Idade Média Oriental

Sultão Osmã, fundador do Império Otomano

A Idade Média Oriental, que compreende, como a Idade Média Ocidental, o período que vai de 475 a 1453, tem características muito diferentes das características da Idade Média Ocidental, em todos os setores da vida, seja política, econômica, social, cultural e religiosa.

A Idade Média Ocidental se dividia em duas fases, a Alta Idade Média e a Baixa Idade Média, enquanto a Idade Média Oriental se divide em três civilizações, a Civilização Bizantina, a Civilização Islâmica e a Civilização Otomana, cada uma com suas características, sendo que a principal delas foi a Civilização Bizantina.

A Idade Média Oriental aconteceu no Império Romano do Oriente

Características da Idade Média Oriental

Três foram as civilizações que floresceram na Idade Média Oriental

Civilização Bizantina

Civilização Islâmica

Civilização Otomana

Civilização Bizantina

É a civilização que se desenvolveu no Império Bizantino ou Império Romano do Oriente. Como Império Romano do Oriente, que era, a civilização era ocidental até que, com o passar dos séculos a localização no oriente falou mais alto e sua cultura passou a ser oriental.

Enquanto o Império do Ocidente se esfacelava, invadido pelos povos bárbaros, o império do oriente continuou por mais mil anos, sendo considerado uma das instituições governamentais mais duradoura do mundo. Só terminou em 1453, com a tomada de Constantinopla pelos turcos otomanos. Então, podemos dizer que a história do Império Romano do Oriente não sofreu interrupção entre a Antiguidade e a Idade Média, mas teve características próprias.

Características da Civilização bizantina

Política

A forma de governo da civilização bizantina era teocrática, quer dizer, a fé e a política estão unidas, as decisões políticas e jurídicas são tomadas à luz de uma religião, no caso a religião crista e, também absoluta, pois o imperador era soberano, tanto quanto ao poder temporal quanto ao espiritual, de maneira que era chefe não só do Estado como da também Igreja Cristã. O nome dado a isso é cesaropapismo, quando a função do papa é exercida pelo imperador. Foi por causa do acúmulo de poder que houve o Cisma do Oriente, em 1054, um episódio importante na história dos países cristãos. O Papa, que devia ser o chefe supremo do catolicismo, entrou em conflito com o imperador bizantino. Este, ao negar a submissão a Roma, declarou a sua igreja como independente, dando origem ao cristianismo ortodoxo.

Economia

Após a divisão do Império, Constantinopla passou a ser a capital da parte oriental, concretizando-se a completa autonomia do que restara do grande império latino, alicerçado num poder centralizado e despótico.

Com localização privilegiada, entre o Ocidente e o Oriente, a civilização bizantina desenvolvia um ativo comércio com as cidades vizinhas, além de possuir uma promissora produção agrícola, o que a tornava um centro rico e forte, em contraste com o restante do Império Romano, estagnado e em crise. O desenvolvimento do comércio permitia obter recursos para resistir às invasões bárbaras.

Entre os principais produtos vendidos estavam os perfumes finos, peças de vidro, porcelana e tecidos de seda. Como eram produtos vindos da Ásia, as pessoas ricas da Europa os compravam pagando muito dinheiro.

Outros produtos comercializados eram: escravos, jóias, âmbar, especiarias (cravo, pimenta-do-reino, mostarda), peles, armas, imagens religiosas, marfim, objetos de ouro, trigo, papiros, pedras preciosas, azeite, azeitonas, vinho e ornamentos.

O governo inspecionava as atividades econômicas controlando a qualidade e a quantidade da produção das corporações de ofício. O Estado também tinha negócios nas áreas de metalurgia, tecelagem, armamento e pesca.

Na agricultura, a maior parte da produção provinha das grandes propriedades agrárias, os latifúndios, cujos principais donos eram os mosteiros e a nobreza fundiária, formada por militares que haviam recebido terras como recompensa por serviços prestados ao imperador. Quase todo o trabalho era feito pelos servos, que dependiam da terra para viver.

O governo muitas vezes coletava parte do excedente através de impostos, e colocava novamente em circulação, por meio de redistribuição sob a forma de salários aos funcionários do Estado, ou sob a forma de investimentos em obras públicas.

As oficinas privadas de artesanato estavam distribuídas em corporações de ofícios. Essas corporações eram formadas por oficinas de artesanato de um mesmo ramo, como carpintaria, tecelagem ou sapataria.

Vida urbana e rural

Era movimentada a vida rural e urbana do império, graças ao comércio.

A principal cidade era Constantinopla, hoje Istambul, além de Têssalonica, Nicéia, Edessa e Tarso, onde viviam os grandes comerciantes, donos de oficinas manufatureiras, membros do alto clero e funcionárias públicos de alto escalão;

Estas pessoas viviam luxuosamente, usando finas roupas de seda e lã bordadas em ouro e prata, vasos de porcelana e tapeçarias.

Também, viviam nas cidades outros grupos sociais como artesãos, funcionários de médio e baixo escalão e pequenos comerciantes.

A maior parte da população era composta de trabalhadores pobres, sendo que a maioria vivia no campo.

Hierarquia social

A sociedade bizantina era totalmente hierarquizada.

No topo da sociedade encontrava-se o imperador e sua família.

Em seguida vinha a nobreza formada pelos assessores do rei.

Abaixo destes estava o alto clero.

Ricos fazendeiros, comerciantes e donos de oficinas artesanais formavam a elite.

A classe média da sociedade era formada por pequenos agricultores, trabalhadores das oficinas de artesanato e pelo baixo clero.

A grande parte da população era formada por pobres camponeses que trabalhavam muito, ganhavam pouco e pagavam altas taxas de impostos.

Pirâmide social bizantina

Cultura e Arte

A cultura foi bastante rica durante todo o período de existência dos bizantinos.

A arquitetura, a escultura e a pintura produziram grandes obras.

A Arte Bizantina foi influenciada por grandes povos, como os gregos, romanos antigos e civilizações da Ásia Menor. Até hoje podemos ver um exemplo da grandeza das obras nas famosas decorações de igrejas. Os arquitetos utilizaram a herança romana para criar um estilo único. Os planos, as dimensões e outros elementos que constituem as basílicas romanas marcaram a tradição bizantina.

A pintura era essencialmente decorativa, e representava santos, anjos e figuras importantes da civilização bizantina. O tom das imagens era marcado pelas poses estáticas e expressões de benevolência e misticismo. A mesma linha decorativa seguia a escultura, que era feita com marfim, vidro e ouro. Os escultores também eram especialistas em baixo-relevo em edifícios.

A força artística era tão forte que Constantinopla tornou-se um celeiro cultural, com muitos artistas vindos em busca de inspiração. A cultura helenística desempenhou um papel importante na forma como os bizantinos viam o desenvolvimento das obras. O grego era até considerado um segundo idioma.

A literatura também foi rica, com muitas obras de qualidade em prosa e verso. O cuidado com os livros era extremo, tanto no conteúdo como na forma. Os artistas se preocupavam em desenhar iluminuras e fontes de alto valor estético. Na língua, desenvolveram um alfabeto chamado cirílico. O nome se deve a um dos seus criadores, o monge Cirilo, que juntamente com o companheiro Metódio desenvolveram a escrita.

OMosaico foi uma forma de expressão artística importante no Império Bizantino, consistindo na formação de uma figura com pequenos pedaços de pedras colocadas sobre o cimento fresco de uma parede.

As catedrais e os mosaicos bizantinos estão entre as obras de arte e arquitetura mais belos do mundo. O maior exemplo desta arquitetura é a Igreja de Santa Sofia.

Religião

A religião foi fundamental para a manutenção do Império Bizantino, e era a mesma da sociedade romana. O cristianismo, herança da igreja cristã de Roma, ocupava um lugar de destaque na vida dos bizantinos e deu origem à Igreja Ortodoxa que tinha por chefe o imperador, chefe do Império. A igreja cristã romana era dirigida pelo Papa, com sede em Roma, e a igreja cristã bizantina tinha sede em Alexandria, e era dirigida pelo Patriarca, que era também o chefe do governo.

A Igreja de Bizâncio passou a ser conhecida como Igreja Ortodoxa Grega, mantendo dogmas e rituais próprios.   

A religião bizantina foi uma mistura de diversas culturas, como gregas, romanas e orientais, o que gerou várias questões, como o Monofisismo, cujafilosofia negava a natureza terrestre de Jesus Cristo. Para eles Jesus possuía apenas a natureza divina, espiritual. Esse movimento teve início no século V com auge no reinado de Justiniano; e a Iconoclastia, cujo movimento político-religioso era contra a veneração de ícones e imagens religiosas, por constituir idolatria.

Ascensão e queda da civilização bizantina

O auge da civilização bizantina foi durante o reinado de Justiniano, que transformou o Império Bizantino em um dos estados mais poderosos do Mediterrâneo no Período Medieval, ampliando as fronteiras do Império, empreendendo expedições que chegaram à Península Itálica, à Península Ibérica e ao norte da África.

Após o auge do governo de Justiniano, a Civilização Bizantina entra em lenta decadência. Essencialmente urbana, apoiada num poderoso comércio, a sociedade bizantina começa a sofrer, a partir do século X, crescentes pressões desagregadoras. Com a retomada das atividades comerciais na Baixa Idade Média Ocidental, Bizâncio foi alvo da ambição das cidades italianas, como Veneza, que a subjugou transformando-a num entreposto comercial sob exploração italiana. Mesmo antes disso, o Império Bizantino já vinha perdendo territórios, sofrendo o cerco progressivo, ora dos bárbaros, ora dos árabes, em expansão nos séculos VII e VIII.

A partir do século XIII, as dificuldades do Império se multiplicaram, já não existindo um Estado suficientemente forte e rico para enfrentar as constantes incursões estrangeiras. No final da Idade Média, por sua posição estratégica, foi o ponto mais ambicionado pelos turcos otomanos, que em 1453 finalmente atingiram seus objetivos, derrubando as muralhas de Bizâncio e pondo fim à existência do Império Romano do Oriente, o Império Bizantino.

A queda de Constantinopla serviria como marco para o fim do mundo medieval ocidental e o início da Idade Moderna.

Civilização Islâmica

Até o século VII a Península Arábica era composta por povos semitas que viviam espalhados em tribos, que tinham estilos de vida e crenças diferentes mas falavam a mesma língua. Eles eram politeístas e se dividiam em dois tipos de árabes, os beduínos, que viviam no deserto e eram pastores ou se dedicavam ao transporte de mercadorias em camelos, e os coraixitas, que viviam no litoral e se dedicavam ao comércio fixo.

Foi na Península Arábica que se desenvolveu a civilização islâmica, a partir da implantação de uma crença em um só Deus, Alá, feita pelo profeta Maomé.

Tendo sido por muito tempo guia de caravanas, Maomé percorreu o Egito, a Palestina e a Pérsia, conhecendo novas religiões, como o judaísmo e o cristianismo. A grande transformação de sua vida teve lugar quando, já bem estabelecido economicamente, divulgou que tivera uma visão do anjo Gabriel, anjo da religião cristã, em que este lhe revelara a existência de um Deus único. A palavra deus, em árabe é Alá.

Foi ele que criou a religião chamada islã, islamismo ou maometismo um dos braços das religiões chamadas abraâmicas (são três as religiões abraâmicas: cristianismo, judaísmo e islamismo). Islã significa resignação, submissão a Alá. Na tentativa de expandir a crença em um Deus único, Maomé conseguiu unificar as tribos árabes, formando uma civilização árabe.

Gradualmente, o número de crentes em Alá foi aumentando e, apoiado nessa força, Maomé começou a pregar a Guerra Santa, ou seja, a expansão do islamismo, através da força, a todos os povos “infiéis”. O grande estímulo era dado pela crença de que os guerreiros de Alá seriam recompensados com o paraíso, caso perecessem em luta, ou com a partilha do saque das cidades conquistadas, caso sobrevivessem. A Guerra Santa serviu para unificar as tribos árabes e tornou-se um dos principais fatores e permitir a expansão posterior do islamismo.

Com a morte de Maomé seus sucessores, os califas Abu-Béquer, Omar, Otman e Ali, encarregaram-se de expandir o Islamismo para todo o Oriente Médio e também para outras regiões. No entanto, seus sucessores entraram em conflito, ocasionando uma série de contestações à autoridade dos califas. Esses conflitos acabaram dividindo os muçulmanos entre dois grupos principais, os xiitas e os sunitas.

Os xiitas consideram que o líder religioso e político deve ser descendente de Maomé, e que o Alcorão é a única fonte sagrada. São contra a ocidentalização, são radicais e são maioria (85% dos muçulmanos)

Os sunitas seguem os ensinamentos de Maomé que estão contidos em um conjunto de textos que ficou conhecido como Suna, daí o nome sunitas. O Suna, para eles, é uma fonte importantíssima de verdade, estando ao lado do Alcorão. São menos radicais que os xiitas.

Durante o processo de expansão do islamismo dois califados principais foram formados, os Omíadas e os Abássidas.

O califado de Omíada transformou-se em um dos centros políticos, culturais, e científicos principais do início da Idade Média.

Os omíadas iniciaram o processo de difusão do Islã por toda a Ásia, África e Europa, atingindo a Pérsia (atual Irã) e a Ásia Central, convertendo os governantes das principais cidades de oásis da Rota da Seda. Eles também invadiram o que é agora o Paquistão, iniciando o processo de conversão nessa área que continuaria por séculos. As tropas omíadas também atravessaram o Egito e trouxeram o Islã para a costa mediterrânea da África, de onde se espalhariam pelo sul através do Saara ao longo de rotas de caravanas até que grande parte da África Ocidental se tornasse muçulmana.

 Finalmente, os omíadas travaram uma série de guerras contra o Império Bizantino, procurando derrubar este império cristão na Anatólia e converter a região ao Islã. A Anatólia acabaria por se converter, mas somente após vários séculos.

A dinastia Abassida foi a terceira dinastia após Maomé, após massacrar e expulsar os omíadas de sua capital, Bagdá.

Foi sob o império dos abassidas que a civilização islâmica atingiu seu ápice. Bagdá torna-se uma cidade esplêndida e uma base de comércio, ensino e artes. É o tempo da grande prosperidade e do esplendor cultural e intelectual muçulmano, particularmente em áreas como a medicina, as matemáticas, a astronomia.

Porém, o mundo islâmico, neste período, começa a perder a unidade política, com muitas regiões do Império a separarem-se e a formarem as suas dinastias locais.
O governo Abássida termina em 1258, quando Bagdá é destruída pelos Mongóis.

A cidade de Meca é o mais importante centro religioso muçulmano e nela se localiza a CAABA (Casa de Deus), que abriga a Pedra Negra, um pedaço de meteorito, trazido do céu pelo anjo Gabriel para o profeta Abraão.

Explicado o que é o islamismo passemos à civilização islâmica e suas características.

Política

O Estado Islâmico é um estado teocrático, governado por um califa que seria o sucessor do profeta Maomé, textualmente, Khalifat rasuk Allah, que quer dizer, sucessor do profeta de Deus.

O califa era instituído de legitimidade política e religiosa para governar o povo muçulmano. Os primeiros quatro califas foram Abu-Béquer, Omar, Otman e Ali.

No início do processo de sucessão dos califas, sobretudo com Abu-Béquer e Omar, houve uma nítida aceitação da autoridade deles pelas tribos árabes, sobretudo pelo reconhecimento da força militar e da capacidade de domínio.

Contudo, com o assassinato de Omar por um escravo em 644, quem ascendeu ao poder foi Otman, da família Omíada, uma das mais poderosas de Meca, cuja legitimidade não foi reconhecida por todos, várias tribos de beduínos e muitos habitantes de Medina passaram a se opor a Otman, que acabou sendo assassinado em 656. Ali, primo de Maomé e sucessor de Otman como califa, acabou sendo acusado de envolvimento no crime.

Foi essa disputa entre califas que deu origem à divisão dos muçulmanos nos dois grupos, que até hoje dividem os seguidores de Maomé, o grupo xiita e o grupo sunita, como já vimos acima.

Religião

Sobre a religião islâmica há pouco o que acrescentar, pois muito já foi dito acima.

O islamismo é uma religião que possui cinco pilares que todo muçulmano deve seguir no exercício de sua fé. Estes são os pilares:

Recitar o credo “não existe nenhum deus além de Allah, e Muhammad é seu profeta”.

Orar cinco vezes ao dia na direção de Meca.

Observar o jejum durante o mês sagrado chamado Ramadã.

Realizar o zakat, a doação de 2,5% de seus lucros para os mais pobres.

Visitar Meca uma vez na vida, desde que se tenha condições para isso.

O livro sagrado do Islã é o Alcorão, mas há também outro livro de importância quase igual, o Suna, que é seguido pelos sunitas.

Uma das características mais veementes da habilidade que Maomé teve ao difundir a fé islâmica foi preservar o culto à pedra Caaba, em Meca, bem como a peregrinação a essa cidade, fenômeno que já era praticado pelas tribos politeístas, mas que foi restabelecido pelo islã.

Economia

A economia do Islão, na Idade Média, se sustentava no comércio, uma tradição que vem desde os primórdios do islamismo, os coraixitas viviam do comércio e os beduínos transportavam as mercadorias.

Mesmo antes da presença islâmica, a cidade de Meca servia como centro comercial na Arábia. A tradição de peregrinação à Meca transformou-a num centro de intercâmbio de ideias e mercadorias. A influência dos comerciantes muçulmanos no comércio entre a Arábia, a África e a Ásia foi muito grande, fazendo com que a civilização islâmica se desenvolvesse sobre uma base mercantil, contrastando com os cristãos, indianos e chineses, que construíram suas sociedades a partir de uma nobreza cujo poder estava fundado na posse de terras e produção agrícola. Os comerciantes muçulmanos levaram suas mercadorias e sua fé à China, Índia e aos reinos da África Oriental, regressando destes países com novas invenções. Os comerciantes usaram sua riqueza para melhorar a produção têxtil e agrícola.

Cultura

A Idade de ouro islâmica, também conhecida como Renascimento islâmico é datada comumente entre os séculos VIII e XIII, embora alguns a estendam até ao século XIV ou XV. Durante esse período, engenheiros, acadêmicos e comerciantes do mundo islâmico contribuíram grandemente em áreas como artes, agricultura,  economia,  indústria,  literatura,

navegação, filosofia, ciências, e tecnologia, preservando e melhorando o legado clássico, por um lado, e acrescentando novas invenções e inovações próprias.

Os filósofos, poetas, artistas, cientistas, comerciantes e artesãos muçulmanos criaram uma cultura única que influenciou as sociedades de todos os continentes.

Durante esse período, o mundo muçulmano se converteu no centro intelectual indiscutível da ciência, filosofia, medicina e educação, enquanto que os abássidas lideravam a causa do conhecimento e se estabeleciam na “Casa da Sabedoria” em Bagdá, onde estudiosos muçulmanos e não-muçulmanos tentaram reunir e traduzir todo o conhecimento mundial para a língua árabe.

Muito práticos, os árabes aplicaram o raciocínio lógico e o experimentalismo. Desenvolveram a Matemática (álgebra e trigonometria), a Química (alquimia), Medicina e a Filosofia (estudo de Aristóteles).

Nas artes, a grande contribuição foi no campo da Arquitetura, com construção de palácios e de mesquitas.

Na pintura, dado a proibição religiosa de reproduzir a figura humana, houve o desenvolvimento dos chamados arabescos.

Muitos pensadores muçulmanos da Idade Média seguiam o humanismo, o racionalismo e o discurso científico na busca de conhecimento, significados e valores. Um amplo espectro de escritos islâmicos sobre a poesia amorosa, a história e a teologia filosófica mostram que o pensamento medieval islâmico estava aberto às ideias humanistas do individualismo, secularismo, ceticismo e liberalismo.

A liberdade religiosa ajudou a criar redes interculturais atraindo assim intelectuais muçulmanos, cristãos e judeus, começando a “plantar a semente” do maior período de criatividade filosófica da Idade Média, a partir do século VIII ao XIII.

Um número significativo de instituições previamente desconhecidas na Idade Antiga, teve a sua origem no mundo medieval islâmico, sendo os exemplos mais notáveis o hospital público (que substituiu os templos de cura), a biblioteca pública, a universidade para graduados e o observatório astronômico como instituto de investigação.

As primeiras universidades que possuíam graduação eram as Bimaristão; hospitais médicos universitários do mundo medieval islâmico, que entregavam diplomas de medicina a estudantes de medicina islâmica que estavam qualificados para exercer como doutores em medicina a partir do século IX.

O Livro Guinness dos Recordes reconhece a Universidade de Al Karaouine, em Fez (Marrocos), fundada no ano 859, como a universidade mais antiga do mundo.

A Universidade Al-Azhar, fundada no Cairo no século X, oferecia uma ampla variedade de graduações acadêmicas, incluindo estudos de pós-graduação, e é considerada frequentemente a primeira universidade global.

Expansão do islamismo

A expansão árabe representou um maior contato entre as culturas do Oriente e do Ocidente. No aspecto econômico a expansão territorial provocará o bloqueio do mar Mediterrâneo, contribuindo para a cristalização do feudalismo europeu, ao acentuar o processo de ruralização e fortalecendo a economia de consumo.

A expansão começou com as conquistas da Pérsia, Síria e da Palestina ao Egito, continuou, na Dinastia dos Omíadas, com as conquistas do vale do Indo, Norte da África até Marrocos e Península Ibérica. Tão extensa era expansão do islamismo que na Dinastia dos Abissidas, o império foi dividido em três califados, Bagdá, na Ásia, Cordova na Espanha e Cairo no Egito.

Esta divisão do mundo Islâmico será constante até que no ano de 1258 Bagdá será destruída pelos mongóis.

Civilização Otomana

A Civilização Otomana é um dos eventos que caracterizam a Idade Média Oriental. Sua história começa com o aparecimento dos turcos, que do século V até o VIII, foram uma civilização bastante desenvolvida economicamente, baseada no comércio com vários povos, como os chineses, mongóis, persas e coreanos, com rotas comerciais que abrangiam desde o Nordeste da Europa o Leste da China.

Por volta do século X, já estabelecidos no Oriente Médio, foram convertidos ao islamismo e a partir daí essa civilização começou a ganhar mais forma, criando a sua própria organização política, essa que divergia da política do restante do Oriente Médio.

O grupo de nômades turcos que se converteu ao islamismo formou a dinastia seljúcida, e passou a dominar regiões da Mesopotâmia, Síria e Palestina. Assim, no século seguinte, foi desenvolvida a primeira organização imperial turca, originando o primeiro Império Turco. No entanto, devido a divergências internas, essa dinastia logo se desfez.

Então, em meados do século XIII, o líder turco Osman ou Otman, fundou outro império turco, esse que ficou conhecido como Império Turco-Otomano, que se tornou um dos mais longos da história. O nome da civilização reporta ao nome do fundador do Império, Otman.

Em 1299, Osman declarou sua jurisdição na Anatólia, que então pertencia ao Império Seljucida, o que deu início ao seu próprio império, o sultanato turco-otomano.

É aí que começa a Civilização Otomana. Se compararmos com os fatos que marcaram a Idade Média Ocidental, esta civilização se desenvolveu no período da Baixa Idade Média.

Pintura do sultão Osmã, fundador do Império Otomano

O império cresceu, conquistando terras do império bizantino, chegando a incluir, no auge de seu poder, toda a Ásia Menor, os países da península balcânica, as ilhas do Mediterrâneo oriental, partes da Hungria e da Rússia, Iraque, Síria, Cáucaso, Palestina, Egito, parte da Arábia, e todo o norte da África, pelo lado da Argélia. Já donos de toda esta extensão de terras, voltaram seus olhos para Constantinopla, capital do Império Bizantino, que conquistaram em 1453. O sultão otomano, Mehemed II, reclamou para si o título de califa, que significa o soberano de todos os muçulmanos e mudou o nome de Constantinopla para Istambul.

A queda de Constantinopla marca o fim da Idade Média.

Política

A forma de governo do império otomano na Idade Média era o sultanato, em que o chefe supremo político e religioso era o sultão, cuja autoridade era garantida por uma força militar formada por guerreiros educados de acordo com a religião muçulmana e orientados para defender o sultão a qualquer custo.

Esta força guerreira era formada por crianças e jovens capturados em guerra e logo a seguir educados de acordo com os ensinamentos da religião islâmica. Ensinados a serem considerados filhos do próprio sultão, chefe máximo do império, o corpo dos janízaros era um exército leal à autoridade política otomana.

A formação deste exército fanático foi determinada a partir da filosofia do primeiro ministro Alaudin, de que os grandes senhores feudais da região representavam um grande perigo para o império, pois possuíam grandes exércitos e poderiam influenciar o grande número de cristãos contra o governo otomano.

Assim, parecia sábio que houvesse um recrutamento dos jovens entre os prisioneiros de guerra e súditos cristãos para serem educados e treinados pelo poder central para criar um exército de elite, e educa-los dentro dos ensinamentos do Islam.

A este exército seria dado o posto de armada real, e sua lealdade era esperada pois haviam se tornado muçulmanos devotos, e seus familiares não pensariam em se revoltar e lutar contra o poder central, já que seus próprios filhos compunham o exército real.

O plano deu tão bons resultados que muitos cristãos nos domínios do império vieram aos centros de treinamento com seus filhos para que entrassem no corpo de janízaros, pois nisso havia muitas vantagens. O treinamento não era, apenas, militar, eles eram alfabetizados em turco, árabe ou persa, aprendiam disciplinas como a matemática, eram membros da própria guarda pessoal do sultão, algo que camponeses cristãos europeus jamais poderiam imaginar para seus filhos, que viviam numa sociedade feudal decadente e miserável, em que estes luxos eram raramente desfrutados por alguns cavaleiros, membros do clero e da nobreza.

Figura de um janissário, soldado da tropa de elite do exército otomano

Economia

A visão econômica da civilização otomana era a prosperidade das classes produtivas que gerariam recursos para manter o Estado preparado para expandir o império e a sociedade em condições de preservar sua integridade. O objetivo final era aumentar as receitas do Estado sem prejudicar a prosperidade dos indivíduos para evitar o surgimento da desordem social e manter a organização tradicional da sociedade intacta. 

Como vemos, a Idade Média Oriental começa com o domínio da Civilização Bizantina, se transforma sob a grande influência da Civilização Islâmica e termina com a Civilização Otomana tomando Constantinopla.