
Começa a história dos povos – 4.000 A.C
Foi mais ou menos nesta época que o homem deu um salto histórico, deixou de viver na Pré-história e entrou para a História.
O que isto quer dizer?
Significa que houve um momento em que os fatos e acontecimentos vividos pelo homem, a sua história, foi documentada por sinais uniformes e organizados, representando sempre a mesma ideia.
Estes símbolos eram usados para registros do cotidiano, atos administrativos, movimentações econômicas e acontecimentos políticos da época.
Este processo de registrar fatos sempre com os mesmos caracteres gravados em placas de barro ou pedra chamou-se Escrita.
Com a escrita, o ser humano criou uma forma de registrar suas ideias e eventos e de se comunicar.
A partir do momento em que os fatos e acontecimentos passaram a ser registrados pela escrita, a vida do homem passou a ser documentada para a posteridade.
Começava a História.
Para facilidade de estudo a História propriamente dita foi dividida em História Antiga, História Medieval, História Modena e História Contemporânea.
Idade Antiga
A Idade Antiga conta a história das primeiras civilizações, orientais e ocidentais.
Elas se desenvolveram na África, Ásia e parte da Europa.
As civilizações que se desenvolveram na Ásia e na África constituem a Antiguidade Oriental, e as civilizações da Europa, a Antiguidade Ocidental ou Clássica.

A Antiguidade Oriental começou com os povos da Mesopotâmia, os sumérios, hititas, assírios, acádios, babilônicos e caldeus, seguidos pelos hebreus, egípcios, os povos da Anatólia, os medos, os persas, os hindus e as civilizações da China e do Japão.
Antiguidade Oriental
A história dos povos começa no Oriente, mais precisamente no Oriente Médio, com os povos que viveram na Mesopotâmia, local onde as civilizações começaram.
Ao norte, nas montanhas geladas da Armênia nasce um rio que corre para o sul, indo desaguar no Golfo Pérsico.
É o rio Eufrates.
Um pouco mais a leste, também nas montanhas da Armênia, nasce outro rio, que também corre para o sul, indo encontrar-se com o primeiro, próximo do Golfo Pérsico.
É o rio Tigre.
A região entre estes dois rios (muito fértil graças á inundação destes rios) chama-se Mesopotâmia, palavra grega que quer dizer terra entre rios.
Os povos que constituem as primeiras civilizações viveram na Mesopotâmia e foram os sumérios, os hititas, assírios, acádios, babilônicos e caldeus.
Onde eles viveram, hoje vivem os iraquianos e os sírios.

Estas civilizações se iniciam com os sumérios, bem no sul da região, na confluência dos dois rios.
Sumérios
Foram os primeiros donos da Mesopotâmia.
Localizavam-se no sul da Mesopotâmia, daí seu nome, pois sumério vem de sumer que na língua deles queria dizer sul.
Eram baixos, atarracados e tinham a barba e o cabelo raspados.
Era um povo pacífico, amigo da ordem e do progresso.
Suas casas eram construídas de tijolos cozidos ao sol, formando grupos que se constituíam em cidades.
Veja no mapa a seguir onde se localizaram os sumérios, dentro da Mesopotâmia.

Cultura, Política e Religião dos sumérios
Este povo conseguiu documentar os seus acontecimentos usando placas de barro, onde escreviam com caracteres em forma de cunha constituindo sílabas.
Os artesãos imprimiam caracteres em forma de cunha, em blocos de argila mole, que depois ia para o forno para secar. Esta escrita é chamada de cuneiforme.
Estes artesãos chamavam-se escribas e os blocos de argila seca formavam os arquivos de documentos oficiais, que formavam as bibliotecas.
Era tão interessante esta forma de gravar os acontecimentos, que os povos vizinhos adotaram esta escrita.
Foram os sumérios que imaginaram um sistema de medidas baseado no corpo humano, que mais tarde foi adotado por todos os povos da época.
As medidas eram: o pé, que correspondia ao tamanho do pé de um adulto médio (33 cm) – o palmo igual a 22 cm, o cúbito, correspondente a 7 palmos igual a 154 cm, e a braça, igual a 4 cúbitos (616 cm).
A distância entre uma cidade e outra era medida por dia, e os terrenos para plantio eram medidos por jornada de trabalho (terreno arado por uma junta de bois).
Usavam a roda como meio de transporte.
Construíam diques e canais para irrigação das plantações de árvores frutíferas e cereais e criação de peixes.
Essa fartura originou lendas como a do Paraíso Terrestre (Jardim do Éden, do livro de Gênesis). Outra lenda bíblica que tem origem nos sumérios é a do Dilúvio.
Os agricultores sumérios conseguiam, com a irrigação e o cultivo planejado, extrair uma quantidade de produtos superiores à suas necessidades.
A parte excedente de cada agricultor servia para sustentar as pessoas das outras classes, artesãos, escribas, sacerdotes, guerreiros e o próprio rei.
Os excedentes agrícolas e artesanais eram trocados com os habitantes das outras cidades por minérios, madeira e pedras de construção, escassos na sua região.
Começava uma nova era econômica, era a Revolução Comercial.
Organizaram-se em cidades-estados, com administração própria, quase sempre lutando entre si pelo domínio das terras mais férteis.
As suas principais cidades foram Ur, Eridu, Kish, Nippur e Laghash, sendo Ur a principal. No total eram em número de doze.
Adoravam como deuses os elementos da natureza.
Cada cidade tinha seu deus principal, em cuja homenagem construíam magníficos templos (zigurate), em forma de pirâmide com degrau que constituíam terraços superpostos, em cujo cimo ficava o templo propriamente dito.
O zigurate era cercado de muralhas, em cujo interior ficavam as casas dos sacerdotes, dos agricultores que forneciam alimento para os cuidadores do templo, dos artistas que enfeitavam o templo e dos escribas.
O rei era considerado o representante de Deus, e por isso sua morte era lamentada e o enterro pomposo. Muitas vezes era enterrado com seus servos e mulheres.
Pode-se afirmar que constituíram a primeira civilização da história.

Acádios
Já fazia quase 1000 anos que os sumérios tinham se estabelecido na Mesopotâmia, quando a região foi invadida por um povo vindo do deserto sírio, por volta de 2550 a.C.
Primeiramente eles se fixaram no norte, que quer dizer Akkad, daí serem chamados acádios.
Passaram depois para o centro da região, dominando os sumérios, de quem ficaram amigos, vindo a dominar quase toda a região, constituindo um império que ia próximo do Mar Mediterrâneo (Mar Superior) ao Golfo Pérsico (Mar Inferior).
O império da Acádia foi o primeiro império no mundo, fundado pelo rei Sargão, ao unificar a região onde é, hoje, o Líbano, no mar Mediterrâneo até Ur, onde é, hoje, a Arábia Saudita, no Golfo Pérsico.

Os acádios eram de raça diferente dos sumérios, eram semitas, falavam outra língua e eram cultural e economicamente mais atrasados.
Com a conquista da terra a língua falada passou a ser o acádio, mas toda a cultura sumeriana (o que havia sido descoberto, construído, escrito e inventado pelos sumérios) passou a fazer parte do império acadiano, portanto a cultura, política e religião dos acádios é a mesma dos sumérios.
Os acadianos nos deixaram o registro da primeira língua semítica da antiguidade, a língua acadiana, pois, aproveitando-se da escrita cuneiforme, desenvolvida pelos sumérios, fizeram os registros do império acadiano na sua língua. Esta língua já foi usada como língua internacional no Oriente Médio antigo. O Código de Hamurabi (o primeiro código penal da história que veremos logo adiante) foi escrito em acadiano.
Ainda uma vez os acádios saem na frente, fizeram a primeira aliança política que a história registra, entre os acádios e hititas, povo vizinho ao império acadiano.
A aliança consistia em um tratado político-militar, semelhantes às alianças modernas, em que se comprometiam a apoiar-se, mutuamente, em caso de necessidades ou ataques e invasões.
O slogan era: “Seu amigo meu amigo, seu inimigo meu inimigo.
No império dos acádios, na região da Suméria, havia uma cidade chamada Babel ou Babilônia, cujos habitantes tinham assimilado toda a cultura dos sumérios e eram chamados babilônios. São eles que formaram a terceira civilização da Mesopotâmia.

Babilônios
Babel é o nome hebreu da Babilônia, cidade onde, segundo a Bíblia, tentaram erguer uma torre para escalar o céu. Este tema, que simboliza o orgulho do homem, encontra-se também na mitologia grega.
Babilônia ficava em território antes governado pelos sumérios, de quem absorveram a cultura.
Foi na Babilônia, que se iniciou a revolta contra os acádios, vencendo-os por volta de 1950 a.C., mas foi por volta de 1728 a.C. que ela se tornou um grande império, sob o reinado de Hamurabi. Começava o Primeiro Império Babilônico.

Hamurabi governou mais como pacificador, conseguindo dominar quase toda a Mesopotâmia sem conquistar inimigos. Além de pacifista foi também um grande administrador, impulsionando a agricultura e o comércio, tornando a Babilônia uma capital moderna e próspera. Cercou-a com muralhas e restaurou os templos do império, mas passou para a história como um grande legislador. Elaborou o primeiro código de leis da humanidade, que ficou conhecido como o Código de Hamurabi, baseado na lei de Talião “olho por olho, dente por dente”, que significa que a pena será igual ao crime.
Com a morte de Hamurabi, o império ficou enfraquecido, com muitos povos subordinados se rebelando e muitos povos estrangeiros invadindo-o. Com a invasão dos hititas e cassitas o império desmoronou e muitos reinos surgiram em seu lugar, principalmente o reino dos assírios, que dominou os outros reinos. Deste povo falaremos mais adiante.
Os assírios fizeram sua capital em Assur e se tornaram temidos em todo o Oriente Médio, por sua crueldade.
Seu principal rei foi Assurpanipal, depois dele a civilização assíria caiu em decadência e os povos medas e caldeus invadiram o reino e restabeleceram o antigo Império Babilônico.

Começa o Segundo Império Babilônico, cujo território se expandiu sob o governo de Nabucodonosor, que fez grandes obras públicas, das quais uma ficou conhecida como umas das maravilhas do mundo, os Jardins Suspensos da Babilônia. Esta bela obra de arquitetura foi feita em homenagem à rainha Amitis, a mulher que o rei mais amou.
Nabucodonosor intensificou o comércio, construiu grandes templos, expandiu o território, chegando até a Palestina e o Egito, transformou a Babilônia em um grande império, mas ao morrer começou o declínio sob o governo de seu filho, o que possibilitou a invasão pelos exércitos de Ciro, rei da Pérsia.
A Babilônia teve dois grandes reis, um em cada império babilônico, Hamurabi e Nabucodonosor.
Hamurabi foi conhecido como o rei das Quatro Regiões, o que significava rei de toda a terra, pois naquela época a terra se resumia na Mesopotâmia, o resto do mundo era desconhecido.
Teve a lucidez de perceber que leis claras e compreensíveis consolidavam um império mais do que a força das armas.
Ordenou que fossem reunidas em um código as principais leis estabelecidas por seus antecessores e as que ele mesmo ditou.
O Código de Hamurabi, como ficou conhecido, continha 282 artigos gravados em pedra que tratavam de vários aspectos da vida em sociedade, desde a pena de Talião (olho por olho, dente por dente) até as questões de indenização.
A obra de Hamurabi serviu, também, como documentário da civilização mesopotâmica.
Alguns exemplos de como era o código:
1- Se alguém enganar a outro, difamando esta pessoa, e este outro não puder provar, então aquele que enganou deve ser condenado à morte.
14– Se alguém roubar o filho menor de outro, este alguém deve ser condenado à morte.
21– Se alguém arrombar uma casa, ele deverá ser condenado à morte na frente do local do arrombamento e ser enterrado.
48– Se alguém tiver um débito de empréstimo e uma tempestade prostrar os grãos ou a colheita for ruim, ou os grãos não crescerem por falta d’água, naquele ano a pessoa não precisa dar ao seu credor dinheiro algum. Ele deve lavar sua tábua de débito na água e não pagar aluguel naquele ano.
129– Se a esposa de alguém for surpreendida em flagrante com outro homem, ambos devem ser amarrados e jogados dentro d’ água, mas o marido pode perdoar a sua esposa, assim como o rei perdoa a seus escravos.
138– Se um homem quiser se separar de sua esposa que lhe deu filhos, ele deve dar a ela a quantia do preço que pagou por ela e o dote que ela trouxe da casa de seu pai, e deixá-la partir.
194– Se alguém der seu filho para uma ama e a criança morrer nas mãos desta ama, mas a ama, com o desconhecimento do pai e da mãe, cuidar de outra criança, então eles devem acusá-la de estar cuidando de uma outra criança sem o consentimento do pai e da mãe. O castigo desta mulher será ter os seus seios cortados.
Nabucodonosor foi o grande rei do segundo império.
Em seu governo a cidade expandiu tanto que atingiu as duas margens do rio Eufrates, ligadas por uma ponte de madeira sustentada por cerca de cem grandes pilares de tijolos, que Nabucodonosor construiu.
A fim de agradar sua esposa, que tinha vindo de uma região cheia de plantas, mandou construir um jardim suspenso, em terraços, que foi uma das Sete Maravilhas do mundo antigo.
Cultura, política e religião
Como os sumérios, tinham uma cultura avançada, tendo absorvido muitos de seus conhecimentos.
Seus sábios realizaram estudos sobre os movimentos dos astros, catalogando grande número de estrelas e constelações; dividiram a circunferência em 360º, organizaram um calendário baseado nas fases da lua, com o ano de doze meses, o dia de 24 horas, com 60 minutos e 60 segundos.
Determinaram o zodíaco estabelecendo os doze pontos que formavam os doze signos.
Foram os primeiros urbanistas do mundo, pois a Babilônia tinha vinte e cinco ruas principais que se cruzavam em ângulo reto, formando quarteirões.
A forma de governo era monárquico-teocrática na qual o rei absolutista representava a vontade de Deus.
Os babilônicos eram politeístas.
A Babilônia além de ter sido a cidade mais rica da Antiguidade era venerada como cidade santa, prerrogativa concedida quando Hamurabi proclamou que Marduck e Ishtar, o deus e a deusa protetores da cidade, eram superiores aos demais deuses da região.
As procissões se realizavam em uma avenida chamada Via Sacra.
No centro da cidade havia uma torre, a Torre de Babel, zigurate dedicado a Marduck (referida na Bíblia).
Entre o primeiro e o segundo impérios babilônicos, a babilônia foi invadida e dominada por duas civilizações, os hititas e os assírios.
Vamos ver como foi a civilização hitita.
Hititas
Povo que viveu na Anatólia (atual Turquia), por volta de 1900 a.C.
Sua história pode ser conhecida graças à decifração da escrita cuneiforme sumeriana e dos hieróglifos egípcios, mas sobretudo pelas escavações arqueológicas da região.
Viviam às margens dos mares Negro, Egeu e Mediterrâneo, embora fizessem incursões pela região do Crescente Fértil, tendo invadido, por algum tempo, a Babilônia onde introduziram o cavalo.
Os hititas eram guerreiros e chegaram a fazer várias conquistas militares. A principal arma dos hititas eram os carros de guerra com capacidade para três guerreiros.
Dominaram a região da Babilônia, o Egito e até a Síria, Chegando a constituir um considerável império, porém, por volta de 1200 a.C, os hititas desapareceram subitamente, talvez derrotados pelos ‘Povos do Mar”, denominação dada a alguns dos grupos que invadiram, por mar, a Anatólia Oriental, Síria, Palestina, Chipre, e Egito no fim da idade do bronze, no século XIII a.C.

Os Povos do Mar são tidos como os responsáveis pela destruição de potências antigas tais como o império hitita. Por causa da ruptura abrupta nos registos antigos do próximo oriente em consequência das invasões, a extensão e a origem precisa das convulsões permanecem incertas.
Cultura, política e religião
Pouco se sabe da arquitetura hitita, apenas que tiveram poucos monumentos e de mau gosto.
No aspecto cultural podemos destacar a escrita hitita, baseada em representações pictográficas (desenhos). Além desta escrita hieroglífica, os hititas também possuíam um tipo de escrita cuneiforme.
Os hititas desenvolveram uma economia baseada na agricultura, comércio, mineração (principalmente de ferro) e artesanato.
Eram governados por um rei, com organização feudal e agrária, porém descentralizada, dada a extensão e heterogeneidade dos territórios.
O deus supremo era o deus das Tempestades, do qual o representante direto era o rei, que após a morte juntava-se ao panteão dos antepassados, todos deuses.
Foram invadidos pelos egípcios e o tratado de paz entre eles é até hoje um referencial do direito internacional.
Agora vamos falar dos assírios, que dominaram o Primeiro Império Babilônico, depois da invasão dos hititas, que debilitou o império.
Assírios
Durante a hegemonia dos sumérios (por volta de 1900 a.C.), a Assíria era uma região pobre, isolada entre o rio Tigre e as montanhas do norte da Mesopotâmia.
A principal cidade era Assur, em homenagem ao principal deus assírio, e que deu nome ao povo.
Depois que a Babilônia foi invadida pelos hititas ficou fragilizada e facilmente dominável pelos seus antigos dominados, do que se aproveitaram os assírios.
No primeiro milênio a.C tornou-se um poderoso império, o mais extenso e organizado do Oriente Próximo.

Teve um exército muito bem organizado, com armas de ferro mais leves e resistentes, soldados revestidos com cotas de malha de ferro, uma cavalaria aperfeiçoada e carros de guerra bem equipados, mas suas guerras tinham um caráter sanguinário, tendo sido considerados cruéis para com os prisioneiros, dominando as populações vencidas pelo terror.
Os assírios se tornaram famosos por sua crueldade para com os povos vizinhos.
Enquanto os sumérios e os outros povos se dedicavam às suas lavouras, comércio e cultura, os assírios se preocupavam com a guerra, o que os tornou os dominadores de grande parte do Oriente Próximo. Esta crueldade fez com que os povos dominados se revoltassem, os babilônicos venceram os assírios e restabeleceram o segundo império babilônico.
Cultura, política e religião
A cultura era copiada das civilizações dos povos dominados por eles, sobretudo babilônios e egípcios.
Com a pilhagem puderam construir um magnífico aqueduto (a água potável era escassa na região).
Construíram grandes cidades com suntuosos palácios, principalmente Nínive, que se tornou a capital, cujas fronteiras foram protegidas por muralhas.
Formaram uma grande bibliotecas (a de Assurbanipal) que tem a mais antiga e importante coleção de textos sumerianos, acadianos, assírios e babilônios.
Iniciaram a utilização de lingotes de metal para a cobrança de tributos, instituindo a forma rudimentar da moeda.
O império assírio organizou-se como um estado forte e militarizado, governado por um rei absoluto, com status de Deus, com uma administração centralizada nos governadores das províncias.
Para facilitar a comunicação entre eles e o rei eram colocados mensageiros que recebiam e retransmitiam as mensagens. Estava criado o primeiro serviço postal da história.
O deus dos assírios eram Assur, representado pelo rei. Com sua ideia monoteísta de deus, ajudaram os hebreus a elaborar um conceito de um deus superior e severo, universal e não nacional.
Caldeus
Viveram no sul da Mesopotâmia, por volta de 2.000 a.C., próximos dos sumérios, daí suas civilizações serem parecidas.
Suas casas eram construídas de tijolos cozidos ao sol, formando grupos que se constituíam em cidades, semelhantes às dos sumérios, pois a região era pobre em pedra.
Fez parte do império da Babilônia, e houve uma época em que a dinastia Caldéia, com o imperador Nabopolassar, governou a Babilônia.
Este governo durou por volta de 80 anos, quando foram dominados pelos persas.

Cultura, Política e Religião
Foram excelentes matemáticos. Tinham as noções do quadrado, do cubo, das raízes quadrada e cúbica. Calculavam os empréstimos relativos à capitalização e os reembolsos.
Calculavam, por aproximação, a hipotenusa (lado oposto ao ângulo reto, no triângulo-retângulo)
Seu sistema de pesos e medidas foi modelo na Antiguidade.
Conheciam as constelações e as principais estrelas, e determinavam o nascimento e o ocaso de 55 deles, bem como conheciam a astrologia.
Em sua literatura destacam-se o poema da criação, a luta dos deuses Marduque e Tiamat, o Dilúvio Universal e a Epopéia de Gilgamés.
Os sacerdotes caldeus eram magos, que acreditavam na força da astrologia, previam o futuro, curavam por meio de infusões e amuletos e acreditavam em espíritos. Apesar disto suas ideias foram o embrião da primeira religião monoteísta, o judaísmo, pois foi em uma cidade da Caldéia, Ur, que nasceu Abrahão, o patriarca dos hebreus. Este povo, que habitou a Palestina, próximo da Mesopotâmia, no Crescente Fértil, tem especial importância para os cristãos, pois foi ele o embrião do povo judeu, onde nasceu Jesus. Encontram-se ali importantes acidentes geográficos histórico-religiosos, como o rio Jordão onde Cristo foi batizado, o mar da Galileia onde vários milagres aconteceram, o Mar Morto e muitos outros.
É sobre este povo monoteísta, descendente dos caldeus, que vamos falar agora.
Hebreus
Habitaram a Palestina, também chamada Canaã, para onde foram, vindos do sul da Mesopotâmia, da Caldéia, por volta de 2.000 a.C. O termo hebreu quer dizer “gente do lado de lá” (do rio Eufrates).
Não foram famosos por seu poder militar ou por grandes riquezas, mas por sua crença religiosa em um Deus único, por isso eram chamados povo de Israel ou povo de Deus.
Numa época em que os homens acreditavam em vários deuses, os hebreus tinham um Deus único, a quem adoravam sem imagens e a quem obedeciam incondicionalmente. Chamavam-se a si mesmo de Povo Escolhido.
Para os hebreus, seu ancestral era Abraão, nascido por volta de 1900 A.C., na cidade de Ur na Caldéia, daí sua origem na Mesopotâmia.
Os capítulos 12 a 15, do livro de Genesis, da Bíblia, contam a história deste patriarca a quem Deus mandou que deixasse sua terra e fosse para outra onde formaria um povo.
Abraão obedeceu, e por volta de 1850 A.C deixou a Caldeia e partiu para a terra prometida por Deus, que era a Palestina.
Da Palestina, Abraão cruzou toda a Canaã até o deserto de Neguev, chegou ao Egito e mais tarde voltou para a Palestina, onde foi enterrado, com sua mulher Sara.
Abraão teve dois filhos, com Sara, a quem Deus havia prometido a maternidade, que foi chamado de Isaac e outro com uma escrava chamada Agar, que foi chamado de Ismael. De Isaac descendem os judeus e cristãos e de Ismael descendem os árabes muçulmanos.
Foi sucedido, como patriarca, por seu filho Isaac.

Isaac teve dois filhos, Esaú e Jacó.
O filho mais velho de Isaac, portanto seu sucessor, era Esaú, mas este trocou a primogenitura por um prato de lentilha.
O patriarca passou a ser Jacó, também chamado Israel, que deu o nome ao povo.
O povo de Israel se dividia em 12 tribos governadas cada uma por cada um dos filhos de Jacó (Israel).
Um dos filhos de Jacó, José, foi vendido pelos irmãos e levado para o Egito, onde se tornou um grande personagem, conselheiro do Faraó.
Por ocasião de uma grande fome na Palestina, José chamou seu povo para o Egito, onde viveu longo tempo.
Séculos depois, os hebreus foram perseguidos pelos egípcios. Moisés, um chefe israelita, conseguiu do faraó ordem para voltar à Palestina, mas o povo os perseguiu até as margens do mar Vermelho, onde se deu o milagre da abertura das águas. Pela passagem aberta no mar os hebreus puderam fugir e não foram perseguidos pelos egípcios porque as águas do mar se fecharam.
Durante 40 anos eles vagaram pelo deserto, conduzidos por Moisés, para quem, no alto do Monte Sinai, Deus ditou os Dez Mandamentos ou Decálogo. Como Moisés ficou muito tempo orando no alto do morro o povo pediu a Arão que fizesse um deus para eles. Arão pegou os brincos das mulheres fundiu e moldou um bezerro a quem eles passaram a adorar. Quando Moisés voltou do monte com as Tábuas da Lei se enfureceu e jogou o bezerro ao fogo, que derreteu e depois virou pó.
Moisés morreu quando avistaram a Terra Prometida e foi sucedido por Josué, que atravessou o rio Jordão, e os levou à terra onde iriam formar o povo hebreu.
Esse período que os hebreus ficaram vagando pelo deserto se chamou Exôdo.
Cultura, Política e Religião
Os hebreus não se sobressaíram culturalmente, a não ser pela literatura, contida no mais admirável dos livros, a Bíblia, seu livro sagrado.
Eram liderados pelos patriarcas, mais lideres religiosos do que guerreiros, que deram lugar aos juízes, chefes militares que passaram a comandar os hebreus na luta pela terra. Os juízes mais importantes foram Otoniel, Gedeão, Sansão e Samuel, o último deles.
Como os ataques de outros povos continuassem cada vez mais violentos, os hebreus pediram a Samuel que lhes desse um rei. Samuel sagrou a seu filho, Saul, o primeiro rei de Israel, seguido de Davi, guerreiro, artista e poeta. Davi escreveu os famosos Salmos de Davi. A forma de governo passou a ser monárquica.
Davi estabeleceu a capital em Jerusalém, centro da vida civil, política e religiosa de Israel, esboçou a organização do Estado, criou o exército, estabeleceu o regime administrativo e firmou a unidade do povo
Um dos principais reis foi Salomão, famoso por sua sabedoria, que sucedeu a Davi.
Salomão não foi um rei de guerras, pois tinha pouca necessidade de o ser, pois nenhum inimigo externo ameaçava seriamente seu reino. Seu dever era tornar o reino mais desenvolvido e não fazer conquistas.
Salomão, ao invés de guerrear, diplomaticamente cria alianças e mantem a paz, e finaliza algumas obras civis iniciadas por seu pai. Moderniza o exército com carros e armas, fortifica as cidades e cria uma linha de praças fortes; implanta uma via comercial que ia do Egito até a Síria. Constrói as fortalezas de Baalat e Pamar que têm a finalidade de proteger as rotas de metais que são retirados das minas de Asiongaber através do porto de Aqabar.

Salomão passou a cobrar impostos altos que desagravam a muitas tribos do reino. Com sua morte as tribos desgostosas, chefiadas por Jeroboão, foram pedir a Roboão, filho e herdeiro de Salomão, que diminuíssem os impostos. Como não foram atendidos, dez tribos se revoltaram e, sob o comando de Jeroboão, formaram o estado de Israel. As outras duas ficaram sob o comando de Roboão continuando o reino de Judá.
Isto se chamu Cisma, que quer dizer separação.
Após disputas internas, chegaram a um acordo em 878 a.C., com a escolha de Omri para rei.
Por duas vezes o povo hebreu foi expulso de suas terras por perseguição religiosa.
A primeira vez foram expulsos pelo rei Nabucodonosor II, da Babilônia, que expulsou-os de Judá. Eles se espalharam pela Mesopotâmia e Oriente, mas continuaram com sua fé.
A segunda vez foram expulsos pelos romanos.
Estes fatos se chamaram Diáspora.
A principal contribuição dos israelitas para a civilização foi sua religião monoteísta. Acreditavam em um único Deus, criador, eterno, onipotente e onipresente. Esta crença é o embrião do judaísmo, primeira religião monoteísta.
Para conservar a união entre as comunidades judaicas reuniu-se um corpo editorial para dar unidade à multidão de lendas que fariam a unidade político-religiosa do povo hebreu. Este corpo editorial é formado pelos primeiros 5 livros da Bíblia, chamado Tora, que em hebraico quer dizer Lei.
A Tora tornou-se sagrada para todos os povos monoteístas. É ele que mantém, até hoje, a unidade do povo hebreu.
O povo hebreu foi um povo nômade durante muito tempo, vivendo do pastoreio de ovelhas e cabras. É por isso que grande parte da doutrina religiosa faz referência a pastores e ovelhas: Jesus é o bom Pastor.
Mais tarde, depois de se fixarem na Palestina desenvolveram a agricultura e o comércio, no que são bons até hoje.
No início a terra era coletiva, só mais tarde, com o surgimento da ideia de propriedade privada, surgiu a divisão de classes.
Com estas primeiras civilizações, começa a história da humanidade, cujo caminhar vamos acompanhar através da geografia, marcando no mapa mundi o aparecimento de cada uma.
Abaixo, o mapa com a localização destes primeiros povos, sumérios, acádios, babilônicos, hititas, assírios, caldeus e hebreus.

