também serviam como objetos de troca nas aldeias. Então as sementes e os objetos passaram a ser moeda de troca.
Começava a revolução comercial

Com o aumento de alimentos e mais conforto para morar a população cresceu muito e as aldeias foram se unindo conforme seus hábitos e semelhanças. A sociedade precisou ser estruturada e organizada com tarefas específicas para cada membro do grupo.
Criou-se a necessidade de líderes para administrar os aglomerados de aldeias e auxiliares para ajudar na administração. Cada um tinha direitos e deveres, pois o governo criava leis e exigia o cumprimento delas.
Começava o Estado
O homem melhorou a confecção de objetos artesanais em cerâmica, pedra e madeira e desenvolveu hábitos culturais de vida e práticas religiosas e funerárias.
Começava a arte, a ciência e a religião
Os grupos humanos observavam, que os cereais produziam melhor em determinados tipos de solo e por isso passaram a escolher os locais de assentamento, de acordo com o que queriam produzir, ora nos contrafortes das montanhas, ora nas terras baixas, mas sempre próximo de rios.
Na região mais rica e habitada do Oriente Médio, na Europa e na Índia, o solo e o clima são propícios ao cultivo do trigo e da cevada, portanto para lá se dirigiram os grupos que mais gostavam destes cereais.
No Sudeste Asiático, China e Extremo Oriente, os grupos foram atraídos pelo arroz e o painço.
Na América há grande abundância de milho, o que atraiu alguns grupos para a América Central e o Peru.
Começava a Migração.

E assim, no fim do Neolítico, os homens já tinham evoluído, se formavam em comunidades organizadas e haviam se espalhado pelo mundo.
Terminava a Idade da Pedra.
