Idade Média Ocidental

Trovadores da Idade Média Ocidental

Idade Média

Para entender a vida na Idade Média temos que pensar que naquela época a ligação entre os povos era muito difícil, pois os meios de comunicação e transporte eram muito precários. Não havia telefone, e-mail, trem, carros, aviões e as naus eram a vela. Até que um povo soubesse o que se passava com outro eram necessários dias e dias, ás vezes meses, dependendo da distância.

Quem já assistiu a filmes da Idade Média, deve ter notado as diferenças de modo de vida com os nossos dias.

Quem não assistiu deve assistir, pois é muito interessante e ilustrativo.

Sugestões: Coração Valente – Rei Artur-2004 – Robin Hood, o Príncipe dos Ladrões – A Flecha e a Rosa – Alexandre, o Grande – Cleópatra – A Queda do Império Romano – Spartacus –  Ágora, e outros.

Passemos à Idade Média

No ano de 476 o Império Romano do Ocidente foi derrotado por Odoacro, um chefe bárbaro, que depôs o imperador Romulo Augusto, pondo fim àquele que foi o maior império do Ocidente. Esta data marca o fim do período histórico, a Antiguidade e o início de um novo período, a Idade Média.

Terminava a Idade Antiga, culturalmente muito avançada, e começava uma nova época, a Idade Média, que é conhecida, erroneamente, como a Idade das Trevas, ou noite de mil anos, hoje expressões consideradas inadequadas pois a cultura da Idade Média era apenas diferente da cultura greco-romana e produziu frutos que até hoje têm reflexo na vida dos povos atuais.

Duas explicações sobre o nome Idade Média: foi usado pela primeira vez, como “tempo médio”, pelo bispo italiano Giovanni Andrea, que viveu no período renascentista. Popularizou-se no século XVI, durante o renascimento, com a ideia pejorativa de que a Idade Média tivesse interrompido a cultura e a tradição greco-romana, o que não é verdadeiro, pois uma nova cultura foi formada, diferente, mas não pior ou melhor.

O nome Renascimento foi criado pelos intelectuais da época (século XVI), quando uma onda nova de ideias e artes surgiu na Europa, como se fosse um renascer da cultura greco-romana.

Voltando à Idade Média, vamos falar dos fatos que marcaram esta época, que foi de 476 até 1453.

Para começar, vamos dividir a Idade Média em Idade Média Ocidental e Idade Média Oriental, iniciando nosso estudo pela Ocidental.

A história da Idade Média Ocidental começa com o fim do Império Romano do Ocidente e compreende a história da região da Europa e a formação dos países europeus.

Quando falamos em ocidente, falamos da Europa, pois na Idade Média as Américas e a Oceania não tinham sido descobertas.

A história da Idade Média Oriental compreende a história do Império Romano do Oriente, que continuou até o ano de 1453, também chamado de Império Bizantino, com capital na cidade de Constantinopla, antiga Bizâncio, daí o nome do império.

Idade Média Ocidental

A Idade Média Ocidental aconteceu no Império Romano do Ocidente

A Idade Média Ocidental conta a história do mundo ocidental após a queda do Império Romano do Ocidente. Quando falamos em ocidente, falamos da Europa, pois na Idade Média as Américas e a Oceania não tinham sido descobertas, seus povos viviam em um estágio neolítico.

No final do século V, o mundo ocidental estava dividido entre povos civilizados e povos bárbaros.
Os povos civilizados eram os gregos, macedônios e romanos, enquanto os povos bárbaros eram aqueles que viviam fora das fronteiras do império romano do ocidente e não falavam o latim.

Estes povos eram as tribos, dos hunos, dos godos, divididos em ostrogodos e visigodos, e dos germânicos, que se subdividiam em saxões, alamanos, suevos, alanos, bávaros, francos, anglos, frísios, lombardos, hérulos e vândalos, que viviam em guerra com os povos da fronteira ocidental do império.

Em 476, Odoacro, rei da tribo germânica dos hérulos, venceu o imperador Rômulo Augusto, pondo fim ao Império Romano do Ocidente,

Cena da abdicação de Romulo Augusto

Este fato histórico marca o começo da Idade Média, que foi dividido em duas fases: Alta Idade Média e Baixa Idade Média. A primeira começou no século V e foi até o século X, quinhentos anos, portanto e a segunda teve início no século XI e durou até o século XV, outros quinhentos anos.

Uma outra classificação muito comum divide a era em três períodos: Idade Média Antiga (ou Alta Idade Média ou Antiguidade Tardia) que decorre do século V ao X;
Idade Média Plena (ou Idade Média Clássica) que se estende do século XI ao XIII;
Idade Média Tardia (ou Baixa Idade Média), correspondente aos séculos XIV e XV.

Alta Idade Média

Século V a Século X

A Alta Idade Média foi marcada pela formação e expansão do feudalismo, organização social e política dos povos bárbaros (formação dos reinos bárbaros) e expansão da Igreja Católica.

Na Alta Idade Média, a Europa ainda convivia com as transformações oriundas do esfacelamento do Império Romano do Ocidente, o que levou a se criar um novo sistema econômico, o feudalismo, que foi o processo de ruralização de economia. A Igreja Cristã, até então só conhecida no Império Romano, do qual era a religião oficial, passou a conquistar os povos bárbaros e a se desenvolver.

Enquanto os povos que viviam no Império Romano do Ocidente eram civilizados, moravam nas cidades e viviam sob a direção do Estado, os bárbaros não conheciam a forma de governo como Estado e estavam organizados em tribos, que estavam assim distribuídas, os Anglo-Saxões, onde é, hoje, a Inglaterra; os saxões, onde, hoje, é a Dinamarca; os Francos, na atual França; os Burgúndios, na atual Alemanha; os Alamanos, onde é, hoje, a Polônia; os Visigodos, na atual Espanha; os Ostrogodos, na atual Itália; os Suevos, onde é, hoje, Portugal, os Lombardos no atual norte da Itália e os Vândalos, na África do Norte.

Localização dos reinos bárbaros na Europa

Essa grande diferença de modo de vida, em que os bárbaros não tinham um estado formado e não tinham cidades em seus lugares de origem, os levou a preferirem viver na zona rural e se formarem em grupos sob o comando de um líder. Esses líderes moravam em extensas faixas de terra, onde eram senhores e dominavam os seus seguidores. Com o tempo os lideres construíram castelos que eram verdadeiras fortalezas, onde moravam e acolhiam seus servos em caso de guerra. Isto deu origem ao feudalismo. Como não tinham uma religião forte, os senhores feudais absorveram a religião crista, que passou a dominar durante toda a Alta Idade Média.

Podemos ver, então, que neste novo período em que a Europa Ocidental passou a ser ocupada pelos povos bárbaros houve uma mistura das características latinas e germânicas que deu origem a uma nova forma de organização política, socioeconômica e religiosa: a formação dos reinos “bárbaros”, o feudalismoe a expansão do cristianismo.

Feudalismo

O que é feudalismo?

É uma forma de organização social, política, econômica e cultural baseada na posse da terra.

É chamado de feudalismo porque vem da palavra feudo que significa o direito de alguém sobre um bem, neste caso, a terra.

As faixas de terra, onde viviam os líderes eram chamadas feudos e esses líderes, que eram os proprietários, eram chamados de senhores feudais, que dominavam todo o feudo e as pessoas que moravam nelas, os servos. Era o senhor feudal quem formava seus exércitos particulares.

Como podemos ver não havia um poder central, cada senhor feudal era o chefe de suas propriedades, mas a figura do rei não foi banida, ela aparecia com a função de natureza militar, o rei feudal mobilizava os exércitos de diferentes feudos, caso fosse necessário lutar contra um inimigo comum. Então, podemos dizer que o rei era um senhor feudal com poder de agregar outros senhores feudais.

As condições de vida no feudalismo eram rudes mesmo para os senhores feudais e a dos servos, então, era miserável, pois não tinham nem mesmo a liberdade. Ambos, senhores feudais e servos não sabiam ler, apenas o clero, formado pelos religiosos, tinha acesso ao estudo.

As pessoas que detinham a posse da terra podiam fazer delas o que quisessem, inclusive doá-las.

Os donos de terras podiam doar parte de suas terras a outras pessoas em troca de certos deveres, como fidelidade e trabalho. Esta doação era acompanhada do compromisso de proteção a quem recebia as terras.

Os que doavam as terras eram chamados suseranos e as pessoas que as recebiam eram  chamadas  de vassalo.

O vassalo devia fidelidade e trabalho ao suserano e o suserano devia proteção ao vassalo.

Os que possuíam as terras eram nobres chamados de senhor feudal.

Os títulos de nobreza eram,  visconde, conde, marques, duque, príncipe e rei.

Este sistema formava uma rede de suserania e vassalagem, sendo que o suserano maior era o rei.

Esta rede funcionava da seguinte forma:

O feudo era cedido por um poderoso nobre senhor a um outro nobre em troca de obrigações e serviços. Quem concedia a terra era o suserano e quem a recebia era o vassalo

O vassalo, por sua vez, podia ceder suas terras a outro nobre, passando a ser, ao mesmo tempo, vassalo do primeiro senhor e suserano do segundo.

O vassalo, ao receber a terra, jurava fidelidade a seu senhor. Esse juramento era uma espécie de ritual que envolvia honra e poder: o vassalo se ajoelhava diante do suserano, colocava sua mão na dele e prometia lhe ser leal e servi-lo na guerra.

Como era a rede de suserania no feudalismo

Para exemplificar:

Um duque oferecia um lote de terras para um conde, que se tornava vassalo do duque a quem devia determinadas obrigações, como auxiliar seu suserano em uma guerra travada por ele, colaborar financeiramente e com produção agrícola para as necessidades do seu suserano.

Este conde podia ceder parte das suas terras ou das terras recebidas para outro nobre, um visconde, por exemplo. Então o conde, que era vassalo do duque passava a ser suserano do visconde.

Era tão grande a troca de suserania, que não havia quem não fosse vassalo um do outro.

O primeiro grande suserano era o rei, que não tinha suserano, mas ele não era um chefe de estado que mandava em todos os feudos, ele tinha poderes, apenas, em seu próprio feudo e dependia muito de seus vassalos para ajudá-lo nas guerras e decisões difíceis.

Sua vantagem era não dever obrigações de vassalo, dentro de seu reino, a outro senhor. Mas fora de seu reino o rei poderia ser vassalo de outro rei. O rei da Inglaterra foi suserano de muitos vassalos, no seu reino, mas como tinha terras na Normandia, que fica na França, foi vassalo do rei da França.

A relação de suserania e vassalagem era de caráter hereditário (ocorriam entre membros da família) o que demostrava a descentralização política da época.

Era tão importante a relação entre suserano e vassalo, que a entrega da suserania era feita em cerimônia solene (juramento) denominada “Homenagem” que selava os laços de lealdade e fidelidade entre seus elementos, e a “Investidura”, que marcava a transmissão do feudo para o vassalo.

A cerimônia geralmente ocorria numa Igreja, onde o vassalo, segurando sua espada, se ajoelhava diante de seu suserano lhe prometendo fidelidade total (selada com um beijo) e proteção nas guerras. Caso, o vassalo traísse seu suserano perderia todos os seus direitos, posses e títulos. Durante a cerimônia, a submissão do vassalo perante seu suserano era selada com um tapa no rosto do vassalo.

Cena de uma cerimônia de homenagem
Cena de uma cerimônia de investidura

Os feudos eram constituídos por um castelo, onde viviam os senhores feudais, cercado por várias muralhas dentro das quais viviam os soldados e os servos.

Nele havia os fornos, as moendas de trigo, as casas de ferragens, os estábulos, enfim toda uma estrutura capaz de fazer do castelo uma fortaleza.

O moinho e o forno eram as mais importantes peças do castelo, pois era onde se manipulava a comida.
Ao redor do castelo estavam as aldeias de moradas dos camponeses e as plantações.

Pintura de um feudo

Havia duas formas de feudo, o comitatus, que era a forma usada pelos germânicos e seus seguidores e o colonato, que seguia a forma dos romanos.

A forma comitatus tinha uma relação mais estreita em que os senhores da terra eram unidos pelos laços de vassalagem, comprometiam-se a ser fiéis e a honrar uns aos outros. Havia o senhor feudal e o vassalo.

Na forma colonato, o proprietário de terras dava proteção e trabalho aos colonos que, em troca, entregavam ao senhor parte de sua produção. Havia o senhor de terras e o colono.

Não é possível avaliar o tamanho dos feudos, mas estima-se que os menores tivessem pelo menos 120 ou 150 hectares. Cada feudo compreendia uma ou mais aldeias, as terras cultivadas pelos camponeses, as florestas e as pastagens comuns, a terra pertencente à igreja paroquial e a casa senhorial, que ficava na melhor terra cultivável.

Pastos, prados e bosques eram usados em comum. A terra arável era dividida em duas partes. Uma, em geral a terça parte do todo, pertencia ao senhor; a outra ficava em poder dos camponeses.

Nos feudos plantavam-se principalmente cereais (cevada, trigo, centeio e aveia). Cultivavam-se também favas, ervilhas e uvas.

Os instrumentos mais comuns usados no cultivo eram a charrua ou o arado, a enxada, a pá, a foice, a grade e o podão. Nos campos criavam-se carneiros que forneciam a lã; bovinos, que forneciam leite e eram utilizados para puxar carroças e arados e cavalos, que eram utilizados na guerra e no transporte.

Como a organização de toda a Europa era feudalista, e o feudalismo era baseado na agricultura e na troca de produtos, a economia da Europa na Alta Idade Média era baseada na agricultura, no pouco uso da moeda e na troca de produtos. Não havia comércio.

Existiam moedas na Idade Média, porém eram pouco utilizadas. As trocas de produtos e mercadorias é que eram comuns na economia feudal.

Cavalaria medieval

Os senhores feudais envolviam-se em guerras para aumentar suas terras e poder, formando exércitos próprios constituídos pelos cavaleiros. A guerra era muito comum e os senhores feudais e reis necessitavam de cavaleiros para fazer a proteção do feudo ou conquistar novas terras e riquezas. Quanto mais cavaleiros possuía um nobre, maior seria o seu poder militar.

Mas o que eram os cavaleiros?

Figura de um cavaleiro medieval

Os cavaleiros foram os guerreiros da Idade Média, que formavam a base dos exércitos e pertenciam a classe social da nobreza. Corajosos, leais e equipados com escudos, elmos e espadas, representavam o que havia de mais nobre no período medieval. Valentia, fidelidade e lealdade eram características exigidas num cavaleiro medieval.

No final da Idade Média, reis criaram ordens de cavalaria, que eram organizações exclusivas de distintos cavaleiros os quais juravam obediência ao rei e aos outros membros da ordem.
Se tornar um membro de ordem de cavalaria era extrememente prestigioso, tornando um homem um dos mais importantes do reino.

Para se tornar cavaleiro era necessário fazer parte da nobreza, pois os equipamentos de guerra (espada, escudo, elmo, armadura) e o cavalo custavam caro. Os camponeses não tinham recursos para se tornarem cavaleiros, nem mesmo tempo para o treinamento.

Desde criança, o menino era destinado, pelo pai, para ser um cavaleiro e começava o treinamento. Por volta dos sete anos ele era enviado para viver na casa de um senhor feudal para fazer pequenos trabalhos e aprender habilidades, como ler, escrever e caçar, se tornando um pajem. Aos doze anos, passava a ser escudeiro, para servir um cavaleiro e aprender a usar lanças e espadas e a andar com armadura. Devia saber usar as armas, aprender técnicas de combate, preparar o físico, montar o cavalo e valorizar as atitudes de um cavaleiro. Ao se tornar adulto, aos vinte e um anos, o escudeiro se tornava cavaleiro através de uma cerimônia.

O cerimonial da investidura de cavaleiro começava no dia anterior, quando o escudeiro jejuava, se confessava e passava a noite em oração, era a “vigília das armas”.

A cerimônia de sagração, ou investidura, começava com a celebração da missa, na qual a homília versava sobre as obrigações que o cavaleiro iria assumir. Em seguida dava a benção sobre as armas que lhe seriam entregues.

No ato da sagração, o cavaleiro permanece de joelhos diante de seu padrinho, geralmente era o senhor feudal da região, que lhe pergunta se está disposto a assumir os compromissos de cavaleiro. Este faz o juramento de obediência e recebe a armadura peça por peça e a espada.

A espada era, na Idade Média, uma peça grandiosa e sagrada para o cavaleiro, a tal ponto que não podia, nunca, despi-la, mesmo sem armadura. Com ela o cavaleiro devia viver e morrer, pois ia para o túmulo com ela entre as mãos. Ela sintetizava as quatro principais virtudes do cavaleiro, a cordura, a fortaleza, a equidade e a justiça.

“A cordura estava representada no punho da espada, que o homem tem encerrado na mão, e, enquanto assim o tiver, está em seu poder levantá-la, baixá-la, ferir ou deixá-la.

No pomo da espada (parte onde se prende o espigão da lâmina) está toda a fortaleza da espada, já que ela sustenta o punho, a guarda e a lâmina.

A guarda, colocada entre o punho e a lâmina, é o símbolo da equanimidade. A justiça aparece na lâmina da espada, que é reta e pontiaguda, e corta igualmente de ambos os lados”.

Por todas estas razões, os antigos determinaram que os cavaleiros trouxessem sempre a espada consigo.

Os cavaleiros medievais costumavam participar de torneios.

Estes eventos festivos contavam com lutas e disputas entre os cavaleiros de uma região. Era uma das diversões no período do feudalismo.


Os cavaleiros medievais participaram das cruzadas, batalhas em que os cristãos tentaram  retomar a Terra Santa (Jerusalém) das mãos dos muçulmanos.

Além dos cavaleiros   a Cavalaria era constituída pelos escudeiros, cavaleiros das ordens religiosas e cavaleiros dos conselhos.


Por volta do século XII, o cavalheirismo se tornou um estilo de vida. As principais regras do código de cavalaria eram as seguintes:

Proteger as mulheres e os fracos.

Defender a justiça contra a injustiça e o mal.

Amar sua terra natal.

Defender a Igreja, mesmo com risco de morte.

Igreja Católica

Outra grande característica da Alta Idade Média foi a imensa influência que a religião católica exercia sobre todos.

O teocentrismo, a crença de que Deus é o centro de todas as coisas, era a base da cultura religiosa.

Em todos os aspectos da vida medieval, a fé inspirava e determinava os mínimos atos da vida cotidiana. Reis eram coroados ou destronados com uma palavra do Papa. Ela dominava o cenário religioso e político e influenciava o modo de pensar, a psicologia e as formas de comportamento na Idade Média.

A igreja também tinha grande poder econômico, pois possuía terras em grande quantidade e até mesmo servos trabalhando. Os monges viviam em mosteiros e eram responsáveis pela proteção espiritual da sociedade. Passavam grande parte do tempo rezando e copiando livros e a Bíblia.

A vida monástica e as ordens religiosas começaram a surgir na Europa a partir de 529, quando São Bento de Múrcia fundou o mosteiro no monte Cassino, na Itália e criou a ordem dos beneditinos.

Os monges viviam em mosteiros e eram responsáveis pela proteção espiritual da sociedade. Passavam grande parte do tempo rezando e copiando livros, principalmente a Bíblia.

Os mosteiros eram os únicos lugares onde se conservava a cultura antiga. O trabalho dos monges copistas, que passavam a vida inteira copiando obras da Antiguidade, preservou essa cultura.

Monges copistas

Junto às catedrais de algumas cidades começaram a surgir, no século XII, escolas que se chamaram universidades.

As universidades foram uma das instituições mais importantes e significativas da época medieval, inclusive porque não existia um modelo equivalente nas outras civilizações vizinhas, judias, árabes, ou outras anteriores. Com as universidades, o ensino e a cultura deixaram de ser privilégio apenas dos membros da Igreja, ampliando-se o campo de estudos com a criação das faculdades de Teologia, Direito, Medicina, Filosofia, Literatura, Ciências e Matemática.  
São desta época inúmeras e tradicionais universidades como as de Bolonha, Paris e Oxford.
Dentre as universidades medievais, aquelas que se situavam no sul da Europa receberam uma forte influência das civilizações bizantina e árabe.

Imagem de uma universidade na Idade Média

Graças ao desenvolvimento cultural promovido pelas universidades, as obras da Antiguidade greco-romana começaram a ser estudadas e traduzidas. Entre elas estão as obras do filósofo grego Aristóteles, que influenciaram o pensamento religioso do final da Idade Média.
No campo das ciências, embora tardiamente, aconteceu um crescimento científico com reflexos no presente.

A educação era para poucos, pois só os filhos dos nobres estudavam. Grande parte da população medieval era analfabeta e não tinha acesso aos livros.

Ela era marcada pela influência da Igreja, ensinando o latim, doutrinas religiosas e táticas de guerras. No geral, a cultura medieval foi fortemente influenciada pela religião.

O homem medieval, de modo geral, não sabia ler nem escrever. Os homens da igreja eram os mais instruídos, que controlavam todas as atividades artísticas, literárias e científicas da época.

Formação da sociedade

Outra característica da Alta Idade Média foi a divisão de classes em classes hierarquizada e estática, isto quer dizer que a sociedade medieval era dividida em classes sociais superiores e inferiores e a mobilidade social era praticamente inexistente.

A sociedade era estática (com pouca mobilidade social) e hierarquizada. Era formada pelo rei, pela nobreza feudal e clero e pelos camponeses, servos, artesãos e soldados, portanto três classes sociais.

O rei era o senhor feudal de mais poder entre os outros senhores feudais.

Em seguida vinham, a nobreza feudal (senhores feudais, condes, duques, viscondes e cavaleiros), que era detentora de terras e arrecadava impostos dos camponeses e o clero (cardeais, arcebispos, bispos e monges), que, também tinha um grande poder, pois era responsável pela proteção espiritual da sociedade e era isento de impostos e arrecadava o dízimo. Os cavaleiros, os bispos e os monges pertenciam a estas classes sociais, porém com menor importância.

A última camada da sociedade era formada pelos camponeses, servos, pequenos artesãos e soldados. Os servos deviam pagar várias taxas e tributos aos senhores feudais, tais como: corveia (trabalho de 3 a 4 dias nas terras do senhor feudal), talha (metade da produção), banalidades (taxas pagas pela utilização do moinho e forno do senhor feudal).

Pirâmide social no feudalismo

Não existe uma data específica que marca o fim deste período. Uma série de mudanças que ocorreram na Europa no século X é responsável pela modificação estrutural, econômica e cultural que deu início ao enfraquecimento do feudalismo. Estas mudanças na economia feudal, baseadas no reaparecimento do comércio e na volta a vida das cidades, que aconteceram a partir do século XI, deram início ao fim da Alta Idade Média.

Baixa Idade Média

Século XI a Século XV

No século XI, começa a história da Baixa Idade Média e uma das primeiras novidades para gerar as mudanças que se seguem foi o fim das invasões bárbaras; todas as terras já estavam ocupadas por reinos já estruturados.

Com a vida mais calma, a população foi crescendo e tendo maiores necessidades de alimentos, a produção dos feudos foi ficando pequena para alimentar toda a população.

Começa a crise no feudalismo, além de outros eventos que marcam o início da Baixa Idade Média, como o renascimento comercial europeu, a formação das monarquias europeias, as cruzadas, a expansão das sociedades cristãs e a formação da cultura medieval. Estas circunstâncias, que geraram a mudança de vida dos povos da Idade Média estão todas relacionadas entre si, mas o papel principal coube às mudanças no feudalismo, por ser em torno dele que tudo girava.

Vários fatores concorreram para o declínio do feudalismo. Tudo começou com o aumento da população, que tinha mais necessidade de produzir alimentos. A melhoria de técnicas e ferramentas agrícolas aumentou a produção além das necessidades dos feudos, o que levou ao comércio do excedente. Era a volta às atividades comerciais.

Também, com o aumento da população nos feudos, começou o êxodo para as cidades. Os novos moradores se dedicaram a produzir coisas como tecidos, cerâmicas, joias, que precisavam ser comerciadas. Era o crescimento dos burgos, o aparecimento dos artesãos e o aumento do comércio.

Os artesãos e os comerciantes começaram a enriquecer, formando uma nova classe social, a burguesia. Estes ricos comerciantes e artesãos passaram a financiar os exércitos dos reis em troca de proteção fiscal no seu comércio. Era o aumento do poder real, os senhores feudais prestavam vassalagem ao rei, o que lhe dava prestígio e poder.  

Era o declínio do feudalismo, quando os nobres senhores de terra passaram a reconhecer a autoridade real, que agora tinha um outro aliado, a classe burguesa. Era o começo das monarquias europeias.

Na Alta Idade Média a Igreja Católica detinha grande poder, a ponto de influenciar a própria monarquia. Era a formadora do pensamento social e cultural. Este poder e influência continuaram até meados da Baixa Idade Média; no século XII, como já vimos, foram criadas as universidades, responsáveis pela transferência do saber.

Mesmo com tamanho poder e influência, a Igreja começou a ser minada em vários setores, devido a vários abusos e discrepâncias religiosas, como a simonia, que era a venda de artefatos falsos como se fossem relíquias, pedofilia, abuso de poder e a venda de indulgências.

Outros episódios também influenciaram no declínio da Igreja Católica, foram o Cisma do Oriente, a questão das investiduras e o Cisma do Ocidente.

Cisma do Oriente

O Império Romano do Oriente, com capital em Bizâncio, continuava de pé, após a queda do Império Romano do Ocidente. Em Bizâncio se praticava o cristianismo, porém com algumas diferenças na forma como era praticado no Ocidente.  No Oriente se manteve a estrutura antiga, com o imperador como chefe da igreja. No Ocidente, com a queda do imperador, o chefe da igreja passou a ser o bispo de Roma, com o título de Papa. Surgiu, então, um impasse sobre a autoridade das duas igrejas, que terminou com a separação, ficando a Igreja do Ocidente dirigida pelo Papa e a do Oriente pelo imperador, com o nome de Igreja Ortodoxa. Isto foi o Cisma do Oriente.

Igreja Ortodoxa

Questão das investiduras

Investidura é o ato de investir alguém de autoridade e poder.

Outro problema da Igreja na Baixa Idade Média foi a disputa para decidir quem iria dar a investidura para uma autoridade episcopal (bispo, arcebispo ou papa).

Os reis ou senhores feudais do Sacro Império Romano Germânico interferiam na escolha dos dignitários da igreja, o que não agradava ao papa Gregório VII, que entendia ser esta escolha uma prerrogativa sua.

Esta querela durou de 1075 a 1122, tempo durante o qual a Igreja foi enfraquecida pelas decisões do Sacro Império Romano Germânico.

Cisma do Ocidente

Novamente, um conflito entre a Igreja e o Sacro Império veio abalar a força do catolicismo. Foi o conflito entre o papa Bonifácio VIII e o rei francês, Felipe, o Belo, ainda uma continuação da questão das investiduras. A escolha de um prelado papal não agradou ao rei da França, que aprisionou o papa, conservando-o prisioneiro até sua morte. Felipe, o Belo pressionou para que a escolha do novo papa fosse o bispo de Bordeaux, cidade francesa, que mudou a sede do papado de Roma para Avignon. De 1307 a 1417, o conflito continuou com papas ora governando em Roma, ora em Avignon e foi chamado Cisma do Ocidente.

Cruzadas

 A fim de combater o declínio, a Igreja criou as Cruzadas, que eram expedições para libertar Jerusalém do poder dos muçulmanos, os tribunais religiosos, como o Tribunal da Inquisição, para julgar as heresias, seitas, bruxarias e ritos pagãos e as instituições religiosas como a Ordem dos Beneditinos.

As Cruzadas não interferiram no declínio da Igreja, mas tiveram consequências econômicas, históricas, geográficas e culturais: os senhores feudais perderam poder aquisitivo com os gastos das Cruzadas, o comércio entre o Oriente Médio e a Europa, pelo Mediterrâneo, foi restabelecido; o poder real foi fortalecido com o empobrecimento dos senhores feudais e muito da cultura oriental foi absorvida pelo ocidente.

No século XIV, mais precisamente no ano de 1348, teve início a maior pandemia já vista em todo o mundo, a Peste Negra, que exterminou um terço da população europeia. Ela teve início na Ásia Oriental, precisamente na China e se espalhou pelo continente europeu.

Enfim, chegamos ao século XV, data que marca o fim da Idade Média e o começo da Idade Moderna. No ano de 1453 os otomanos tomam Constantinopla e põem fim ao Império Romano do Oriente.

Cultura na Idade Média

Durante muito tempo, a Idade Média foi considerada um período de ignorância e superstições, tendo sido inclusive chamada de “Idade das Trevas”. 

Realmente, nesse período, houve um declínio nas atividades artísticas, literárias e científicas, mas seria um exagero classificá-lo como um período de trevas.

Em vários lugares da Europa havia os alquimistas, que trabalhavam incansavelmente, procurando, entre outras coisas, transformar chumbo em ouro e descobrir o elixir da vida eterna.
Faziam suas experiências escondidos em torres e subterrâneos, pois eram considerados bruxos e, como tal, corriam sérios riscos de serem apanhados e levados a um tribunal da Igreja.
Do seu paciente trabalho ficou uma herança importante para a ciência: os alquimistas descobriram muitos elementos químicos e ligas metálicas. Eles foram os precursores dos químicos modernos.

Figura de um alquimista da Idade Média

Foi criada uma corrente filosófica, chamada escolástica, que consistia em explicar a existência de Deus e os dogmas da Igreja através da razão. Era a união da filosofia (razão) com a teologia (fé).

A ciência que se desenvolveu a partir da filosofia escolástica criou o método científico de observação, hipótese, experimentação e verificação independente.

Foi com essa visão que sábios medievais se lançaram em busca de explicações para os fenômenos do universo e conseguiram avanços importantes em áreas como a metodologia científica e a física.

Este é o método científico utilizado até hoje.

Esses avanços foram repentinamente interrompidos pela Peste Negra e são virtualmente desconhecidos pelo público contemporâneo, que muitas vezes ainda está preso ao rótulo do período medieval como uma suposta “Idade das Trevas”.

Depois de superado o abalo de desastres como a Peste Negra, o Ocidente pôde demonstrar um crescimento científico exuberante.

Os avanços na ótica, obtidos durante a Idade Média, logo iriam gerar aparelhos como o microscópio e o telescópio. Esses dois instrumentos juntamente com a prensa móvel, (fruto medieval), são vistos por muitos como os equipamentos mais importantes já criados para o avanço do conhecimento humano.

Na astronomia, a ciência da Idade Média deu sua maior contribuição científica, com a teoria de que o Sol é o centro do universo. Apesar de perseguida pela Igreja, que garantia que a Terra era o centro do universo, esta é a tese que permanece até hoje.

A invenção da bússola facilitou as grandes navegações, permitindo os grandes  descobrimentos.

A arte medieval era fortemente marcada pela religiosidade da época. Elas retratavam passagens da Bíblia e ensinamentos religiosos. As pinturas medievais e os vitrais das igrejas eram formas de ensinar à população um pouco mais sobre a religião.

Com a queda do Império Romano, técnicas artísticas da Grécia antiga acabaram perdidas, entre elas estava muito do que se sabia sobre a noção de perspectiva, então, a pintura medieval passa a ser predominantemente bidimensional, e as personagens retratadas eram pintadas maiores ou menores de acordo com sua importância. A pintura bidimensional levava em conta apenas a largura e a altura da figura.

Outras expressões artísticas da Idade Média foram a música e a literatura. Na música destacavam-se a música religiosa e o trovadorismo. Na lírica medieval, os trovadores eram os artistas de origem nobre, que compunham e cantavam, com o acompanhamento de instrumentos musicais, as cantigas (poesias cantadas). Estas cantigas foram manuscritas e reunidas em livros, conhecidos como Cancioneiro. O tema dos trovadores eram a exaltação aos feitos guerreiros, às damas e ao amor.

Figura de um trovador na Idade Média

A literatura desta época era composta de escritos religiosos bem como de obras seculares.
Grandes clássicos da literatura mundial fazem parte desta época, como a Divina Comédia, de Dante e Don Quixote de la Mancha, de Miguel de Cervantes.

A sociedade medieval conheceu importantes inovações técnicas, principalmente entre os séculos VII e X. Foi nesse período que se inventou a charrua (arado pesado de ferro) e o sistema de rotação de culturas em três campos.  Desenvolveram-se novos métodos de atrelar os animais e a integração entre a agricultura e a criação de gado, que possibilitava a adubação das terras com o esterco dos animais.

 Além disso, difundiu-se o uso dos moinhos de água (já conhecidos na Antiguidade Oriental, mas até então não utilizados na Europa) para moagem de grãos como o trigo e a cevada e para outros fins. Também o moinho de vento foi aperfeiçoado, de modo que as pás se movessem aproveitando o vento de qualquer direção.

A partir do século X, desenvolveu-se ainda a extração mineral, devido à necessidade de pedras para a construção dos castelos e de metais para a fabricação de armas e instrumentos agrícolas.

Estilo de vida na Idade Média

Como o Período Medieval foi bastante longo (aproximadamente mil anos), todos os aspectos da vida cotidiana, como moradia, vestuário, alimentação, costumes e regras passaram por mudanças importantes e variaram muito de um lugar para o outro. É importante, portanto, falar sobre o estilo de vida daqueles tempos, como veremos abaixo.

População e expectativa de vida

A população se concentrava no campo e o número de habitantes era pequeno devido ao elevado número de mortes, a expectativa de vida não passava dos quarenta anos. Os historiadores calculam que, de cada 100 crianças nascidas vivas, 45 morriam ainda na infância. Era comum a morte de mulheres durante o parto e os homens jovens morriam nas guerras ou vítimas de doenças para as quais ainda não se conhecia uma cura.

Cavaleiros

Os cavaleiros eram nobres que se dedicavam à guerra. A lealdade a seu senhor e a coragem representavam as principais virtudes de um cavaleiro.

Por muito tempo, para ser cavaleiro, bastava possuir um cavalo e uma espada. Em troca de serviço militar a um senhor, o cavaleiro recebia seu feudo, onde erguia uma fortaleza. Pouco a pouco, porém, as exigências para se tornar um cavaleiro foram se tornando mais rigorosas: além de defender o seu feudo e o de seu senhor, ele deveria professar a fé católica e honrar as mulheres.

O jovem nobre iniciava a aprendizagem aos 7 anos, servindo como pajem na casa de um senhor, onde aprendia equitação e o manejo das armas. Aos 14 anos, tornava-se escudeiro de um cavaleiro. Depois do tempo de aprendizagem, se o jovem fosse considerado preparado e digno, estava pronto para ser armado cavaleiro.

A burguesia

O termo burgo remonta à Idade Média e era o nome dado a cidades que eram protegidas por fortalezas. Dessa palavra procedem o adjetivo “burguês”, que designava o habitante do burgo e o substantivo burguesia, que se refere à condição de burguês.

Como já vimos, com o aumento da população nos castelos feudais, as pessoas passaram a viver nas cidades e se dedicavam ao artesanato e ao comércio destes artesanatos e do excedente da produção agrícola dos feudos.

De início, os comerciantes e os artesãos eram pobres e não sonhavam com enriquecer nem, muito menos, com tomar o poder, porém, quase no fim da Idade Média, começaram a emergir como uma força econômica, formando uma nova classe social rica e consequentemente poderosa, eram os burgueses. Apesar de não serem nobres, os burgueses tinham um rico modo de vida, e muitas vezes mais rico do que o dos nobres.

Com o aumento do comércio, os burgueses tinham necessidade de uma moeda única e um controle fiscal das vendas e por isso precisavam do apoio dos reis. Em troca dessas vantagens, financiavam os exércitos reais que passaram a ser independentes dos senhores feudais e a ter poder.

Matrimônio

Não existia o contrato de casamento civil, havia apenas um contrato entre as famílias dos noivos.

Em geral, mas principalmente entre os nobres, o casamento era negociado pelas famílias de acordo com o seu interesse em aumentar a posse de terras, a riqueza e o poder, ou para fortalecer alianças militares. Os noivos não participavam desses acertos e, em muitos casos, só se conheciam no dia da cerimônia (a mulher, com cerca de 12 anos, e o homem com mais do dobro da idade dela). O casamento por amor, de verdade, só passou a existir na Europa por volta do século XVII.

Geralmente, nas famílias nobres, só o filho mais velho se casava, e os outros se tornavam membros do clero ou cavaleiros errantes, que partiam para as guerras ou em busca de aventuras e fortuna, já que toda a herança dos pais era reservada para o filho primogênito. As mulheres que não se casavam iam para conventos ou se tornavam damas de companhia das casadas.

O matrimonio só se tornou um sacramento da Igreja a partir de 1439, por decisão do Concílio de Florença, que também tornou o casamento indissolúvel e proibiu a poligamia e o concubinato.

Saúde

A saúde era muito precária devido à falta de higiene e de um sistema de esgoto, as fezes era jogadas a céu aberto o que ocasionava pestes e doenças endêmicas. As principais doenças eram tuberculose, sífilis e infecções em geral.

Mais dramática ainda era a situação das crianças, muitas vezes abandonadas em estradas, bosques ou mosteiros pelos pais, que não tinham como sustentá-las. Além disso, havia também grande número de órfãos, devido ao elevado índice de mortalidade no parto: a falta de higiene provocava a chamada febre puerperal, que causava a morte da mãe, e a incidência de blenorragia (doença sexualmente transmissível) muitas vezes contaminava o filho, causando cegueira.

Superstições

Na sociedade medieval, profundamente dominada pela religiosidade e misticismo, era senso comum interpretar o surgimento de doenças e epidemias como sendo resultados da ira divina pelos pecados humanos.

Numa população supersticiosa, que interpretava todos os acontecimentos naturais como expressão da vontade divina, a doença era vista como punição pelos pecados. Para se livrar desses pecados, as pessoas faziam então penitências, compravam indulgências e procuravam viver de acordo com os mandamentos da Igreja.  Mas, como nem sempre conseguiam manter  uma vida regrada, casta e desapegada das coisas e prazeres materiais, homens e mulheres viviam em constante preocupação com a morte e com o julgamento de Deus.

A vida como ela era

Nas famílias camponesas, todos trabalhavam muito. Além de cuidar das terras do senhor do feudo, homens, mulheres e crianças faziam à colheita, moíam os grãos e construíam pontes, estradas, estábulos e moinhos. Ao mesmo tempo, cultivavam seus lotes e cuidavam dos animais e dos trabalhos artesanais e domésticos.

Os camponeses viviam em cabanas cobertas de palha, com piso de terra batida e a área interna escura, úmida e enfumaçada. As cabanas tinham apenas um cômodo, e os móveis resumiam-se à mesa e bancos de madeira e os colchões eram de palha.

A alimentação era quase sempre pão escuro e uma sopa de vegetais, legumes e ossos.

Aos nobres, entretanto, não faltava uma grande variedade de peixes e carnes, quase sempre secas e salgadas, para se conservar durante o inverno. No verão, para disfarçar o gosto ruim  e o mau cheiro da carne estragada, a comida era cozida com especiarias e temperos fortes, raros e exóticos, que vinham do Oriente, custavam caro e eram difíceis de obter, dai a razão da busca pelo caminho das Índias. O açúcar, outra raridade, era considerado um luxo e usado até como herança ou para pagamento de dotes. O vinho era consumido em grande quantidade em quase todas as regiões, e os habitantes do norte da Europa também costumavam consumir a cerveja.

As festas, em especial as de casamento, duravam dias com bebida e comida farta e diversificada. Havia também apresentação de cômicos, acrobatas, dançarinos, trovadores, cantadores e poetas, para diversão dos convidados.

Os jogos e a bebida, bastante comuns nas tavernas de todas as cidades, atraíam os homens que consumiam muito vinho, jogavam dados e se envolviam em brigas e confusões. Por isso, os padres amaldiçoavam as tavernas, apontadas como antros de perdição, mas nem por isso conseguiram acabar com elas. Ao contrário, esses costumes se acentuaram cada vez mais, com o crescimento dos centros urbanos. Sujas e barulhentas, sem esgoto  e sem água tratada, as cidades se tornaram focos de contágio e disseminação de doenças e pestes.

Nas cidades, aglomeravam-se e conviviam todos os tipos de pessoas e profissões: ricos, comerciantes, taberneiros, artesãos, padeiros, relojoeiros, joalheiros, mendigos, pregadores, vendedores ambulantes, menestréis, etc. E na periferia das cidades, bastante discriminados pela maioria da população, viviam outros grupos: judeus, muçulmanos, hereges, leprosos, homossexuais e prostitutas, muitas vezes perseguidos e reprimidos pela Inquisição, a partir do século XII.

A maioria da população era analfabeta, e a língua falada era a da região. Como não sabiam ler, essas pessoas só tinham acesso à literatura por meio de artistas que se apresentavam em público para ler e contar histórias, declamar poesias ou cantar e encenar espetáculos de teatro nas praças, ruas e tavernas das aldeias e cidades, muitas vezes durante as festas.

As moradias dos nobres também se modificaram bastante, ao longo do tempo. Até o século XII, seus castelos se resumiam a uma torre, onde habitava a família do senhor, e eram feitos de madeira, sendo por isso mesmo muito vulnerável a incêndios e a ataques de invasores. A partir dos anos 1200, tornaram-se comuns as construções em pedra e tijolos e os castelos ganham novas dependências, como celeiros, estábulos, muralhas, fossos e torres de vigia, para sua defesa. A mobília também se sofisticou e os nobres passaram a usar tapeçaria e pratarias vindas do Oriente.

Vestuário

As roupas e os sapatos da época eram bastante volumosos e escondiam quase inteiramente o corpo, especialmente o da mulher. As mais jovens até chegavam a revelar o colo, mas a Igreja sempre desaprovou os decotes. Pode-se dizer também que já existia moda, naquele tempo, com a introdução de novidades na forma de vestidos, chapéus, sapatos, jóias, etc.

Vestuário básico das mulheres incluía roupa de baixo, saia ou vestido longo, avental e mantos, além de chapéus com formas as mais variadas (imitando a agulha de uma torre, borboletas, toucas com longas tiras) e exagerados (em alguns locais foi preciso alterar a entrada  das casas para que as damas e seus chapéus pudessem passar). Na época, cabelos presos identificavam a mulher casada, enquanto as solteiras usavam cabelos soltos.

As cores mais usadas pelas mulheres eram o azul real, o bordô e o verde escuro. As mangas e as saias dos vestidos eram bufantes e compridas. As mais ricas usavam acessórios, como leques e joias.

Para os homens, o vestuário se compunha de meias longas, até a cintura, culotes, gibão (uma espécie de jaqueta curta), chapéus de diversos tamanhos e sapatos de pontas longas. Os tecidos variavam de acordo com a condição social dos cavaleiros, o clima, a ocasião e local e, nos dias de festa, por exemplo, usavam ricas vestimentas, confeccionadas com tecidos orientais, sedas, lã penteada e veludo.

Castelo da época do feudalismo

Os senhores feudais moravam em castelos fortificados, erguidos em meio às suas terras. Até o século X, eram, geralmente, de madeira. Com o enriquecimento dos senhores feudais, os castelos passam a ser construídos de pedra, formando verdadeiras fortalezas. Dentro dele viviam, monotonamente, o senhor, sua família, os seus domésticos e, em caso de guerra, todos os vassalos que ali se abrigavam do inimigo comum. O interior do castelo era amplo, mas frio, espartanamente mobiliado, oferecendo pouca comodidade. As únicas diversões eram, especialmente nos dias chuvosos, os cânticos dos jograis e as graças dos bufões. Em dias de sol, periodicamente, o senhor do castelo saía à caça, ou promovia torneios com cavaleiros vizinhos, disputando alegremente o jogo das armas.

Retrato de um castelo feudal

O lendário cinturão da castidade

Era um artefato de ferro ou de couro que os homens colocavam em suas mulheres e que tinha uma tranca (ou uma espécie de cadeado) para impedir que elas, na ausência de seus maridos, mantivessem relações extraconjugais. O cinto de castidade tinha apenas um orifício (não dois como desenham muitos historiadores e artistas plásticos que tentam resgatar o mito dessa odiosa peça) por onde saiam às fezes e a urina da mulher. O grande problema era que, por não poderem fazer sua higiene, as mulheres acabavam vítimas de infecções urinárias graves por Escherichia coli, uma bactéria que é constituinte da flora normal do intestino, mas que no sistema urinário causa uma infecção gravíssima e que pode causar nefrite, nefrose e levar à morte. Muitas morriam ainda muito jovens por causa desse tipo de costume.